Assine nosso Feed e fique por dentro das atualizações

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

O disparate do cardeal

Mídia Sem Máscara

A proposta inicial deste mostra que um alto prelado da Igreja católica em algum momento acreditou que o atual governo poderia dar um salto para trás em matéria de segurança. Que após uma atrocidade o mais adequado era fazer um gesto de capitulação. Isso é inquietante.

A proposta do cardeal Darío Castrillón tem um sabor estranho. Tem algo de déjà vu. Sua proposta sai do fundo dos tempos. Ao menos da época anti-diluviana em que a Segurança Democrática não havia sido inventada, quando os governos colombianos e a flora e a fauna do chamado "processo de paz" só tinham na boca palavras como "anistia", "negociação", "encontro", "diálogo", cada vez que as FARC e os outros bandos terroristas cometiam suas atrocidades habituais. Tinha que premiá-las cada vez que assassinavam, para ver se se aplacavam.

Assim, essa gente programou encontros em cidades estrangeiras. Panamá, México, São José da Costa Rica viram o desfile desses anjinhos. Houve encontros para "salvar a paz" em Caracas, Tlaxcala e Mainz. A esta cidade alemã foram batalhões de magistrados, religiosos e jornalistas representando a "sociedade civil", pois o ELN havia vetado lá a presença do governo de Ernesto Samper. Todos eles acreditavam que a paz estava na virada da esquina. Eu vi alguns desses "delegados" em Paris. Estavam convencidos de que "desta vez" haveria paz, sim. Depois veio a época não menos nefanda da zona desmilitarizada de Andrés Pastrana, a qual incluiu até um périplo pela Europa, em fevereiro de 2000, para sete dessas eminências (alguns que continuam ainda hoje ordenando matanças), que foram escoltados por Víctor Ricardo, alto comissariado da paz.

Álvaro Leyva Duran, grande mentor nessa época dos diálogos Pastrana-Tirofijo, desta vez não propôs que o governo do presidente Uribe frete um avião para levar Alfonso Cano e outros "comandantes", com salvo-condutos que lhes abram todos os aeroportos da Europa ao diálogo com o cardeal Castrillón em Roma.

Após o vil seqüestro e assassinato de Luis Francisco Cuéllar, governador de Caquetá, tinham que premiar Alfonso Cano e Milton Toncel com outra viagem a Roma ou Paris? Por sorte o governo respondeu à iniciativa do cardeal com uma condição. César Mauricio Velásquez, secretario de imprensa da Casa de Nariño, declarou que esse diálogo "só será possível quando as FARC façam uma parada em suas atividades de guerra", pois o Governo "não pode oferecer o diálogo quando a única coisa que eles oferecem é morte". Para que esse encontro se realize, reiterou Velásquez, as FARC "devem decretar uma parada de atividades criminais".

Como as FARC não renunciam à sua ação criminal, não haverá encontro. Em princípio. Pois a idéia parece que continua no ar. Iván Cepeda, braço direito da senadora Piedad Córdoba, disse à RCN que ainda falta saber qual será a resposta de Alfonso Cano à iniciativa do cardeal Castrillón. Portanto, a coisa não está descartada. Do mesmo modo, Cepeda disse que a libertação de Pablo Emilio Moncayo e Josué Calvo, e a entrega dos restos do major Julián Guevara, morto em poder das FARC, dependia agora, não só das gestões em curso como do problema das bases militares. Além disso, segundo esse ativista, o resgate dos outros 22 seqüestrados militares e policiais, dos quais não se fala agora, depende de que se inicie "o processo de intercâmbio humanitário".

Antes do assassinato do governador Cuéllar, o governo havia aceitado as exigências das FARC para libertar Moncayo e Calvo. Agora as FARC põem novas dificuldades. Por isso a resposta de Uribe: "Além de ladrões, bufões!", e a ordem de tentar o resgate militar de todos eles. Porém, nada sobre o que propõe o cardeal Castrillón.

A proposta inicial deste mostra que um alto prelado da Igreja católica em algum momento acreditou que o atual governo poderia dar um salto para trás em matéria de segurança. Que após uma atrocidade o mais adequado era fazer um gesto de capitulação. Isso é inquietante. Esse chamado do cardeal foi um balão de ensaio? Para ver quais candidatos e quais setores se agarravam a isso?

