É ROTINEIRA a associação do regime militar brasileiro com as ditaduras do Cone Sul (Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai). Nada mais falso. O regime militar brasileiro teve características próprias, independentes até da Guerra Fria.
Fez parte de uma tradição anti- democrática solidamente enraizada e que nasceu com o positivismo, no final do Império. O desprezo pela democracia foi um espectro que rondou o nosso país durante cem anos de república. Tanto os setores conservadores como os chamados progressistas transformaram a democracia em um obstáculo à solução dos grandes problemas nacionais, especialmente nos momentos de crise política.
O regime militar brasileiro não foi uma ditadura de 21 anos. Não é possível chamar de ditadura o período 1964-1968 (até o AI-5), com toda a movimentação político-cultural. Muito menos os anos 1979-1985, com a aprovação da Lei de Anistia e as eleições para os governos estaduais em 1982. Mas as diferenças são maiores.
Enquanto a ditadura argentina fechou cursos universitários, no Brasil ocorreu justamente o contrário. Houve uma expansão do ensino público de terceiro grau por meio das universidades federais, sem esquecer várias universidades públicas estaduais que foram criadas no período, como a Unicamp e a Unesp, em São Paulo.
Ocorreu enorme expansão na pós-graduação por meio da ação do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), especialmente, e da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), em São Paulo. Ou seja, os governos militares incentivaram a formação de quadros científicos em todas as áreas do conhecimento concedendo bolsas de estudos no Brasil e no exterior. As ditaduras do Cone Sul agiram dessa forma?
A Embrafilme -que teve importante papel no desenvolvimento do cinema nacional- foi criada no auge do regime militar, em 1969. Financiou a fundo perdido centenas de filmes, inclusive de obras críticas ao governo (o ministro Celso Amorim presidiu a Embrafilme durante o regime militar). A Funarte foi criada em 1975 -quem pode negar sua importância no desenvolvimento da música, das artes plásticas e do teatro brasileiros? E seus projetos de grande êxito, como o Pixinguinha, criado em 1977, para difundir a música nacional?
No Brasil, naquele período, circularam jornais independentes -da imprensa alternativa- com críticas ao regime (evidentemente, não deve ser esquecida a ação nefasta da censura contra esses periódicos). Isso ocorreu no Chile de Pinochet? E os festivais de música popular e as canções-protesto? Na Argentina de Videla esse fato se repetiu? E o teatro de protesto? A ditadura argentina privatizou e desindustrializou a economia. Quem não se recorda do ministro Martinez de Hoz? Já o regime militar brasileiro estatizou grande parte da economia.
Somente o presidente Ernesto Geisel criou mais de uma centena de estatais. Os governos militares industrializaram o país, modernizaram a infraestrutura, romperam os pontos de estrangulamento e criaram as condições para o salto recente do Brasil, como por meio das descobertas da Petrobras nas bacias de Santos e de Campos nos anos 1970.
É sabido que o crescimento econômico foi feito sem critérios, concentrou renda, criou privilégios nas empresas estatais (que foram denunciados, ainda em 1976, nas célebres reportagens de Ricardo Kotscho sobre as mordomias) e estabeleceu uma relação nociva com as empreiteiras de obras públicas. Porém, é inegável que se enfrentaram e se venceram vários desafios econômicos e sociais. É curioso o processo de alguns intelectuais de tentarem representar o papel de justiceiros do regime militar. Acaba sendo uma ópera-bufa. Estranhamente, omitiram-se quando colegas foram aposentados compulsoriamente pelo AI-5, como Florestan Fernandes, Fernando Henrique Cardoso, Emilia Viotti da Costa, entre outros; ou quando colegas foram presos e condenados pela "Justiça Militar", como Caio Prado Júnior.
Muitos fizeram carreira acadêmica aproveitando-se desse vazio e "resistiram" silenciosamente. A história do regime militar ainda está presa numa armadilha. De um lado, pelos seus adversários. Alguns auferem altos dividendos por meio de generosas aposentadorias e necessitam reforçar o caráter retrógrado e repressivo do regime, como meio de justificar as benesses. De outro, por civis (estes, esquecidos nas polêmicas e que alçaram altos voos com a redemocratização) e militares que participaram da repressão e que necessitam ampliar a ação opositora -especialmente dos grupos de luta armada- como justificativa às graves violações dos direitos humanos.
MARCO ANTONIO VILLA, 52, é professor de história do Departamento de Ciências Sociais da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e autor, entre outros livros, de "Jango, um Perfil".
Irã pede ao mundo muçulmano que se una à resistência palestina
"O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, pediu nesta quarta-feira ao mundo muçulmano que se some à resistência palestina contra Israel, no discurso de abertura da reunião de cúpula internacional de dois dias organizada por Teerã para arrecadar dinheiro para Gaza. "A única forma de salvar a Palestina é a resistência", declarou Khamenei, depois de chamar Israel de "tumor cancerígeno". "Não vamos salvar a Palestina mendigando nas Nações Unidas", acrescentou.
Khomeini também disparou contra o presidente americano, Barack Obama, acusando-o de sair "em defesa do terrorismo governamental" de Israel, apesar de suas promessas de mudança política. Além disso, disse ser um erro o fato de que "um país chamado Israel seja uma realidade de 60 anos que deve ser aceita. Outro erro é dizer que a única forma de salvar os palestinos é através da negociação". O aiatolá, principal autoridade do Estado iraniano, voltou a defender a volta de todos os refugiados palestinos, seguida de um referendo para decidir sobre o futuro do território israelense..."
