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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Conversa de loucos

Mídia Sem Máscara

Klauber Cristofen Pires | 02 Junho 2010
Artigos - Economia

Quando você quer se aposentar? No atual sistema, é o estado quem decide quando isto vai ocorrer, e cada vez está ficando para mais tarde.

No dia 27/05/2010, acompanhei o programa "Entre Aspas", conduzido pela jornalista Mônica Waldvogel, na Globo News. Tratava-se de uma entrevista com três economistas, para opinarem sobre as contas da Previdência Social, do reajuste de 7,7% aos aposentados e ao possível fim do fator previdenciário.

O programa foi um espetáculo. Não exatamente pelo brilho da informação, que absolutamente, não houve, mas justamente por ter servido como uma vitrine transparente da confusão reinante em suas cabeças. Ao fim do debate, o mínimo que se poderia esperar de três economistas renomados seria que dissessem, afinal, se as contas de Previdência Social estão deficitárias e quais as perspectivas futuras. Um pouquinho mais, se possível: qual a arrecadação e a despesa; quais as fontes de arrecadação e quais as contas de despesa mais impactantes...

Um dos convidados, pasme o leitor, chegou ao absurdo de afirmar que as aposentadorias, ao longo dos últimos governos, chegou a ser desvalorizada em "100% ou mais, até". Como um economista - não espere - o sujeito era um professor de economia da Unicamp (!) - pode dizer uma barbaridade dessas? Impressionante! Por sorte, um dos seus contendores percebeu a "ratada" e lhe tascou as luvas à face.

Mais ainda, ainda do mesmo (hã?) professor de economia unicampista: segundo o próprio, a Previdência não é deficitária porque é garantida pelo Orçamento, segundo o previsto na Constituição, que previu o seu financiamento segundo uma fórmula tripartite - a ser paga por empresários, trabalhadores e pelos impostos.

Ora, ora, políticos, especialmente os petistas semi-analfabetos, podem dizer qualquer besteira, e inclusive sacramentar as suas sandices na Constituição. Está bem, vamos estender tal direito até mesmo aos doutores em Direito.Todavia, há uma diferença brutal entre prever como serão as coisas por meio de um decreto - por mais constitucional que seja - e operá-lo segundo as dificuldades inerentes ao mundo real, das pessoas de carne e osso.

Do ponto de vista econômico, é puro nonsense afirmar que o financiamento da Previdência é "tripartide", porque constituído sobre o tripé "empresários-trabalhadores-impostos". Ou se diz que sua arrecadação será proveniente de impostos (porque paga com dinheiro de empresários e trabalhadores), ou se diz, meramente invertendo a ordem da oração, que será paga pelos empresários e trabalhadores, por meio dos impostos! Bom, se bem que traficantes, assaltantes de banco e estelionatários em geral, de certa forma, também pagam impostos... talvez tenham pensado nisto...

No fim, nenhum deles tocou no assunto mais relevante: a fórmula atual funciona? Claro está que não, e como já tenho esclarecido, a nosso modelo previdenciário é extremamente deficiente e deficitário, e o será sempre, qualquer que seja a proporção entre ativos e inativos. Vale a pena explicar mais uma vez o porquê.

No Brasil, o sistema previdenciário é basicamente constituído de impostos e despesas. Para todo mundo entender: os ativos pagam, com suas contribuições e impostos, os proventos dos inativos. Pronto. Está dito tudo o que você realmente precisa saber. O resto é conversa mole para boi dormir; e é também malabarismo diversionista, como é a celeuma criada em torno do caso "fator previdenciário". As fórmulas usadas para cálculo das aposentadorias não são atuariais, mas meramente estatísticas - e mudam constantemente.

Neste sistema, os tributos são retirados dos cidadãos ativos no momento em que poderiam gerar riqueza e empregos, e são entregues aos aposentados, que ao irem para o supermercado e à farmácia, causam inflação (ou, pelo menos, contribuem para o seu aumento), porque, sem trabalhar, disputam bens e serviços com o dinheiro que não foi alocado para o investimento e que, portanto, não gerou riqueza.

Uma estrutura assim até que consegue se aguentar - embora seja sempre relativamente empobrecedora da população - sob uma de duas condições: ou o bolo é repartido, e assim cada aposentadoria pode aumentar ou diminuir, ou os ingredientes são adicionados, isto é, a coleta de impostos e contribuições é que varia.

