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segunda-feira, 1 de março de 2010

Ordem, liberdade e propriedade

Mídia Sem Máscara

Não é a propriedade privada que garante a ordem, é a ordem que garante a propriedade privada.

Voltando ao tema dos últimos artigos, lembro ao caro leitor que a ordem precede, lógica e cronologicamente, o campo de usufruto da liberdade e da propriedade privada, fato que a miopia militante de certos teóricos do liberalismo teima em contrariar. A ordem é a instância dada pela ciência política na ação dos homens da história. Vimos agora a morte estúpida do prisioneiro cubano por greve de fome, o desfecho teratológico que só uma ditadura sanguinária pode nos oferecer, com a bênção do nefando Lula. Uma ordem doente leva a que fatos assim tornem-se rotina.

Em Cuba não existe nem liberdade política e nem liberdades individuais, simplesmente porque a ordem ali instituída foi criada em regime contrário a esses valores. Na prática, temos o Estado total (no sentido dado à expressão por Carl Schmitt), todos os poderes concentrados na mão do ditador. Ele é a constituição, sua vontade é o Poder Legislativo. Ele é a Vontade Geral, nos termos de Rousseau.

Um amigo esteve em férias agora em janeiro em Havana. Ele, que adora a comida cubana, relatou que lá comeu mal, mesmo freqüentando os restaurantes mais caros. Descobriu a causa: a população cubana não tem acesso aos condimentos culinários necessários para a boa cozinha, mesmo aquela caseira. O efeito devastador de uma ordem totalitária arruína até mesmo a boa comida. Quem quiser saborear os criativos dotes culinários cubanos deve mesmo ir a Miami, porque na Ilha-prisão a ordem estabelecida não permite a boa cozinha.

Penso também que é rematada tolice querer instituir uma ordem a partir da propriedade privada, tomada como princípio. Propriedade nunca é princípio, ela é sempre instituída pela ordem adrede construída. Meu amigo passeando em férias teve o privilégio de ter um neurocirurgião como motorista do taxi que o atendeu, uma situação deveras absurda. Como membro da sociedade cubana mesmo um homem altamente qualificado não pode ganhar o bastante para sobreviver e conseguir o taxi, para atender aos turistas, é um privilégio de quem está de bem com regime. Tudo é politizado, até mesmo a humilde profissão de taxista. A propriedade coletiva foi ali instituída pela ordem revolucionária.

Há uma cena do filme Dr. Strangelove, do Kubrick, hilária e bastante ilustrativa desse fato. O Capitão Mandrake (Peter Sellers), seguido pelo Coronel Guano, precisa de fichas de telefone para falar com o presidente dos Estados Unidos sobre o iminente bombardeio atômico. Completa a ligação e acabam as fichas. Então ele pede ao oficial para obtê-las à força da máquina de coca-cola ao lado. Depois de diálogos patéticos e hilários ele dá um tiro na máquina e diz para Mandrake: "Você vai ter que se explicar com a Coca-cola".

Algo assim só pode ser imaginado numa ordem em que o regime de propriedade privada está solidamente apoiado pela ordem política estabelecida. Não é a propriedade privada que garante a ordem, é a ordem que garante a propriedade privada. Elementar.

E o que garante a "boa" ordem? Uma elite esclarecida que é a guardiã das instituições e não permite que aventureiros, estúpidos e sanguinários como Fidel Castro e Lênin (e Hitler, no regime democrático, como Chávez), tomem o poder. São pessoas, e não simples instituições, que garantem a boa ordem do Estado. A omissão dos egrégios encoraja e fortalece os aventureiros, como estamos vendo à farta no Brasil de Lula e seus aliados do MST.

Só o conservadorismo não basta

Mídia Sem Máscara

De tal magnitude é a influência da CNBB e da teologia da libertação na Igreja Católica no Brasil, que nem sequer é possível mais dizer que eles compõem um grupo rebelde dentro da Igreja. Hoje os dissidentes são os próprios padres e fiéis conservadores.

Com o devido respeito à opinião dos amigos conservadores, peço vênia para demonstrar, nas linhas seguintes, que o pensamento conservador não é bastante para fazer uma frente ampla ao avanço do socialismo.