- Há dois dias falei aqui que o mundo islâmico é anti-social e nos vê como inimigos e para quem duvida disso, a reportagem acima é uma prova cabal dessa realidade... no melhor estilo Adolf Hitler, o nada simpático velhinho carrancudo aiatolá Khamenei, líder religioso do tumor cancerígeno Irã, deixou bem transparente sua intenção de unir o islã em torno do único objetivo que os move como povo pré-histórico: destruir a nação judaica e numa sucessão, lançar o mundo não livre muçulmano contra o mundo ocidental, por pouco tempo livre... e para quem acha que o tumor cancerígeno Irã está brincando, leia aqui uma outra reportagem que lança as cartas na mesa quanto à aguerrida postura dos bárbaros, que já contemplam apoios além-mar, pois não podemos esquecer na quadra apresentada que o foro de São Paulo já apóia descaradamente o preposto Ahmadinehad e que Chávez cortou recentemente relações com Israel... mas, Clausewitz, Hugo Chávez é inofensivo e onde entram os 10 milhões de reais do título? Chávez não é nada inofensivo, já demonstrou insanidade em diversos comportamentos, está em franca aproximação militar e diplomática com o Irã e com a China, que anunciou ter aumentado consideravelmente seu orçamento militar e os 10 milhões são de dólares e são os que o desgoverno petista doou para a reconstrução da Palestina e que o chefão iraniano julgou ser esmola da ONU...
Mesmo contrariando o conselho de alguns amigos, sou do tipo que costuma aceitar provocações. Especialmente as boas. Quando pertinentes, ajudam a pensar, aclaram posições, colaboram para pôr as coisas no seu devido lugar. O leitor João Lucas Pinto envia-me o que segue — em preto(escapou do vermelho, João). Respondo em azul. Ele comenta o post em que reproduzo trecho do artigo do professor Marco Antônio Villa, publicado na Folha de hoje. A questão de fundo ainda é a "ditabranda":
Reinaldo, Imagino que você concorde com os pontos positivos do regime militar brasileiro apontados no texto, ainda que, assim como Marco Antonio Villa, reconheça e condene o autoritarismo do período. O que me fez pensar: é legítimo procurar pontos positivos na atuação de ditadores? Eu sempre desconfiei disso, até por influência sua, ao ler tantas vezes seus ataques a quem elogiasse, por exemplo, os sistemas de saúde e de educação em Cuba, esquecendo-se das 100 mil mortes no currículo de Fidel. Claro que há enormes diferenças entre a ditadura cubana e o nosso regime militar, mas não posso conceber que o grau de autoritarismo é que indica se podemos ou não elogiar um aspecto qualquer da política desse ou daquele regimes. Para ser mais direto: você estaria pronto para elogiar o sistema de saúde de Cuba apesar de estarmos falando sobre Cuba? Não tome minha pergunta como uma acusação; trata-se de uma dúvida genuína minha. Publicar Recusar (João Lucas Pinto) 10:21
Comento Caro João, suas premissas estão erradas, e isso faz parecer curiosidade intelectual um conjunto de inferências. É legítimo DESCREVER aspectos positivos mesmo num regime autoritário, numa ditadura que seja, porque eles podem ajudar a explicar por que tal ditadura se sustenta ou mesmo foi implementada. O que pode distinguir democratas de não-democratas é saber se tais aspectos positivos são tomados como um NORTE, como um caminho a ser seguido.
Um democrata, e eu sou um democrata — só aceito o poder exercido por meio de eleições livres, respeitando-se os direitos das minorias e dos indivíduos —, não magnifica aspectos positivos de um regime ditatorial para justificar toda a ditadura. Ao contrário: a um democrata cumpre deixar claro que conquistas de qualquer natureza — sejam as econômicas, sejam as sociais —não justificam a ditadura. Será que eu esquerdista pensa assim? Já chego lá.
Posto isso, cumpre, então, recuperar a natureza do debate. A palavra “ditabranda”, no já famoso editorial da Folha, não foi empregada para ressaltar aspectos positivos do regime militar. O trocadilho, velho e um tanto infeliz (já escrevi aqui), buscava apenas distinguir diferenças entre vários regimes autoritários da América Latina. E que se note: vi incorreções naquele texto que faziam concessões excessivas à visão da esquerda (leia A ditadura dos brandos de araque). Adiante.
A demonização do jornal, liderada por Maria Victória Benevides e Fábio Konder Comparato, com o apoio dos esbirros do petismo, no entanto, busca transformar a história brasileira numa espécie de Juízo Final, a contrastar justos e injustos, santos e demônios, como se todos aqueles que se opuseram à ditadura — ou “ditabranda” — quisessem democracia. Ora, em 1964, a democracia brasileira entrou em falência POR FALTA DE QUEM A DEFENDESSE, NÃO POR EXCESSO DE DEFENSORES. Não compreendiam a democracia o governo, os militares que o depuseram e as esquerdas que queriam fazer a revolução. RECONHECER TAL FATO É IMPORTANTE PORQUE:
A – trata-se de fatos, não de gosto;
B – pode contribuir para que erros não se repitam.
Pois bem, João. Quais são as forças que, hoje em dia, condescendem com ditaduras? Quem é que concede com o autoritarismo em nome de supostos benefícios sociais? Seriam os ditos “conservadores”? Seriam os herdeiros do regime de 1964, que nem existem mais? Ora... A resposta da Folha às críticas de Maria Victoria e Comparato, classificando-as de “cínicas e mentirosas”, é correta, objetiva. A “intelectual” e o “jurista” já se insurgiram, por acaso, contra a óbvia escalada autoritária na América Latina, só que agora com sotaque de esquerda? Nas vezes em que o PT arreganhou os dentes para a democracia, especialmente contra a liberdade de imprensa, esses dois gigantes se alevantaram? No período do mensalão — A CORRUPÇÃO DA ESSÊNCIA DE UM REGIME —, denunciaram a tentação autoritária do seu partido?
Não, eles não o fizeram. Nem eles nem aqueles que agora ecoam as suas críticas CÍNICAS E MENTIROSAS.
Reconhecer qualidades positivas num regime autoritário para, por metonímia ideológica, TOMAR A PARTE PELO TODO é legítimo para quem não é um democrata. Eu nunca fiz isso. O editorial da Folha não fez isso. Dizem que sou de direita, não é? Não fujo da classificação porque não tenho medo de palavras e fantasmas. Pois bem. É fácil encontrar textos meus repudiando ditadores de direita. Cadê os textos de Maria Victória e Comparato repudiando os ditadores e protoditadores de esquerda?