Geralmente, um misto das duas coisas é levada a efeito, mesmo tendo em consideração a previsão constitucional da irredutibilidade dos proventos, só para lembrarmos o nosso brilhante economista, isto porque há artifícios para contornar tal problema, como, por exemplo, alterar a idade para o gozo. Bom, até agora não tratamos da ineficiência estatal em gerir tamanha quantia - seja quanto ao custo da máquina, que também não é pequeno, seja quanto aos desvios pelos ralos da corrupção e do populismo que promulga a cada dia novos direitos.

Nós precisamos de um sistema previdenciário baseado em capitalização. Isto significa dirigir uma parcela dos rendimentos de uma pessoa, ao longo de sua vida, não para despesas inflacionantes, mas para uma conta de investimentos que continuará a contribuir com a produção de bens e serviços, gerando riqueza para todos. Grupos privados de administração de investimentos podem fornecer cestas com rendimentos de boa segurança, e a operação toda pode ser segurada e auditada por companhias também privadas.

Quando você quer se aposentar? No atual sistema, é o estado quem decide quando isto vai ocorrer, e cada vez está ficando para mais tarde. Isto é muito injusto, se levarmos em conta que Maria teve muitos filhos, que João sofreu de muitas doenças, que Mário exercia um trabalho mais penoso ou ainda que Francisca começou a trabalhar desde os quinze anos. Em um sistema de capitalização, cada pessoa decide quando será a sua hora de parar, e o mais importante, sem deixar de produzir, pois o seu montante está produzindo para o bem dele mesmo e de toda a população.

O "Caso Mockus" e a engenharia da desinformação

Mídia Sem Máscara

Alejandro Peña Esclusa | 02 Junho 2010
Artigos - Desinformação

Se as pesquisas na Colômbia estavam truncadas, na Venezuela são simplesmente uma fantasia. Honduras foi outro claro experimento de "engenharia da desinformação", que conseguiu converter Zelaya em "vítima" de um golpe de Estado.

A derrota acachapante que Mockus sofreu em 30 de maio, depois de ser anunciado por muitos como o próximo presidente da Colômbia, evidenciou uma sofisticada manobra propagandística para tratar de encobrir a realidade e manipular o voto dos colombianos.

Paralelamente, uma semana antes das eleições desatou-se uma campanha internacional contra o presidente Uribe e o candidato Santos, vinculando-os a grupos paramilitares. A operação se baseou no falso testemunho de um delinqüente colombiano, publicado na Argentina pelo diário Página 12 - dirigido pelo ex-montonero Horacio Verbitsky - e retransmitido pelo canal chavista TeleSul.

A dupla ação de desinformação foi tão exitosa que, quando Santos esmagou Mockus, duplicando sua votação, colombianos e estrangeiros ficaram profundamente surpresos.

O "Caso Mockus" é muito pedagógico para ilustrar a nossos leitores sobre um procedimento que se usa constantemente na América Latina, e que funciona com grande êxito, embora desta vez tenha fracassado na Colômbia.

Em setembro de 2008 implementou-se um plano na Bolívia para culpar a oposição pelo chamado "massacre de Pando". Evo Morales e seus colaboradores encobriram sua própria responsabilidade na matança, elaborando um informe falso - redigido por um ex-terrorista argentino, Rodolfo Mattarolo - e divulgando suas conclusões através de uma prodigiosa rede de mídia esquerdista, entre os quais encontram-se Página 12, Rebelión, Indymedia, Kaos en la Red, e mídias oficiais da Bolívia, Cuba e Venezuela.

Honduras foi outro claro experimento de "engenharia da desinformação", que conseguiu converter Zelaya em "vítima" de um golpe de Estado, em que pese ter sido ele mesmo quem provocou a crise, ao querer violar a Constituição por ordens de Hugo Chávez. Contra os hondurenhos se balançaram não só as mídias antes mencionadas, como as organizações multilaterais controladas pelo Foro de São Paulo, como a ALBA, a UNASUL e a OEA.

Porém, o caso mais exitoso da "engenharia da desinformação" constitui o próprio Chávez, que até esta data é considerado como um "líder popular", defensor dos mais pobres e não como o que realmente é: um agente a serviço da revolução cubana. Chávez não usa os multimilionários recursos do Estado venezuelano para favorecer os mais necessitados, senão para exportar o modelo castro-comunista em toda a América Latina. Entretanto, a Venezuela se destrói e empobrece cada vez mais.