Os conservadores têm sustentado que somente o conservadorismo, por ser munido de um conhecimento transcendental inspirado na tradição judaico-cristã, pode fornecer ao indivíduo a "vacina" eficaz que o impedirá de se deixar levar pelos anseios revolucionários, e in casu, pela revolução socialista. Mais do que simplesmente aos indivíduos, os conservadores depositam tal esperança especialmente nos governantes. Isto ainda merecerá comentários futuros.

Proponho, pois, um estudo de caso, utilizando como objeto a instituição que, tanto por natureza quanto por puro dever de ofício, deveria ser a guardiã infalível dos valores mais caros da civilização: a Igreja Católica. Faço isto por alegar ter sido ela, justamente ela, a maior patrocinadora da revolução socialista no Brasil.

Foi a Igreja Católica que criou e cevou o MST, o Movimento dos Atingidos por Barragens e outros congêneres, tais como as comunidades eclesiais de base e o movimento indigenista missionário, este com claríssimo projeto de secessão; foi ela que tem propagado o desprezo ao livre-mercado, ao lucro, ao dinheiro, ao capitalismo e à propriedade-privada; e foi ela que tem exaltado as virtudes de uma sociedade comunal erigida à base de uma economia autárquica. Neste exato momento, a Igreja Católica é a maior instituição - maior mesmo que o PT - a proclamar ostensivamente o modelo de uma sociedade comunista.

Vou pedir a especial compreensão por parte dos católicos tradicionalistas, pois estou a apresentar os fatos como eles são. Peço, pois, que o assumam dentro do contexto da realidade vigente. Não estou a fazer um juízo de valor sobre os dogmas desta ou daquela crença, nem desejo diminuir a fé de ninguém, e tampouco menosprezar a contribuição da tradição judaico-cristã na formação de nossa sociedade. Estou, sim, apresentando um problema real, que precisa ser enfrentado com honestidade e coragem.

O fato é que, independentemente que se atribuam tais responsabilidades à teologia da libertação, ou à CNBB, ou até mesmo a uma infiltração de agentes comunistas no seio da Igreja, nada disto justifica a leniência desta instituição, a ponto de ter deixado que as coisas chegassem ao ponto em que chegaram, pois um corpo clerical firme e consciente não teria permitido tal façanha. Nenhuma infiltração seria tão massiva a ponto de substituir todos os sacerdotes. O que houve? Os infiltrados convenceram e aliciaram os então existentes!

A começar, a hierarquia não haveria de permitir a prosperidade da teologia da libertação. No entanto, ela cresceu na base, por cooptação dos padres, e cresceu em autoridade, pela promoção ao bispado dos agentes infiltrados e dos seus novos adeptos. Hoje, o que há, em termos de Igreja Católica, é que simplesmente todos os bispos são defensores ou simpatizantes da teologia da libertação. São eles que constituem a CNBB.

Pode-se argüir, em termos formais, que a CNBB não representa a Igreja Católica e nem a sua doutrina social. Contudo, no plano da realidade, isto é altamente discutível. A CNBB lança as suas campanhas em nível nacional, e cada um de seus bispos a referenda em sua área de atuação; suas campanhas são executadas em todas as igrejas, por todos os padres, e se estendem para todas as escolas, hospitais e demais obras. A CNBB tem a sua própria Bíblia comunista e suas cartilhas compõem os ritos nos templos e nos lares.

De tal magnitude é a influência da CNBB e da teologia da libertação na Igreja Católica no Brasil, que nem sequer é possível mais dizer que eles compõem um grupo rebelde dentro da Igreja. Hoje os dissidentes são os próprios padres e fiéis conservadores.

Os conservadores têm alegado que os liberais têm fracassado fragorosamente no plano da discussão das idéias e da conquista das almas e corações humanos. Que dizer, então, da Igreja Católica? Vejam, não estou aqui falando de pessoas comuns, leigas, e natural e intuitivamente conservadoras. Estou falando de padres e bispos, indivíduos que têm as chaves da tradição nas mãos; que vivem para a reflexão e para a leitura dos textos sagrados e dos textos dos filósofos; estou falando dos integrantes de uma organização internacional que tem acesso às leituras do mundo todo. Mesmo no Brasil, a Igreja Católica teve acesso à produção filosófica nacional de alto nível, como poderia testemunhar Mário Ferreira dos Santos.