A questão de fundo, João, é que não há base teórica (conceitual) ou histórica (factual) que possa ligar a democracia às esquerdas. Certo pensamento falacioso, veiculado dia desses na própria Folha, na pena do articulista Marcos Nobre, pretende que as conquistas democráticas tenham nascido da pressão das esquerdas. É uma bobagem formidável. A igualdade dos homens diante da lei é uma idéia que precede em muito a militância esquerdista, de matriz marxista. Ao contrário até: essa gente sempre considerou que tal princípio era o mais sofisticado aparelho de perpetuação da desigualdade — e a “igualdade”, não a liberdade, é que sempre foi a verdade positiva das esquerdas. E ela sempre serviu para justificar todos os crimes, no passado e no presente.
Tenho 47 anos, mas sou do século passado, de um tempo em que livros podiam mesmo fazer a diferença. Tenho a obra do camarada Lênin aqui do lado. É incrível. Abra um volume qualquer em qualquer página, leia 10 linhas, e logo aparece uma diatribe contra a... “democracia burguesa”. Não é assim porque eu quero, é assim porque assim se deram os fatos: a história das esquerdas é também a história da luta contra a democracia.
Há, hoje em dia, um intelectual de esquerda honesto, dada a desonestidade intelectual essencial do esquerdismo: Slavoj Zizek. Ele, afinal, admite que a violência e o terror são instrumentos essenciais da luta política esquerdista. E, com efeito, faz pouco das chamadas “esquerdas democráticas” mundo afora. E, na essência da sua ironia, está um truísmo: se são forças democráticas, não podem ser de esquerda; se são de esquerda, não podem ser democráticas.
Silvino Geremia é empresário em São Leopoldo, Estado do Rio Grande do Sul.
Eis o seu desabafo: "Acabo de descobrir mais um desses absurdos que só servem para atrasar a vida das pessoas que tocam e fazem este país: investir em educação é contra a lei .
Vocês não acreditam? Minha empresa, a Geremia, tem 25 anos e fabrica equipamentos para extração de petróleo, um ramo que exige tecnologia de ponta e muita pesquisa. Disputamos cada pedacinho do mercado com países fortes, como os Estados Unidos e o Canadá. Só dá para ser competitivo se eu tiver pessoas qualificadas trabalhando comigo. Com essa preocupação criei, em 1988, um programa que custeia a educação em todos os níveis para qualquer funcionário, seja ele um varredor ou um técnico.
Este ano, um fiscal do INSS visitou a empresa e entendeu que educação é salário indireto. Exigiu o recolhimento da contribuição social sobre os valores que pagamos aos estabelecimentos de ensino freqüentados por nossos funcionários, acrescidos de juros de mora e multa pelo não recolhimento ao INSS. Tenho que pagar 26 mil reais à Previdência por promover a educação dos meus funcionários? Eu acho que não. Por isso recorri à Justiça.
Não é pelo valor, é porque acho essa tributação um atentado. Estou revoltado. Vou continuar não recolhendo um centavo ao INSS, mesmo que eu seja multado 1000 vezes. O Estado brasileiro está falido. Mais da metade das crianças que iniciam a 1ª série não conclui o ciclo básico. A Constituição diz que educação é direito do cidadão e dever do Estado. E quem é o Estado? Somos todos nós. Se a União não tem recursos e eu tenho, acho que devo pagar a escola dos meus funcionários. Tudo bem, não estou cobrando nada do Estado. Mas também não aceito que o Estado me penalize por fazer o que ele não faz. Se a moda pega, empresas que proporcionam cada vez mais benefícios vão recuar.
Não temos mais tempo a perder. As leis retrógradas, ultrapassadas e em total descompasso com a realidade devem ser revogadas. A legislação e a mentalidade dos nossos homens públicos devem adequar-se aos novos tempos. Por favor, deixem quem está fazendo alguma coisa trabalhar em paz. Vão cobrar de quem desvia dinheiro, de quem sonega impostos, de quem rouba a Previdência, de quem contrata mão-de-obra fria, sem registro algum.
Sou filho de família pobre, de pequenos agricultores, e não tive muito estudo. Completei o 1º grau aos 22 anos e, com dinheiro ganho no meu primeiro emprego, numa indústria de Bento Gonçalves, na serra gaúcha, paguei uma escola técnica de eletromecânica. Cheguei a fazer vestibular e entrar na faculdade, mas nunca terminei o curso de Engenharia Mecânica por falta de tempo. Eu precisava fazer minha empresa crescer. Até hoje me emociono quando vejo alguém se formar. Quis fazer com meus empregados o que gostaria que tivessem feito comigo.
A cada ano cresce o valor que invisto em educação porque muitos funcionários já estão chegando à Universidade. O fiscal do INSS acredita que estou sujeito a ações judiciais. Segundo ele, algum empregado que não receba os valores para educação poderá reclamar uma equiparação salarial com o colega que recebe. Nunca, desde que existe o programa, um funcionário meu entrou na Justiça. Todos sabem que estudar é uma opção daqueles que têm vontade de crescer... E quem tem esse sonho pode realizá-lo porque a empresa oferece essa oportunidade. O empregado pode estudar o que quiser, mesmo que seja Filosofia, que não teria qualquer aproveitamento prático na Geremia.
No mínimo, ele trabalhará mais feliz. Meu sonho de consumo sempre foi uma Mercedes-Benz. Adiei sua realização várias vezes porque, como cidadão consciente do meu dever social, quis usar meu dinheiro para fazer alguma coisa pelos meus 280 empregados. Com os valores que gastei no ano passado na educação deles, eu poderia ter comprado duas Mercedes. Teria mandado dinheiro para fora do país e não estaria me incomodando com leis absurdas. Mas não consigo fazer isso. Sou um teimoso. No momento em que o modelo de Estado que faz tudo está sendo questionado, cabe uma outra pergunta. Quem vai fazer no seu lugar? Até agora, tem sido a iniciativa privada.
Não conheço, felizmente, muitas empresas que tenham recebido o tratamento que a Geremia recebeu da Previdência por fazer o que é dever do Estado. As que foram punidas preferiram se calar e, simplesmente, abandonar seus programas educacionais. Com esse alerta temo desestimular os que ainda não pagam os estudos de seus funcionários. Não é o meu objetivo. Eu, pelo menos, continuarei ousando ser empresário, a despeito de eventuais crises, e não vou parar de investir no meu patrimônio mais precioso: as pessoas.