Se as pesquisas na Colômbia estavam truncadas, na Venezuela são simplesmente uma fantasia. Se Mockus obteve 21 por cento dos votos, o apoio a Chávez não chega a 20 por cento. Entretanto, os meios de comunicação internacionais - e até a própria oposição venezuelana - outorgam ao comandante golpista mais de 50 por cento de respaldo popular.

Esta farsa está avalizada por resultados eleitorais, certamente fraudulentos. Porém, embora seja óbvio que o sistema eleitoral venezuelano esteja totalmente viciado, o mito da suposta popularidade de Chávez se mantém. Por sua parte, os partido opositores negam-se a denunciar a fraude argumentando que, se o fizerem, promoverão a abstenção. Haja lavagem cerebral!

Se por construir mentiras e modificar condutas outorgassem prêmios, teria que ser dada uma medalha aos cubanos pela gigantesca obra de "engenharia da desinformação", que levaram a cabo na Venezuela.

Tradução: Graça Salgueiro

O fim da social-democracia?

Mídia Sem Máscara

Nivaldo Cordeiro | 02 Junho 2010
Artigos - Movimento Revolucionário

Neoliberalismo é apenas mais uma variação estabilizadora da social-democracia, esta mesma que está a morrer pela crise atual. A falência está inteiramente explícita na inviabilidade dos modelos de previdência social e no inchaço incomensurável do funcionalismo público.

Em 1974, em um majestoso texto publicado na revista "The Review of Politics" (Vol 36, nº 4), intitulado "Liberalism and its history", Eric Voegelin demonstrou que a doutrina liberal faz parte do movimento revolucionário, desde a origem. É ela própria que inaugura a modernidade em todos os campos, do direito à ciência política, passando pela filosofia, economia e demais ciência sociais. Não ao acaso Voegelin foi buscar no termo gnose a expressão para designar esses movimentos revolucionários, similares aos movimentos religiosos do início da Era Cristã.

O essencial da modernidade é a recusa da percepção do elemento transcendente como a condição do real, colocando em seu lugar a pura vontade (razão) humana.

O liberalismo, no início, estava na linha de frente da revolução, contra a tradição aristotélica na filosofia e contra os valores cristãos herdados nos costumes. O esforço de gente como Maquiavel, Hobbes, Hume e Locke era para desacreditar Aristóteles, pondo no seu lugar o historicismo fundado na filosofia grega do período helenístico. É bem verdade que as mudanças no interior do cristianismo vinham desde pelo menos o século XII e ganharam relevo com o surgimento do nominalismo. De certa forma, o irracionalismo moderno deriva em linha direta dessa visão deformada do cristianismo, que irá afetar sobretudo o campo do direito e da ciência política. Será pela Escola de Salamanca que sua doutrina formatará a modernidade.

O encontro do humanismo renascentista com as idéias da decadência filosófica cristã emergirá com toda força e será o pano de fundo das três grandes revoluções: a Reforma religiosa, a Revolução Francesa e a Revolução russa. Voegelin mostrou que o elemento radical do momento revolucionário inicial será seguido de um momento de "restauração" dentro do próprio movimento revolucionário. O que passará a se chamar conservador nada mais é do que esse elemento estabilizador, mas ele próprio é integrante da revolução. [A ortodoxia greco-cristã jamais foi restaurada]. Isso acontece porque não é possível que a dinâmica revolucionária aguda tome todo o tempo histórico, pois o princípio de realidade não pode ser inteiramente negado, sob pena de comprometer a sobrevivência humana.

O conceito de revolução permanente, cunhado por Trotsky, não é outro que não essa dinâmica. Afinal, a revolução se propõe objetivos inalcançáveis e seu sentido é o movimento contínuo, rumo ao nada. O repouso jamais poderá ser alcançado. Mas os momentos de febre precisam ser seguidos de momentos de relativa estabilização, sob pena de a vida prática ficar inviável.

O liberalismo dito clássico, nos momentos subseqüentes ao movimento revolucionário do século XVII, em paradoxo, passou a compor o contrapeso aos delírios revolucionários jacobinos. Voegelin fecha o texto com a seguinte afirmação:

"In the light of these considerations we can say that, on the one hand, liberalism decidedly has a voice in the political situation of our time; on the other hand, however, today the ideas of autonomous, immanent reason and the autonomous subject of economics are scarcely alive and fruitful; thus, the classical liberalism of the secularist and bourgeois-capitalist stamp may be pronounced dead."