Por quê nunca houve um decreto papal que expulsasse e excomungasse os teólogos comunistas? Esta pergunta deve ser feita e contraposta à rapidez com que uma menininha de nove anos de idade foi recentemente excomungada: ora, a excomunhão para o cristão que defenda o comunismo também é automática, e para um padre, então, deveria constituir uma sanção ainda mais grave e solene. Entretanto, mesmo do papa considerado o mais conservador dos últimos tempos, temos visto dele pronunciamentos em prol de propostas coletivistas e da formação de um governo mundial. Parece, pois, que o relé deste mecanismo automático está queimado...

Como se vê, toda a tradição guardada pela instituição sacerdotal mais antiga e centralizada do Cristianismo não foi capaz de defender sequer a si própria da expansão das idéias socialistas. No Brasil, a maior parte dos mais representativos pensadores conservadores são católicos fervorosos. Se não têm sido eficientes em resguardar seus valores nem entre os de sua própria crença, como podem reivindicar o monopólio do triunfo e a infalibilidade de suas convicções para toda a nação, esta composta de cidadãos espiritualmente bem mais heterogêneos?

No Brasil, o que se tem defendido por conservadorismo é, mormente, o proveniente da tradição norte-americana. Esta linha de pensamento tem sido identificada por alguns, entre os quais Friedrich Hayek, com a própria história de liberalismo daquele país. Lógico, passados cerca de 334 anos, o liberalismo tornou-se algo não mais a ser implementado, mas justamente, "conservado", tendo com isto aglutinado elementos de nacionalismo e de valores cristãos. Na Europa, o que se pode entender por conservadorismo guarda menos relação com direitos individuais, direito de propriedade, liberdade de expressão e de crença, e direito de portar armas do que com a preservação de privilégios de monarcas e aristocratas, bem como de práticas protecionistas e regulatórias. Nada de exemplar. Nada de surpreendente que tenham se aliado aos socialistas para combater o que restava de um pensamento genuinamente liberal.

Se por um lado o conservadorismo é bastante diligente na defesa dos valores morais de uma nação, por outro é serenamente distraído quando se trata de proteger as liberdades individuais e o direito de propriedade. Um conservador geralmente admite o direito de propriedade, mas apenas em termos generalistas, pronto a preteri-lo perante algum argumento qualquer que lhe pareça moralmente mais enlevado.

Creio que um exemplo razoavelmente acertado disto foi a promulgação do "estatuto da terra" pelo então presidente Castelo Branco, e com ele, a estipulação de um índice de produtividade como condição da manutenção da propriedade rural. Considero este ilustre brasileiro como um dos maiores nomes de nossa história. Todavia, talvez por desconhecer os fundamentos mais caros à doutrina liberal, ele tascou a sua caneta naquele documento, e bem, dali por diante, a Via Campesina e o MST só têm tido o que agradecer.

Quando o conservador sustenta que no campo econômico ambas as correntes políticas têm a mesma fonte, ele pronuncia uma afirmação incompleta. Na verdade o que há é que o conservadorismo emprega a fórmula liberal para a economia, assim como também a aplica para a consagração da liberdade individual, para a liberdade de expressão, de crença e política. Até a educação do conservador é uma liberal education.

Ora, o termo liberal precisa ser reconhecido por seus próprios créditos: foi a filosofia política que provocou a independência norte-americana e das demais nações americanas; que protagonizou a abolição da escravidão mundo afora; que efetivamente separou os poderes do estado e o patrimônio dos homens públicos do patrimônio do estado; que conferiu o voto ao cidadão comum e à mulher; que proporcionou ao homem comum a propriedade privada em um grau jamais conhecido pela história, cujo resultado foi o maior estouro de tecnologia e de produção até então registrados; e que instituiu constitucionalmente o due process of law, entre outras coisas.

Agora, o que é preciso dizer é que nem sempre estas liberdades floresceram graciosamente como heranças da tradição. Muitas vezes elas se concretizaram à guisa de dissidência, de questionamento, e até mesmo de confronto. Os evangélicos, que no passado eram mais conhecidos pelo termo "protestantes", podem hoje se auto-denominar como conservadores, mas tiveram um dia de se afirmar no seu direito de credo para se distanciar dos dogmas católicos, e tiveram de encarar mais uma vez a liberdade de credo para que fosse possível a união das treze colônias inglesas para a formação do novo país.