No Cuba Archive, um projeto de pesquisa apoiado por respeitadas instituições internacionais, você pode conhecer os nomes dos cubanos, bem como as datas e locais onde foram assassinados diretamente ou por ordem de Che Guevara. Segundo o maluco do megafone, a ditadura cubana é "doce". Este documentário mostra o quanto foi "doce" a revolução castrista.
O Coturno Noturno desafia os defensores da "ditadoce" cubana a mostrarem uma foto em que um militar brasileiro, a exemplo de Raul Castro, atual presidente de Cuba, apareça vendando um prisioneiro para ser fuzilado a sangue frio e sem julgamento como na foto acima.
O texto a seguir é um capítulo do livro "Intervencionismo" de Ludwig Von Mises. O livro foi escrito em 1940 e a versão eletrônica completa está disponível para download em nossa Biblioteca Online ou clicando aqui.
É inegável que, nos dias de hoje, ditadura, intervencionismo e socialismo são extremamente populares. Nenhum argumento lógico consegue enfraquecer essa popularidade. O fanatismo impede que os ensinamentos da teoria econômica sejam escutados, a teimosia impossibilita qualquer mudança de opinião e a experiência não serve de base a nada.
Para compreender as raízes dessa rigidez devemos nos lembrar que as pessoas sofrem porque as coisas nem sempre se passam da maneira que elas gostariam. O homem nasce como um ser egoísta, não sociável, e só com a vida aprende que sua vontade não é a única nesse mundo e que existem outras pessoas que também têm suas vontades. A vida e a experiência irão ensinar-lhe que para realizar os seus planos terá que encontrar o seu lugar na sociedade, terá que aceitar as vontades e os desejos de outras pessoas como um fato e que terá que se ajustar a esses fatos, se quiser chegar a algum lugar. A sociedade não é o que o indivíduo gostaria que fosse. Qualquer indivíduo tem sobre seus conterrâneos uma opinião menos favorável do que a que tem sabre si mesmo. Julga-se com direito a ter um lugar na sociedade melhor do que o que efetivamente tem. A cada dia o presunçoso — e quem está inteiramente livre da presunção? — tem novos desapontamentos. Cada dia lhe ensina que existem outras vontades além da sua.
O neurótico tenta se proteger desses desapontamentos sonhando acordado. Sonha com um mundo no qual a sua vontade seja decisiva. Só o que tiver a sua aprovação pode acontecer. Só ele pode dar ordens; os outros obedecem. Na sua fantasia, é um ditador.
Na sua secreta fantasia pensa ser um ditador como César, Genghis Khan ou Napoleão. Na vida real. quando fala com os seus conterrâneos, tem que ser mais modesto. Contenta-se em apoiar a ditadura de alguma outra pessoa. Mas, na sua imaginação o ditador está ali para cumprir a sua (do neurótico) vontade. Um homem que, não tendo percebido os seus limites, proclamasse que ele deveria ser o ditador seria considerado insano pelos seus conterrâneos. Os psiquiatras o qualificariam como um megalomaníaco.
Quem apóia uma ditadura, o faz por achar que o ditador está fazendo o que, na sua opinião, precisa ser feito. Quem é favorável a ditaduras tem sempre em mente a necessidade de dominar todas as vontades, inclusive a sua própria vontade.
Examinemos, por exemplo, o slogan "economia planejada", que particularmente nos dias de hoje é um pseudônimo de socialismo. Qualquer coisa que as pessoas façam tem que ser primeiramente concebida e nesse sentido planejada. Mas aqueles que, como Marx, rejeitam a "produção anárquica" e pretendem substituí-la pelo "planejamento" não consideram a vontade e os planos das outras pessoas. Só uma vontade deve prevalecer, só um plano deve ser implementado, qual seja, aquele que tem a aprovação do neurótico, o plano que ele considera correto, o único plano. Qualquer resistência deve ser subjugada, nada que impeça o pobre neurótico de tentar ordenar o mundo segundo seus planos deve ser permitido, todos os meios que façam prevalecer a suprema sabedoria do sonhador devem ser usados. (Cf. SOCIALISMO VS. ECONOMIA DE MERCADO)
Essa é a mentalidade das pessoas que, numa exposição das pinturas de Manet(1) em Paris, exclamavam: a polícia não devia permitir isso! Essa é a mentalidade das pessoas que constantemente clamam: devia haver uma lei contra isso! E, quer eles admitam ou não, essa é a mentalidade de todos os intervencionistas, socialistas e defensores das ditaduras. A única coisa que eles odeiam mais do que o capitalismo é o intervencionismo, socialismo ou ditadura que não corresponda à sua vontade. Com que entusiasmo os nazistas e os comunistas lutam entre si! Com que determinação os partidários de Trotsky(2) combatem os de Stalin ou os seguidores de Strasser(3) os de Hitler.
Notas:
(1) Edouard Manet, pintor impressionista francês. (N. do E.)
(2) Leon Trotsky, comunista russo que se opôs a Stalin e foi exilado. Foi assassinado no México em agosto de 1940. (N. do E.)
(3) Gregor Strasser - um partidário de Hitler que mais tarde discordou dele e foi assassinado. (N. do E.)
"Quem diz: 'deveria haver uma lei sobre isto', está dizendo que homens armados pelo governo deveriam forçar as pessoas a fazer o que não querem, ou a não fazer o que gostariam de fazer... E aquele que diz: 'esta lei deveria ser melhor cumprida', está querendo dizer que a polícia deveria forçar as pessoas a obedecê-la. Aquele que fala em estado, fala em coerção e compulsão. .. Aquele que afirma que o estado é Deus, está endeuzando as armas e as prisões ... pois o culto do estado é o culto da força." (Anônimo)
Numa nota do livro Ludwig von Mises lembra que "Hegel chamava o Estado de 'o Absoluto'. Ferdinand Lasalle dizia "o Estado é Deus'. O professor Werner Sombart, no seu livro German Socialism (Socialismo Alemão), que era bestseller na Alemanha Nazista e que foi traduzido para o inglês e o francês, declara que o Führer recebe suas ordens diretamente de Deus."