O estranho episódio do cardeal Castrillón mostra, em todo caso, que algumas personalidades, que deveriam ser prudentes no que dizem pelas conseqüências políticas que suas palavras possuem, esqueçam às vezes quem são e o que têm sido as FARC.

Tradução: Graça Salgueiro

O paradoxo de Tocqueville

Mídia Sem Máscara

Alexis de Tocqueville (1805-1859): a democracia não sobrevive sem uma boa política económica e uma ética de serviço público.

Alexis de Toqueville, para além de brilhante pensador político e teórico da democracia, foi um homem de viagens. Um viajante que sabia comparar e retirar lições das realidades (sociais, antropológicas) que entretanto descobria. O notável escritor francês observava as instituições políticas e os homens, analisando os costumes e o ethos dominante em cada sociedade. Nada escapava ao seu olhar arguto. Tocqueville, à semelhança de Montesquieu ou de Alain Peyrefitte, é um mestre da Filosofia Social.

Há uns anos atrás, numa conferência em Lisboa, que reuniu aliás nomes sonantes da Europa e dos Estados Unidos, tive a felicidade de receber, das mãos de um dos oradores[i], filósofo político da mais fina estampa, uma prenda inolvidável: um exemplar de um estudo elaborado por Tocqueville em 1835, praticamente desconhecido em Cabo Verde. Tratava-se do "Ensaio sobre a pobreza", uma comunicação lida na Academia de Cherbourg após uma curta viagem à Inglaterra. A actualidade desse documento é, todavia, impressionante!

Tocqueville, comparando a situação social de Portugal e Espanha com a da Inglaterra do séc. XIX, notou algo extraordinário: o número de indigentes era superior neste último país, o mais rico da Europa naqueles dias, mercê dos progressos resultantes da Revolução Industrial. O "paradoxo" era curioso. E intrigante. A nação mais rica tinha o maior número de indigentes (les misérables, diria Victor Hugo). Como era possível?! Havia causas conjunturais. O conflito entre Henrique VIII e o papado era uma delas. Levou ao encerramento de conventos em toda a Inglaterra, agudizando, deste modo, o fenómeno da carestia e, em geral, da miséria. Já não se podia contar com a filantrópica acção da Igreja romana e das suas instituições de caridade.

Durante a era de Elisabete I (1533-1606), foi criado um programa público de assistência aos indigentes, com a promulgação subsequente das famosas Poor Laws. Tocqueville estudou cuidadosamente os registos das "paróquias" (municípios) e leu os relatórios oficiais sobre a pobreza. Descobriu um princípio fulcral, hoje retomado por estudiosos como Amartya Sen e Thomas Sowell: a relatividade da pobreza. A sua descrição do fenómeno, no Mémoire sur le paupérisme, é de uma subtileza contagiante:

"Basta cruzar o interior da Inglaterra para pensar que fomos transportados a um Éden da civilização moderna - estradas magnificamente conservadas, casas novas e limpas, gado bem alimentado a pastar em campos ricos, agricultores fortes e saudáveis, com uma quantidade de riqueza mais espantosa do que em qualquer país do mundo - e, para suprir as necessidades mais mundanas, existe um padrão de vida mais refinado e gracioso do que em qualquer outro lugar. Há uma preocupação constante com o bem-estar e com o lazer, uma impressão de prosperidade geral que parece fazer parte do próprio ar que lá respiramos. A cada passo dado em território inglês, encontra-se algo capaz de fazer o coração do turista ficar exultante. Agora, observemos com mais atenção as vilas: examinemos os registos das paróquias, e iremos descobrir, com indescritível espanto, que um sexto dos habitantes deste reino florescente vive às custas da caridade pública.

Mas, se voltarmos à Espanha ou até mesmo a Portugal, teremos uma visão totalmente diferente. Veremos em cada canto uma população ignorante e rude, mal alimentada, mal vestida e vivendo no meio de uma zona rural cultivada pela metade e em habitações miseráveis. Em Portugal, no entanto, o número de indigentes é insignificante. M. de Villeneuve estima que este reino contém um indigente para cada vinte e cinco habitantes. Antes disso, o famoso geógrafo Balbi nos deu a estimativa de um indigente para cada noventa e oito habitantes".