Por isto que tenho defendido uma frente ampla contra o socialismo que se instaura em nosso país. Uma frente liberal-conservadora, que defenda os direitos individuais, o direito de propriedade e os marcos de um estado mínimo de direito sob a luz dos fundamentos da doutrina liberal, bem como a solidificação da sociedade com os valores morais e espirituais trazidos da Tradição.

Carta à Congregação para a Doutrina da Fé

Mídia Sem Máscara

Senhores,

Na condição de fiel leigo, atuante em movimentos da nossa Igreja Católica, levo a essa nobre Congregação a minha inconformidade perante o que vem acontecendo na Conferência dos Bispos do Brasil. Os fatos não são estranhos ao conhecimento de Sua Santidade, o Papa Bento XVI. Falando aos bispos brasileiros do Sul III e IV, em visita ad limina, no dia 5 de Dezembro do ano passado, ele usou palavras muito claras ao adverti-los contra "os princípios enganadores da Teologia da Libertação" e para "o perigo que comporta a assunção acrítica, feita por alguns teólogos, de teses e metodologias provenientes do marxismo, cujas sequelas mais ou menos visíveis, feitas de rebelião, divisão, dissenso, ofensa e anarquia fazem-se sentir ainda, criando, nas vossas comunidades diocesanas, grande sofrimento e grave perda de forças vivas".

Pois bem, nestes dias quaresmais, está em curso uma nova Campanha da Fraternidade, desta feita ecumênica, sob cujas sombras brilham citações evangélicas e sob cujas luzes se insinuam leituras marxistas da realidade social brasileira, afinadas com aquela reprovada subteologia.

Soma-se a tais distorções, na Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2010, um profundo desconhecimento das autonomias inerentes a duas esferas da atividade humana - a da economia e a da política. Assumindo critérios de interpretação próprios do marxismo, ela busca atribuir à economia de mercado tarefas que são próprias da política - esta sim, responsável pelos principais fatores que dão causa à miséria e às profundas desigualdades sociais do nosso país: analfabetismo, baixo nível intelectual, péssimo sistema educacional, deficiências culturais, má distribuição de renda, políticas monetárias, desníveis salariais do setor público, apropriação de 40% do PIB nacional pelo Estado, corrupção, descontrole do gasto público, bem como mordomias, luxos e prodigalidades custeados com recursos dos contribuintes. Não, não é a economia de mercado que dá causa aos problemas sociais brasileiros. É da má política e da inadequação de nossas instituições que tais males derivam.

Muito conviria a essa Congregação conhecer o desconforto e a rejeição suscitada pela atual Campanha, que, de modo solerte, confunde idolatria com economia de mercado e recua em relação à Doutrina Social da Igreja quando propõe vagos modelos "alternativos" de organização da atividade econômica "que privilegiem a solidariedade e a partilha", sem nada explicitar concretamente ou apontando para instrumentos consagrados há mais de um século (como o cooperativismo em harmonia com a economia de mercado) ou, ainda, para o retorno às fracassadas experiências do socialismo. E, por outro viés, silencia sobre a firme orientação que o Santo Padre João Paulo II explicitou com tanta clareza nos nºs 41 e 42 da Centesimus Annus.

É preciso atentar para a gravidade da situação. A totalidade da opinião pública e da imprensa brasileira confunde a CNBB com "a" Igreja. Quando alguém se manifesta nessa organização, seja o presidente, seja um assessor, as manchetes falam em manifestação "da" Igreja. A Campanha da Fraternidade é "da" Igreja. Seus temas e seus lemas também são vistos assim. Jamais, alguém da estrutura da organização faz a necessária distinção e esclarecimento, estimulando uma fusão e uma confusão que, ao que se infere, bem lhes convém.

Não bastasse furtar a riqueza espiritual da Quaresma para fazer dela um tempo de polêmica e radicalização política e ideológica, envolvendo o ano litúrgico em questões temporais e políticas desviadas da sã doutrina e da orientação pontifícia, a CNBB acaba de providenciar aos leigos brasileiros uma nova surpresa.