...O meu objetivo primordial foi atingido ao fazer com que uma parte expressiva da sociedade brasileira prestasse mais atenção no que ocorre no nosso País. Um quadro aterrador que até agora vinha sendo encoberto pelos bons resultados da economia. O resultado prático foi mostrar ao cidadão comum que vale a pena se indignar, que nem tudo está perdido, que compactuar com a corrupção não é pré-requisito para a carreira política.
É extremamente necessário que algo seja feito, antes que essa degradação comprometa a nossa democracia, levando as novas gerações a um quadro de desalento para com o exercício da política.
Mais importante ainda é que essa mobilização não fique restrita à Câmara e ao Senado, mas que reflita prioritariamente o desejo da sociedade brasileira, o desejo de quem hoje se expressa apenas por meio de cartas, de e-mails e de telefonemas. O exercício da política não comporta espectadores. Quem não faz política verá outros fazê-la em seu lugar, para o bem e para o mal. Leia mais>>
O Regime Militar de 64 é a muleta moral dos intelectuais — eles o acusam de todos os crimes para melhor acobertarem os próprios
“A revolução é biófila, é criadora de vida, ainda que, para criá-la, seja obrigada a deter vidas que proíbem a vida.”
Paulo Freire, em “Pedagogia do Oprimido”, defendendo os fuzilamentos sumários comandados por Che Guevara e Fidel Castro
JOSÉ MARIA E SILVA - Especial para o Jornal Opção
Com quantas vidas se faz uma ditadura? Na belíssima novela de John Boyne, “O Menino do Pijama Listrado”, essa pergunta é respondida pelo espanto de Bruno, um menino de nove anos. Sempre que ele se surpreende com o mundo do Fúria à sua volta, seus olhos se arregalam, sua boca faz o formato de um O e seus braços caem ao longo do corpo. A obra, uma elegia à inocência da vida que não sabe da morte, deveria ser lida — e meditada — pelos 3.949 intelectuais que, até agora, assinaram um manifesto contra a Folha de S. Paulo, repudiando o editorial “Limites a Chávez”, publicado em 17 de fevereiro último, no qual a ditadura militar brasileira é indiretamente chamada de “ditabranda”. “O Menino do Pijama Listrado” (o livro, não vi o filme) demonstra, metaforicamente, a abissal diferença entre um regime autoritário (circunscrito à esfera política) e um regime totalitário (que permeia todas as instâncias sociais).
As primeiras reações ao editorial da Folha partiram da socióloga Maria Victória Benevides, professora da Faculdade de Educação da USP, e do advogado Fábio Konder Comparato, professor aposentado pela mesma instituição. Esquecendo-se que a universidade que representam arrasta até hoje um cadáver insepulto (o do estudante de medicina morto num trote em 1999), Benevides e Comparato encenaram uma indignação que jamais sentiram diante das quase 100 mil mortes perpetradas pela Trindade Cubana (Fidel, Guevara e Raúl Castro) — 17 mil na boca dos fuzis, em execuções sumárias, e 80 mil nos dentes dos tubarões, em fuga para os Estados Unidos. Como a Folha de S. Paulo chamou a atenção para essa dúbia moral de Benevides e Comparato, lembrando que eles jamais protestaram contra a ditadura cubana, os dois intocáveis uspianos se sentiram feridos e, em resposta, fizeram o que os intelectuais de esquerda mais sabem fazer quando são pegos sem argumentos — conclamaram o rebanho para um manifesto.
O inefável Antonio Candido, decano dos intelectuais de esquerda, encabeça o repúdio à Folha, que também conta com figuras como o indefectível Emir Sader, intelectual que, diante de Che Guevara, cai de joelhos por terra, parafraseando a missa: “Guevara, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e serei salvo”. Quem duvida que Emir Sader é capaz dessa oração diante do guerrilheiro argentino, leia o que ele escreveu num artigo publicado em Carta Maior: “Não vou gastar palavras inúteis para falar do Che. Basta reproduzir algumas das suas frases, que selecionei para o livro ´Sem Perder a Ternura”. Também diante de Marx e Fidel, Sader emudece: “O que falar de Marx que permaneça à sua altura? O que escrever sobre Fidel?”
Se o ensino superior no Brasil, público e privado, não fosse mero aparelho ideológico da esquerda, Emir Sader jamais teria virado doutor em ciência política pela USP e professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro, além de orientador de teses e dissertações. Sem dúvida, estaria até hoje tentando passar no vestibular e sendo reprovado sempre, por não ter argumentos para retratar personagens da história. Que universidade isenta aceitaria um aluno que, ao ouvir falar de Marx, Guevara e Fidel, não fosse capaz de articular uma palavra e se comportasse feito os silvícolas do Anhanguera, embriagado pelo álcool incandescente da revolução? Já imaginaram se um intelectual de “direita” dissesse não ter palavras diante de Karl Popper? Seria acusado de ignorante e charlatão. Emir Sader é um paradigma da universidade brasileira. Ele é a prova cabal de que, por trás da cantilena de “produção do conhecimento”, o que há nos mestrados e doutorados do país é uma usina de produção de marxismo e derivados.
Estou plenamente convicto de que a universidade brasileira não é solução para nada — ela é parte essencial do problema. As principais mazelas do Brasil são fomentadas artificialmente pela universidade, que, desde a década de 50, na ânsia de criar um novo mundo, especializou-se em destruir o existente. Isso fica muito claro quando se estuda a origem social dos guerrilheiros que pegaram em armas contra o regime militar. Eles vieram, em sua maioria, das universidades. Não tinham o menor apoio popular. Como é que o povo podia apoiar um bando de tresloucados que, de arma em punho, pregavam a derrubada de uma ditadura imaginária? Porque até o final de 1968, com a edição do AI-5, só havia ditadura na imaginação dos universitários.