O contraste, como se vê, era significativo. Na França, o mesmo fenómeno se repetia: os departamentos mais ricos tinham uma parcela maior da população dependente da caridade pública.

Os críticos da globalização e, em geral, do liberalismo económico teriam, aqui, uma poderosa confirmação do seu velho estribilho: "os ricos ficando mais ricos e os pobres cada vez mais pobres". O problema, como bem assinalou Mário Guerreiro, um estudioso brasileiro, é que a estratificação social em Portugal, no período abarcado pelo estudo de Tocqueville, era semelhante à dos países socialistas totalitários (ex-União Soviética, Cuba, Coreia do Norte, etc.). O número de indigentes era insignificante, mas a imensa maioria da população vivia numa pobreza sufocante. Não se nota(va)m muitos contrastes, porque todos eram/são igualmente pobres, exceptuando os privilegiados da Nomenklatura estatal.

Nos países ocidentais mais ricos, as elites exigiram a intervenção do Estado para "corrigir" os supostos males do mercado livre. Houve um crescimento desmesurado do chamado "Estado de bem-estar", mas os resultados não foram particularmente agradáveis. Os países nórdicos (Suécia, Dinamarca, Noruega) são apontados como "modelos" a seguir, por terem conciliado, dizem alguns, o mercado com a solidariedade. Eis o famoso Estado "com rosto humano"...

Este argumento é interessante, mas absolutamente falso.

Os países nórdicos ficaram ricos por causa da liberdade económica e não por causa da intervenção estatal. O Estado "inchou", é certo, nos meados do séc. XX, mas foi obrigado a reformar as suas estruturas (processo de privatização, que abrangeu até os serviços de saúde), porque já não havia dinheiro para alimentar um exército crescente de dependentes da segurança social. O "Estado-providência", como observara alguém, achou-se, afinal, imprevidente e demagogo. O "modelo escandinavo", tão elogiado pelos apóstolos[ii] da justiça social, simplesmente não existe. É apenas um mito. Nonsense upon stilts.

Veja-se o grau da liberdade económica vigente na Finlândia ou na Suécia (basta consultar os relatórios da Heritage Foundation).

No próximo artigo, iremos discutir algumas ideias de Tocqueville, constantes do tal "Ensaio" (Mémoire sur le paupérisme). Algumas são insights fabulosos, mas há também pontos fracos que merecem ser realçados. Tocqueville não compreendeu, por exemplo, a importância do industrialismo para a democracia e para a resolução possível do problema da pobreza.

____________________

Notas:

[i] Refiro-me ao ilustre pensador e diplomata brasileiro, José Osvaldo de Meira Penna.

[ii] Ver a nota confusa de Mário Soares, ex-Presidente de Portugal, acerca do "modelo" político escandinavo, neste link: http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1457643&ampseccao=M%E1rio Soares&amptag=Opini%E3o

Na visão paradisíaca (leia-se: romântica!) do dr. Soares, a social-democracia consiste, "Fundamentalmente, em pôr acento tónico na dignidade do trabalho, na justiça social (pleno emprego, serviços de saúde gratuitos, pensões sociais, educação para todos, etc.), na luta contra o desemprego e o trabalho precário, na redução das desigualdades sociais, na erradicação da pobreza e na regulamentação do mercado de trabalho (feita pelos Estados nacionais e, na Europa, imposta pela União). Na globalização, que terá de ser igualmente regulada, por princípios éticos e valores, no âmbito e por intervenção das Nações Unidas".

E continua, repetindo o argumentário de Al Gore quanto ao "aquecimento" global!"

Década perdida

Mídia Sem Máscara

Livro? Bem, fico com o Quixote, de Cervantes. Alguém dirá que não é da década. É, sim, é um livro para todo o século XXI, como ensinou Vargas Llosa. Se não é o livro para a multidão, é para mim.