Periodicamente, a assessoria da instituição (o mesmo grupo de assessores que fornece a carne, os ossos, as cartilagens e o animus de seus documentos oficiais) emite "Análises de conjuntura". São textos que, se despidos dos eventuais recursos ao léxico religioso, poderiam constituir editoriais do Granma. Vêm, é verdade, com a observação de que não constituem "opinião oficial da entidade". Mas são acolhidas no site da CNBB, redigidas no seu estilo e pisam nas mesmas areias movediças por onde andam muitos de seus textos oficiais e oficiosos.

Agora, em plena efervescência das contestações à CFE de 2010, a mais recente "Análise de conjuntura" sugere, claramente, a continuidade do governo Lula, através da pessoa indicada por ele para o suceder, posto que a eleição do oposicionista José Serra representaria "o retorno da política neoliberal anteriormente efetivada por Fernando Henrique Cardoso, dialogando com os interesses do empresariado nacional e do capital internacional".

O assunto trouxe a CNBB novamente ao noticiário, com ela arrastando "a" Igreja Católica para o torvelinho do debate político e para as matérias de opinião. Esse não é o campo próprio da Igreja. Mas, repita-se, o ingresso da CNBB e de suas pastorais nesse jogo, com tal fardamento ideológico, não é novidade na cena brasileira. A CNBB e a maior parte de suas pastorais, seus documentos oficiais e não oficiais, sempre serviram às partidas disputadas pelo Partido dos Trabalhadores e pelas organizações da sociedade por ele lideradas. Mudam a música, mas não a letra. A identificação é tanta que a imprensa brasileira surpreendeu-se quando a CNBB veio a público reprovar certos preceitos do decreto presidencial que instituiu o Plano Nacional de Direitos Humanos, nos últimos dias do ano passado. A coisa soou como arrufos entre parceiros.

É uma pena. E penso que esteja a demandar uma atitude da Santa Sé para coibir abusos e desvios que tumultuam a vida da Igreja em nosso país, espalhando entre os fiéis a rebelião, a divisão, o dissenso, a ofensa e anarquia tão precisamente apontadas por nosso querido pontífice Bento XVI. Os problemas criados "na" e "pela" CNBB só se resolverão com uma total remodelação das estruturas de sua burocracia funcional e com a substituição dos atuais assessores. Eles evidenciam ter com seus vínculos ideológicos um compromisso muito superior do que com as angústias pastorais das dioceses. E arrastam a imagem da Igreja por esses descaminhos.

Em união de fé e amor ao Cristo Redentor.

Percival Puggina
Arquiteto, empresário e escritor em Porto Alegre, Brasil.

E-mail: puggina@puggina.org

O suposto

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Consultando-se no "Aurélio" o significado da expressão SUPOSTO, encontramos:

[Do lat. suppostu.]Adjetivo. 1.Hipotético, fictício. 2.Supositício (1). 3.Bras. N.E. Diz-se do dente postiço: "enquanto chorava o abandono, o riso morto na boca de dentes supostos, os olhos constantemente vermelhos... os cabelos sem pente permaneciam numa rebeldia feroz" (Mílton Dias, As Cunhãs, pp. 54-55).

Substantivo masculino. 4.Aquilo que subsiste por si; substância. 5.Coisa suposta.
Advérbio. 6.Ainda que; embora; suposto que: "a dureza de certo o não vira, suposto voltasse para ele muitas vezes ....a face" (Livro Negro de Padre Dinis, p. 215).

Suposto que. 1. Na suposição ou hipótese de que; dado o caso que; dado que; admitido que. 2. Suposto (6).

Das diversas definições aurelianas de SUPOSTO, seguramente Supositício, seja a palavra menos conhecida do dia-a-dia da língua "brasileira", portanto, aí vai seu significado aurélico:

[Do lat. suppositiciu.] Adjetivo.1. Atribuído falsamente a alguém; suposto. Fingido, falso. [Sin. ger.: supositivo.]

Atualmente, na imprensa brasileira, a palavra SUPOSTO e suas derivações são das mais utilizadas no vocabulário jornalístico, chegando ao ponto de, no segundo dia do ano, em pleno Jornal Nacional, o apresentador Márcio Gomes ler uma notícia sobre um fato ocorrido na Colômbia em que "um ataque das Forças Armadas matou 22 supostos guerrilheiros das Forças Revolucionárias da Colômbia".

Passa-se a impressão de que no país vizinho não existe um movimento guerrilheiro e que, supostamente, as FA colombianas realizaram uma mortandade contra pessoas indefesas, de boa índole e que não se sabia quem eram. Tem razão o JN, não são somente guerrilheiros, são também narcotraficantes.