Foi exatamente durante os propalados “Anos de Chumbo” que o Brasil viveu uma das maiores efervescências culturais de sua história, com os festivais, a imprensa alternativa, a Tropicália, o Cinema Novo, Chico e Vandré, Caetano e Gil. Ao contrário de Cuba, onde Chico Buarque seria fuzilado ou condenado a 20 anos de prisão se falasse mal de Fidel Castro, no Brasil, o máximo que lhe aconteceu foi ser admoestado pelos militares, o que lhe garante até hoje uma conta bancária maior do que seu indiscutível talento. Num ambiente assim, existe alguma razão plausível para se pegar em arma ou até para se perpetrarem atentados terroristas, como fizeram muitos grupos guerrilheiros? Obviamente, não. Em toda guerra, os primeiros sacrificados são os inocentes, portanto, a opção pela luta armada para derrubar um regime só se justifica quando esse regime é sanguinário e opressivo, incidindo sobre toda a vida social e não apenas sobre a esfera política. Era o que acontecia na terra do Menino do Pijama Listrado, daí o Levante do Beco de Varsóvia, em 1943, quando judeus desesperados — não tendo senão uma morte horrenda como alternativa — preferiram abreviar a vida numa luta suicida contra as tropas nazistas.
Mas esse não era o caso do Brasil dos militares. Aqui, os guerrilheiros eram homens e mulheres bem nascidos que, por puro espírito de aventura, jogavam fora o futuro como médicos, engenheiros e advogados e se arvoraram a libertadores da pátria, sem notar que a maioria esmagadora da população — provavelmente mais de 90 por cento — não se sentia oprimida nem pedia para ser libertada. Pelo contrário, o regime instalado em 1964 teve forte apoio popular e quando começou a ser repudiado nas urnas, em 1974, com a expressiva vitória do velho MDB, esse repúdio era mais de caráter econômico que político. A inflação estava recomeçando e os pobres votaram contra a “carestia”, que é como chamavam a inflação na época.
Já escrevi repetidas vezes, mas a ocasião me obriga a escrever de novo: quem acha que no Brasil houve uma ditadura sanguinária, totalitária, nos moldes nazistas (é essa a visão que se tem dos militares nas escolas) deve ler “Pedagogia do Oprimido”, o panfleto de auto-ajuda marxista do pedagogo Paulo Freire. Esse livro — que faz uma defesa explícita da luta armada e santifica Che Guevara, Fidel Castro e Mao Tsé-tung — foi publicado em pleno ano de 1970, no Rio de Janeiro, pela Editora Paz e Terra, ligada aos padres da Teologia da Libertação. Em 1981, “Pedagogia do Oprimido” já estava na 10ª edição. Um verdadeiro best-seller, levando em conta que não é um livro comercial e o Brasil tinha muito menos estudantes universitários do que tem hoje. Ora, se o regime militar foi o período “mais sombrio da nossa história”, como dizem os intelectuais de esquerda, como se explica o sucesso editorial de uma obra que o combatia? Em Havana seria possível publicar um livro do gênero contra Fidel Castro, o santo fardado de Buarques e Sáderes?
Mas nem é preciso recorrer à ditadura cubana para demonstrar que os intelectuais brasileiros mentem descaradamente quando dizem que o regime militar de 64 foi uma ditadura sanguinária. A própria história recente do Brasil — contada mentirosamente por eles — mostra a contradição em que incorrem. É só comparar a “Revolução de 30” com a “Ditadura Militar” (ponho as expressões entre aspas para remeter ao modo como os dois períodos costumam ser chamados nos livros de história). Qual a diferença entre os dois períodos? A rigor, nenhuma. Salvo o fato de que Getúlio Vargas era um ditador civil, obviamente apoiado por militares, porque toda ditadura precisa de armas.
Sob o ponto de vista da repressão, Vargas foi muito pior do que os militares. O seu período, sim, foi literalmente “anos de chumbo”. Enquanto os militares procuraram preservar as instituições, garantindo eleições legislativas e a independência do Judiciário, Vargas centralizou todos os poderes em suas mãos, destituindo governadores e nomeando interventores em seu lugar. São Paulo se rebelou, na chamada Revolução Constitucionalista de 32, e Vargas bombardeou o Estado — o episódio mais sangrento da história brasileira no século passado, apesar de ofuscado pela preferência dos intelectuais pela Guerrilha do Araguaia. Todavia, mesmo quem não pegava em armas, não ficava ileso. O escritor Graciliano Ramos, individualista nato, incapaz de arregimentar qualquer movimento político, acabou sendo preso durante quase um ano, num presídio comum, sem julgamento. Seu único crime: escrever o romance “São Bernardo”, entre outros escritos tidos como comunistas. Bem que merecia, mas não teve indenização alguma pelo arbítrio de que foi vítima. Ao contrário dos fanfarrões que pegaram em armas contra os militares, o Velho Graça tinha vergonha na cara.
Se a sanguinária ditadura de Getúlio Vargas merece, nos livros de história, o epíteto de “Revolução de 30” (justificadamente, por sinal), por que os governos militares não podem ser chamados de “Revolução de 64”, levando em conta que também mudaram a face do Brasil? Vargas já era ditador desde o início de seu governo, antes mesmo da implantação do Estado Novo, em 1937, quando a tresloucada Intentona Comunista de 35 levou ao recrudescimento do regime. Já os militares só foram verdadeiramente ditadores a partir de 12 de dezembro de 1968, quando editaram o AI-5, obrigados pelos atos de terror da esquerda armada, treinada e financiada por Fidel Castro e abençoada por intelectuais como Paulo Freire. Mesmo assim, foi uma ditadura cirúrgica, circunscrita aos inimigos declarados do regime. Tanto que não chegou a matar nem 500 pessoas, como reconhecem os próprios autores de esquerda nos balanços que fizeram do período. As vítimas inocentes, em sua maioria, tombaram por terem sido usadas como escudo pelos adversários do regime.
Um dos argumentos de Maria Victoria Benevides para criticar o editorial da Folha é que não se mede ditadura com estatísticas: “Quando se trata de violação de direitos humanos, a medida é uma só: a dignidade de cada um e de todos, sem comparar ´importâncias´ e estatísticas”. Em artigo publicado, na terça-feira, 24, o jornalista Fernando de Barros e Silva, editor de “Brasil” da Folha, corrobora a tese da socióloga: “Algumas matam mais, outras menos, mas toda ditadura é igualmente repugnante. Devemos agora contar cadáveres para medir níveis de afabilidade ou criar algum ranking entre regimes bárbaros?” Claro que devemos — respondo eu. Todo crime só se iguala em repugnância para aquele que é sua vítima, mas para quem o analisa de fora, especialmente se esse alguém for um historiador, há uma enorme diferença entre matar 100 pessoas ou matar 100 mil. Se Hitler tivesse matado apenas uma centena de judeus, o nazismo seria a encarnação do mal no imaginário do mundo contemporâneo?