"Ainda que eu caminhe por um vale tenebroso,
nenhum mal temerei, pois estás junto de mim;
teu bastão e teu cajado me deixam tranqüilo
".
Salmo 23

Tempo de balanço, fim de década, fim de um ciclo. Para mim uma década perdida, no sentido material, mas no sentido espiritual muito ao contrário. Se nos anos noventa conheci o meu zênite, posso dizer que no último decênio conheci o meu ocaso, o meu nadir. Mergulhei no abismo, como Nietzsche narrou de seu Zaratustra, depois de dez anos gloriosos. Tive que olhar nos olhos o lado escuro da força e carregar um cadáver às costas para enterrar em um oco de árvore qualquer, o meu próprio. Pelos vales tenebrosos caminhei. Um cão medonho me fez companhia, que nenhum passeio no Tártaro se pode fazer sem que o Cão nos mande o seu representante.

Paradoxalmente, me elevei ao fazer o meu mergulho no vale das sombras. Para começo de conversa, jamais perdi a conexão com Deus e sempre e sempre o sangue vertido por Nosso Senhor Jesus Cristo me protegeu, assim como o manto sagrado de Maria. Não julgue, caro leitor, que isso é mera retórica. É um fato. E eu nada fiz para ter a dádiva, diga-se, foi-me dada pela graça de Deus, que eu nada mereço. Quis o bom Deus que eu sobrevivesse a tudo, apesar de tudo. Para falar nos termos poéticos de Bob Dylan, bati nas portas do céu, tendo antes descido aos infernos. Uma experiência e tanto para se contar, embora possa parecer a um incrédulo uma história literária. Quem me dera! Deixei no caminho as dores e as lascas do meu couro, que endureceu com as cicatrizes. Só espero que no período que agora se abre eu possa novamente trilhar, como Dante, o caminho da elevação e que, ao final, possa de novo voltar-me para a Luz. Beatriz já está comigo, com outro nome, doce nome. Dez anos de mergulho na floresta escura é o bastante para mim.

Aprender é sobreviver de forma consciente. Não se aprende, a não ser por puro impulso pavloviano (que não é verdadeiro aprendizado), se não sabemos de onde vem a dor e porque ela vem. Eu sei da minha dor porque sei como gira a minha Roda da Fortuna. "Mãe, guarde esses revólveres para mim", poderia eu dizer para minha mãe, se ela fosse viva. Estou cansado de guerra e de derrotas. Mas não estou cansado nem da vida e nem do bom combate. "Mãe! Tire o distintivo de mim". Bem sei que ela não pode fazê-lo, porque o tempo de maiores combates virá, na verdade já chegou. O distintivo é feito tatuagem, irremovível. Precisei primeiro enfrentar o dragão interior para emergir e se o bom Deus quis assim é porque outros combates, agora no mundo exterior, terei eu que combater. (Ouço a voz fanhosa de Bob Dylan, batendo na porta do céu).

Filme da década? Claro, a trilogia Matrix, de longe o grande filme. Certo que temos a obra de Clint Eastwood e outros grandes, mas nada se compara à aventura de Neo. Seriado? Roma, da HBO, sem dúvida. A mais perfeita reprodução de César já feita. O personagem Voreno encarna o guerreiro romano como sempre imaginei. Livro? Bem, fico com o Quixote, de Cervantes. Alguém dirá que não é da década. É, sim, é um livro para todo o século XXI, como ensinou Vargas Llosa. Se não é o livro para a multidão, é para mim. Junto com o livro de Guimarães Rosa, Grande Sertão, Veredas. Reli-o muitas vezes. Estão ali as minhas raízes, o meu pai, a minha mãe, eu mesmo. Toda a minha aventura, a minha alma brasileira. É o grande romance brasileiro, que honra Cervantes. Elejo-os.

No cinema brasileiro tenho que citar Tropa de Elite. Capitão Nascimento é o novo capitão do mato, o novo bandeirante que dormita em cada um de nós que está ansioso por restabelecer a ordem perdida para a malta niilista que tomou o poder. Bela história, grande atuação de Wagner Moura. Na crônica, João Ubaldo Ribeiro. Sem seu humor dominical eu teria ficado mais triste e infeliz. Sem seus ricos personagens da Ilha de Itaparica a política medonha dos podres poderes teria ficado impune. João Ubaldo vinga-nos a todos nós com a sua fina ironia, sua implacável elegância.