Para verificarmos a imparcialidade da mídia, vejamos algumas notícias do último dia de 2009:

Correio Braziliense - 31 Dez 2009

No Senado, a alardeada CPI da Petrobras, instalada para apurar supostas irregularidades na gestão da estatal, terminou melancolicamente.

O relatório final da comissão pede ao Ministério Público Federal uma apuração sobre suposto ato de prevaricação por parte de integrantes da Aneel e solicita ao órgão a criação de um mecanismo para compensar o consumidor pelos valores indevidos.

Jornal de Brasília - 31 Dez 2009

O governador Arruda, emocionado, considerou que as denúncias do suposto esquema de caixa dois foram combinadas para impedi-lo de continuar na política - que atualmente o "enoja".

O Estado de São Paulo - 31 Dez 2009

A Justiça argentina fechou formalmente o caso de suposto enriquecimento ilícito contra a presidente do país, Cristina Kirchner, e seu marido e antecessor, Néstor Kirchner.

O padrasto da criança afirmou ter inserido as agulhas no corpo do enteado em um suposto ritual de magia negra.

Já quando o assunto é sobre as FORÇAS ARMADAS não se supõe nada, afirma-se tudo, pois a certeza existe.

Vejamos no mesmo Correio Braziliense, de 31 de dezembro de 2009, parte do artigo intitulado "Desconforto na Caserna", de autoria de Danille Santos, no qual coloquei alguns supostos:

"O suposto desconforto criado pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, dentro do governo após questionar o Programa Nacional de Direitos Humanos intrigou supostos especialistas, que classificaram o episódio como um suposto retrocesso para a democracia. No último dia 22, Jobim se encontrou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e colocou o cargo à disposição. O mesmo fizeram os comandantes das três forças nacionais, Marinha, Exército e Aeronáutica.

Os trechos que contrariaram o bloco militar referem-se à apuração de supostos crimes e supostas violações de direitos humanos no período da suposta ditadura, entre 1964 e 1985. O principal deles trata da criação de uma comissão que terá amplos poderes para apurar supostos casos de violação dos direitos humanos durante a suposta ditadura e, se preciso, punir. Outro pede a revogação de leis remanescentes do período do regime. Na visão dos militares, a medida abre uma brecha para mudanças na Lei da Anistia. Por último, o documento sugere uma lei que proíba o nome de pessoas que supostamente tenham praticado crimes de lesa-humanidade em prédios públicos e ruas, além da alteração de nomes já atribuídos".

Aliás, existem várias suposições sobre o episódio supostamente acima descrito:

- será que o apedeuta-mór, por falta de saco ou deficiência de leitura, assinou, mais uma vez, um documento sem ler?

- será que Luís Ignácio ignorava os termos da negociação entre os Ministérios da Defesa, Justiça e Secretaria Nacional de DH?

- será que Luís Ignácio ignorou, por livre e espontânea vontade, os termos da negociação entre os Ministérios da Defesa, Justiça e Secretaria Nacional de DH?

- será que "o cara" foi enganado pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff?

- será que não é mais uma manobra do beócio na tentativa de se passar por bonzinho diante do "bando de generais"?

- será que não se trata de mais outra ação desencadeada com a finalidade de elevar, midiaticamente, ainda mais, os "franklinados" (1) índices de popularidade do Superlulla, ornando-lhe com o cognome de "O Vingador dos Torturados"?

- será uma jogada para que Jobim seja instado à vice da Dilma?

- ou será uma tentativa do Noço Guia para tornar-se imortal, pois, ajudando a reescrever a história, tem tudo para ganhar um assento na Academia Brasileira de Letras?

Eu suponho que, na verdade, o apedeuta-mor é um grande supositício!

Notas:

(1) - O mesmo que fabricado.

(*) Jacornélio é um suposto articulista, que usa dentes supostos, que não é supositício (falso ou fingido) e, ainda, supõe ser o Diretor-Geral do Fundo Nacional de Pensão dos Anistiados Políticos (FUNPAPOL).

Revisão: Paul Word Spin Houaiss

Brasília, 06 de janeiro de 2010.

E-mail: jacornelio@bol.com.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. e jacorneliomg@gmail.com

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