Só não vê que ditadura também se mede com estatísticas aqueles que têm medo dos números. Ao ver que nenhuma ditadura capitalista até hoje conseguiu igualar os mais de 100 milhões de mortos do comunismo no mundo, a esquerda inventou esse argumento falacioso de que uma só morte perpetrada por uma ditadura diminui toda a humanidade, como se o homem-massa da revolução marxista tivesse lugar na poesia metafísica de John Donne. Justamente a esquerda, que não faz conta do individuo de carne e osso, só da massa de manobra da revolução. O regime militar não apenas matou muito menos gente do que outros regimes autoritários — também foi capaz de criar um modelo de ditadura que deveria ser exportado. Toda ditadura costuma ser encarnada por um homem só, que se torna escravo do poder que concentra, perdendo inclusive os freios morais. Daí a profusão de ditadores sádicos, pessoalmente sedentos de sangue humano.
No Brasil isso não ocorreu. Os militares criaram uma espécie de ditadura institucional, em que o poder não era encarnado por nenhum homem, mas pela instituição — as Forças Armadas. Nem o princípio federativo foi quebrado num primeiro momento, como ocorreu de imediato com a ditadura de Getúlio Vargas. Antes do recrudescimento da luta armada, ainda houve eleição para governadores e, mesmo depois que elas foram suspensas, o legislativo continuou funcionando. Essa quase normalidade institucional propiciou até o surgimento e fortalecimento de uma oposição que jamais houvera em toda a história do Brasil — a oposição institucional, criada e mantida pelas próprias entranhas do Estado.
Boa parte do chamado movimento social — que hoje alimenta o PT e demais partidos de esquerda — começou a ser construído graças a esse processo de institucionalização do país gestado pelos militares. Começando pelas próprias universidades federais — cobras a quem os militares deram asas. A Reforma Universitária feita pelos militares em 1968 profissionalizou o ensino superior no país, instituindo antigas reivindicações da própria comunidade acadêmica, como dedicação exclusiva de docentes, introdução de vestibular unificado e implantação de mestrados e doutorados. Valendo-se dessa estrutura, os intelectuais de esquerda se infiltraram nas universidades e, a partir delas, forjaram em todo o país um movimento social de proveta, destinado não a resolver problemas, mas a fomentá-los.
Um exemplo são os quase 50 mil homicídios que ocorrem anualmente no país. Eles decorrem, em grande parte, da irresponsabilidade doentia dos intelectuais brasileiros, que, à força de pressionar o Congresso Nacional, levaram à completa lassidão das leis penais, hoje irreversível, já que a mentalidade pueril da esquerda parece ter contaminado até os ministros do Supremo. Não é a toa que o ministro Gilmar Mendes deixa entrever que, a qualquer momento, pode soltar nas ruas 189 mil dos cerca de 440 mil presos do país, muitos deles homicidas e estupradores. Aí, sim, teremos um verdadeiro genocídio da população indefesa, em parte porque a esquerda, com o objetivo de demonizar os militares, transformaram o falacioso conceito de direitos humanos num dogma divino. Como se vê, a criminalização paranóica dos militares só atende a um objetivo — esconder que os intelectuais de esquerda forjaram um país muito pior que o deles.
O Notalatina apresenta com exclusividade, o áudio de uma entrevista que Alejandro Peña Esclusa deu por telefone ao informativo on line, “Noticias de Todo un Poco”, com duração de pouco mais de 46 minutos. Alejandro está em Washington desde o fim da semana passada, onde foi participar de um encontro na Heritage Foundation, além de outros encontros com políticos e intelectuais conservadores, e de fazer o lançamento do seu livro “O Foro de São Paulo contra Álvaro Uribe” que brevemente será lançado também no Brasil, cuja tradução me coube a honra de fazê-la.
Um leitor postou uma mensagem perguntando se eu não iria comentar a entrevista do boxeador cubano à rede Globo e eu digo que não tenho muito mais a dizer, uma vez que isto já foi divulgado em vários lugares e as opiniões parecem ser coincidentes. Para se sobreviver em Cuba é preciso ser ator, farsante, mentiroso e às vezes até ladrão; tudo isto por uma questão de vida ou morte. É possível que ele tenha falado com Lula, como também é possível que isto seja apenas mais uma jogada de sobrevivência. Não dá para saber, não tenho muitos dados para fazer um julgamento, pois seria apenas especulação e por isso não comentei aqui. Com o tempo as coisas vão aparecendo e a verdade virá a tona, pois a vida segue seu curso naturalmente.
A propósito dos comentários postados, há alguns tão estúpidos e primários que até me envergonham, mas não vou comentá-los aqui porque o Notalatina não é o local apropriado para depósito de excrementos. A seguir há um comentário de Alejandro Peña Esclusa sobre a entrevista que apresentamos abaixo, e que espero sirva para se ter um pouco mais de compreensão acerca do que está se passando atualmente na Venezuela, dito por uma fonte fidedigna. Fiquem com Deus e até a próxima!
Comentários e tradução: G. Salgueiro
Presidente de UnoAmérica em Washington
“É difícil que Chávez chegue a 2012”
Caracas, 3 de março – O presidente de UnoAmérica, Alejandro Peña Esclusa, encontra-se de visita a Washington para apresentar seu novo livro The Sao Paulo Forum: A Threat to Freedom in Latin America e para manter reuniões com diversas instituições, dirigentes políticos, analistas, comunicadores e estudantes universitários.
Nas entrevistas concedidas aos meios de comunicação norte-americanos e nas reuniões realizadas, Peña Esclusa explicou os alcances de UnoAmérica, plataforma de ONGs latino-americanas que se opõem ao Foro de São Paulo. Também advertiu sobre o perigo que significa para as democracias ocidentais a aliança entre o Socialismo do Século XXI e o fundamentalismo islâmico.
A seguir, se anexa o áudio da entrevista radial que Flor Arriaga e Ana Mercedes Díaz fizeram a Peña Esclusa, onde este faz um resumo de sua visita, realiza um diagnóstico da situação continental e propõe soluções para a crise política e econômica que a região vive.