Que se vá logo esse tempo sombrio dominado pelas massas e pelos idiotas por elas eleitos, como o apedeuta Lula. Que se vá logo! Não vejo a hora de raiar o Ano Novo, um grande dia. Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Do despreparo politiqueiro de Silva Luján

Mídia Sem Máscara

Há alguns anos, quem vazasse um documento destes para os meios de comunicação ou ao potencial adversário, que neste momento é o megalômano governante venezuelano, era submetido a conselho verbal de guerra por traição à Pátria ou por fornecer informação ao inimigo.

Em que pese em ser bisonho e nitidamente desconhecedor do cargo, da função e dos conteúdos de Segurança e Defesa Nacional, o senhor Silva Luján destila muita arrogância convencido de que vai se tornar uma celebridade, produto do mesmo estilo politiqueiro e oportunista com fins eleitoreiros, legado no Ministério da Defesa por Rafael Pardo, Martha Lucía Ramírez e Juan Manuel Santos.

A mais recente pisada em falso do ministro Silva Luján foi o desnecessário vazamento para a imprensa de um documento de segurança nacional que, de acordo com as normas e protocolos de contra-inteligência e segurança militar, tem classificação de ULTRA-SECRETO, quer dizer, que só podem ter acesso a ele o presidente da República, o ministro da Defesa e os comandos militares comprometidos com sua execução, ou alguma comissão acidental do Congresso que esteja investigando algo a respeito.

Há alguns anos, quem vazasse um documento destes para os meios de comunicação ou ao potencial adversário, que neste momento é o megalômano governante venezuelano, era submetido a conselho verbal de guerra por traição à Pátria ou por fornecer informação ao inimigo. Porém, como diz o adágio popular: "aqui não acontece nada...".

Com fins politiqueiros e egocentrismo populista, Santos publicou por meio de um amigo todos os pormenores da Operação Xeque. Romperam-se assim os códigos de segurança militar, colocou-se no pelourinho público os que executaram a operação e advertiu-se às FARC e seus sócios Lula, Chávez, Correa, Ortega e demais bandidos de colarinho branco, sobre qual é o modus opernandi das Forças Militares e qual é a forma do planejamento estratégico para as operações militares na Colômbia.

Desconhecedor absoluto dos protocolos de Estado-Maior, Contra-inteligência, Guerra Psicológica, etc., o senhor Silva Luján, impregnado de uma soberba e auto-suficiência meridianas, permitiu ou facilitou por inação, o vazamento de um documento-chave para a readequação do potencial bélico com o propósito de garantir a segurança nacional, ante a iminente agressão armada dos comunistas contra a Colômbia.

Sem dúvida, com este documento na mão o boquirroto inquilino do Palácio de Miraflores em Caracas terá mais argumentos para justificar a preparação de um ataque contra a Colômbia, e a busca de legitimar as FARC com status de beligerância sem rótulo de terroristas, propósito que é compartilhado pelo Partido Comunista Colombiano, o setor dos "comunistas chiques" do Polo Democrático, os "Colombianos pela Paz" que militam nas FARC mas que aparecem como pacifistas ante os olhos do mundo, e uns quantos idiotas funcionais como César Gaviria, Pardo Rueda, Daniel Samper, Mauricio Vargas e outros mais, que por estar pensando em tirar Uribe do caminho abrem as comportas para que as FARC e seus propagandistas agridam a Colômbia.

Ministro Silva, para que o senhor não caia no erro de seus antecessores (sem exceção) desde 1991 até esta data, e que entraram no cargo sem diferenciar um cabo de um general e saíram do mesmo sem entender muito de segurança e defesa nacional, sugerimos que comece a ler e estudar o livro intitulado "In Retrospect", escrito por Roberto Mc Namara que, para seu conhecimento, de gerente da Ford passou a ocupar a pasta de Guerra dos Estados Unidos durante a época do Vietnã.

As confissões auto-críticas de Mc Namara serviriam ao senhor para que reflita, aterrisse, localize seus objetivos e entenda que o fato de ser gerente de um grêmio econômico não o converte nem em sabe-tudo, nem em expert em temas dos quais, pela lógica, o senhor é ignorante ou novato.