Além disso, Peña Esclusa explica porquê o governo de Chávez dificilmente chegará a 2012; qual será a estratégia do governo venezuelano frente à crise financeira mundial; quais foram as falhas dos partidos políticos; quais são as limitações dos meios de comunicação venezuelanos; e, finalmente, propõe uma estratégia nova e realizável à oposição venezuelana.
Carlos Ilich Santos Azambuja
Historiador, Fundador do FDR
Os jornais de 28 de fevereiro de 2009 anunciaram que a Comissão de Anistia indenizou ontem 16 estudantes e funcionários de Universidades expulsos durante a ditadura militar. As reparações somam cerca de 2.879 milhões.
Em 2004, 25 anos depois de aprovada a Anistia, só em atrasados, por conta da Anistia aos presos, banidos e perseguidos políticos, as indenizações alcançam a cifra de 1,44 bilhão nos 5.540 processos já aprovados pela Comissão de Anistia, que continua trabalhando a todo o vapor. Até no carnaval...
O historiador Daniel Aarão Reis Filho da UFF recebeu uma indenização de R$ 4 800.391,35 por ter sido expulso da Faculdade de Direito da UFRJ e, banido do país, perdeu seu cargo no TST.
Não é verdade. A verdade é que, a partir do seqüestro do embaixador dos EUA no Brasil, que deu à luz o MR8, organização à qual Daniel Aarão Reis pertencia, ele optou por entrar na clandestinidade participando de várias ações armadas, entre as quais o roubo de armamento do sentinela do Hospital Central de Aeronáutica, deixando evidentemente de comparecer à Faculdade e ao trabalho no TST.
Em 1970, foi preso e banido do país, para a Argélia, em troca da liberdade do embaixador da então Alemanha Ocidental, seqüestrado por um grupo da Ação Libertadora Nacional e pela Vanguarda Popular Revolucionária. Por ocasião de sua prisão, um fato inusitado: foi apreendido entre seus pertences um croquis de um apartamento na rua Souza Lima, no Flamengo, RJ, apartamento onde residia seu tio Almirante de Esquadra Levi Pena Aarão Reis, então Chefe do Estado-Maior da Armada.
No exterior, em 70/71, recebeu treinamento de guerrilha em Cuba, sob o codinome de “Faustino”. Quando da deposição de Salvador Allende, no Chile, em setembro de 1973, foram apreendidos com brasileiros detidos, papéis que davam conta de uma viagem sua à Coréia do Norte, com um grupo de companheiros.
Hoje, Daniel Aarão Reis Filho é professor de História Contemporânea na UFF e autor das seguintes análises sobre o movimento em que se envolveu nos anos 60 e 70 do século passado: "As esquerdas radicais se lançaram na luta contra a ditadura, não porque a gente queria uma democracia, mas para instaurar o socialismo no país por meio de uma ditadura revolucionária, como existia na China e em Cuba. Mas, evidentemente, elas falavam em resistência, palavra muito mais simpática, mobilizadora, aglutinadora. Isso é um ensinamento que vem dos clássicos sobre a guerra. (...) Falava-se em cortar cabeças, essas palavras não eram metáforas. Se as esquerdas tomassem o poder, haveria, provavelmente, a resistência das direitas e poderia acontecer um confronto de grandes proporções no Brasil. Pior, haveria o que há sempre nesses processos e no coroamento deles: fuzilamento e cabeças cortadas” (O Globo, 29 de março de 2004).
“Assim, antes da radicalização da ditadura, em 1968, e antes mesmo de sua própria instauração, em 1964, estava no ar um projeto revolucionário ofensivo. Os dissidentes se estilhaçariam em torno de encaminhamentos concretos (...). Aprisionados por seus mitos, que não autorizavam recuos, insensíveis aos humores e pendores de um povo que autoritariamente julgavam representar, empolgados por um apocalipse que não existia senão em suas mentes, julgavam-se numa revolução que não vinha, que, afinal, não veio, e que não viria mesmo” (artigo “Esse Imprevisível Passado”, na revista Teoria e Debate” de jul;ago;set de 1995, editada pelo PT).
BRASÍLIA - O Exército ?escalou? três generais às vésperas da aposentadoria para atacar e mostrar a insatisfação da Força com a Estratégia Nacional de Defesa. Na reunião do alto comando, hoje, eles apresentarão três documentos com críticas ao plano elaborado pelos ministros da Defesa, Nelson Jobim, e de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger. Nos textos, obtidos pelo Estado, os militares se queixam da ?politização? em curso na pasta e alertam contra o projeto de centralização de compras de armamentos, mais permeável, segundo avaliam, a casos de corrupção.
Os documentos foram elaborados pelos generais Luiz Cesário da Silveira Filho, ex-comandante Militar do Leste, Paulo César de Castro, chefe do Departamento de Ensino e Cultura do Exército, e Maynard Marques de Santa Rosa, chefe do Departamento Geral de Pessoal. Segundo os generais, as Forças Armadas não foram ouvidas na elaboração do plano. Um dos documentos diz que a implementação do projeto ?ocasionará danos de difícil reparação, os quais poderão redundar em significativo comprometimento do sistema de defesa nacional?.
Outro trecho classifica o plano de defesa como ?documento de cunho político, sem respaldo em ideias de consenso nacional e sem uma solução para o principal problema da Defesa: orçamento incompatível com as necessidades de custeio das instituições e de investimento para a modernização dos seus sistemas de armas?. Ainda segundo esses três documentos, algumas medidas são ?utópicas? e outras, ?inexequíveis?, já que ?poderão trazer consequências negativas para o futuro das instituições militares?. Os autores avisam não ter a intenção de promover uma rebelião, cooptando os demais integrantes do Alto Comando do Exército contra o ministro da Defesa. Silveira Filho e Castro vão para a reserva no final do mês. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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Revista O Cruzeiro publicou em 1964 o que TODA A MÍDIA ATUAL, AS UNIVERSIDADES e a "INTELEQUITUALIDADE" BRASILEIRA tenta esconder: a situação do Brasil pré-1964
FATOS: Revista O Cruzeiro e o MOVIMENTO CÍVICO-PATRIÓTICO DE 1964
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