Em segundo lugar, leia, analise e entenda qual é o Plano Estratégico das FARC, leia todos os correios eletrônicos dos computadores de Raúl Reyes, consulte o livro "Cese al Fuego" escrito por Jacobo Arenas, faça uma análise pontual dos falidos processos de paz de diferentes governos com os grupos terroristas na Colômbia, avalie o que é que o Foro de São Paulo pretende e qual é o objetivo final, tanto do Movimento Continental Bolivariano quanto o dos mal chamados "Colombianos pela Paz". Porém, além disso leia e digira os chamados documentos programáticos das FARC, que são vários.

Uma vez que tenha claro estes temas, adentre-se no conhecimento do estudo da guerra. Leia Clausewitz, Moltke, Mauricio de Turquia, Sun Tzu, Frederico, o Grande, Vauban. Não para usar duas ou três conhecidas frases desses estrategistas como tiques repetitivos, mas para que entenda o que é a estratégia e qual é a relação do poder civil com o militar, assim como quais são os alcances táticos e estratégicos de um adversário atual como as FARC ou de um em potencial, como a malta comunista sedenta de posicionar as FARC no poder na Colômbia.

Quando tiver compreendido os complexos inóspitos da variante geopolítica hemisférica, a estratégia nacional, a estratégia operacional, a segurança nacional, a defesa nacional, a mobilização de recursos, a alta logística e, em particular, o valor da contra-inteligência para evitar a espionagem contra os documentos, a sabotagem contra as instalações e as agressões armadas contra o pessoal que o senhor representa, nesse momento pode avaliar o que publica e o que não. Porém, sobretudo o que diz e o que não diz, para que não caia no imediatismo popularesco porque, lembre que a língua nunca foi boa companheira dos altos cargos, nem públicos nem privados.

Além disso, ministro Silva, o senhor é o representante político da maior empresa da Colômbia e, essencialmente, dos homens que neste momento histórico cumprem a missão de combater uma das mais graves interferências substanciais que a Segurança Nacional teve ao longo da vida republicana.

Tenha em conta que o sangue, o suor e o sacrifício desses homens que o senhor representa, são superiores às suas ambições politiqueiras pessoais e ao seu colombianíssimo desejo de figuração midiática permanente.

Ao menos por respeito aos contra-guerrilheiros e suas abnegadas famílias, seja mais discreto em seus desejos pessoais e mais veemente em seu serviço à Colômbia. Não esqueça que somos os colombianos que pagamos impostos quem arrecadamos tributos para pagar seu salário, com a finalidade de que, do seu cargo, o senhor dirija a estratégia de defesa nacional e não para que faça politicagem brega a seu favor.

Os segredos de Estado não se revelam, muito menos quando se trata de planos de contingência para fazer face a uma agressão de um vizinho. Os planos militares se preparam e se praticam no terreno, porém não se revelam. Faça como os dirigentes técnicos das equipes de futebol antes de cada partida. Treine de portas fechadas e não revele qual vai ser a disposição tática no terreno.

Dado que o que está em jogo é o prolongamento do Estado de Direito e a liberdade dos colombianos, sob pena de cair nas garras dos cúmplices das FARC, oriente os esforços do seu trabalho para a eficiência militar, administrativa e operacional, não para elevar mais seu ego sideral, pois o senhor e todos os funcionários públicos são e serão passageiros. O que deve prevalecer é a institucionalidade. Portanto, a obrigação de quem ocupa um cargo é enriquecer esse projeto.

Reflita em torno da frase do general Rafael Reyes: "Mais administração e menos política"... menos politicagem, diria qualquer pessoa sensata.


PS: Oxalá que o vazamento desse documento não tenha sido "pelas suas costas"...

* Analista de assuntos estratégicos - www.luisvillamarin.com

Fonte: www.eltiempo.com

Tradução: Graça Salgueiro

Followers




O Mídia em Alerta não se responsabiliza por opiniões, informações, dados e conceitos emitidos em artigos e textos, assim como também não se responsabiliza pelos comentários dos seus freqüentadores. O conteúdo de cada artigo e texto, é de única e exclusiva responsabilidade civil e penal do autor.

Mídia Em Alerta © 2008. Design by Mídia em Alerta.

TOPO