Voegelin foi certeiro no seu diagnóstico. Passadas mais de três décadas dessa constatação podemos dizer que a forma resultante de estabilização do movimento revolucionários na segunda metade do século XX foi o que se chamou de neoliberalismo, essa simbiose entre os frutos da ciência econômica liberal com as crenças coletivistas no plano político. O neoliberalismo virou a plataforma de todas as agremiações políticas no poder, desde o fim da II Grande Guerra. É o que se chama de social-liberalismo ou liberalismo-social. Numa única expressão, social-democracia.

Neoliberalismo é apenas mais uma variação estabilizadora da social-democracia, esta mesma que está a morrer pela crise atual. Vê-se que a variante neoliberal não pode ser mais o elemento racionalizador e estabilizador do exercício do poder real nesse estágio avançado. O modelo esgotou-se, fruto de sua entropia intrínseca. O distributivismo proposto pela social-democracia dependia da contínua expansão da carga tributária e da emissão de moeda, que já bateram seu limite superior. A falência está inteiramente explícita na inviabilidade dos modelos de previdência social e no inchaço incomensurável do funcionalismo público. O mundo ocidental está em um beco sem saída, inclusive nos EUA.

O que virá no lugar? Ninguém sabe. Uma guinada conservadora? Um novo espasmo revolucionário? Seja o que vier não se fará com pouca violência. Os sintomas estão por toda parte, as tensões brotam dia a dia. Os próximos anos serão sombrios.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Eleição na Colômbia: análise dos resultados e discursos

Mídia Sem Máscara

Graça Salgueiro | 31 Maio 2010
Internacional - América Latina

As redes transversais da esquerda mundial já acionaram seus robôs da mídia e as matérias que levantam suspeitas sobre a lisura dos resultados começaram a pipocar. Isto era previsível, como é previsível a reação comunista.

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Coronel Nicaragüense revela nexos dos Castro com n..."
hahahaha

partido alfa é muito engraçado. enaltecer os militares é o fim. Vocês ainda vão chorar muito pois a Dilma VAI GANHAR e DEPOIS o LULA VAI VOLTAR E FICAREMOS 30 ANOS no PODER

seus nazistas otários

MORTE AS PESSOAS DESTE BLOG IMBECIL

PUBLICA ISSO SUA PUTA

Abro esta edição de hoje com um comentário muito eloqüente de um "valente" anônimo (para variar...) que não posso deixar de dar destaque, não porque me sinta intimidada ou amedrontada - eles são sempre ridículos, primários e repetitivos -, mas porque em poucas palavras este fantasma deixa claro como pensam (se é que pensam!) todos os psicopatas comunistas. Na sua hipotética ameaça, ele (ou ela) deixa claro seu desejo totalitário, seu apego ao atraso, sua ira e sede de sangue diante da impotência em contra-argumentar fatos que são denunciados por mim neste blog. Deixo apenas um recadinho para o tarado demente: não julgue os outros pela sua genitora!

Bem, mas vamos ao que de fato interessa. Ainda estou curtindo a felicidade do resultado das eleições de ontem na Colômbia, mas hoje é a vez de analisar o que se passou ontem. As empresas de pesquisa estão arrasadas, mas os grandes responsáveis por este suposto falso resultado são mesmo os meios de comunicação que fabricaram um mito que não tinha como se sustentar diante da realidade. A maioria da militância de Mockus não passa de um bando de fanáticos, perfeitos idiotas úteis manipuláveis - sobretudo os jovens e estudantes - e toda a sua campanha desenvolveu-se em torno da grande rede, através do Twitter e Facebook, enquanto que Santos saiu percorrendo o país e fez seu trabalho de boca a boca.

Ademais, quando se planta um boa semente em solo fértil, ela nasce e cresce. Os colombianos podem ter memória curta para certos fatos, mas não podem apagar, de um momento para o outro, o legado do presidente Uribe, sobretudo no quesito segurança. Há quantos anos não se tem eleições ordeiras e pacíficas, sem que as FARC detonem alguma bomba ou derrubem redes elétricas, ou alguém saia despedaçado por uma mina terrestre? O terrorismo ainda está vigente, pois a cabeça da serpente não foi eliminada; entretanto, seus braços estão manietados e seus esconderijos bem vigiados. E Santos soube valer-se disto para mostrar, como se usa no jargão futebolístico, que não se mexe em time que está vencendo.

Outro fato curioso ocorreu no estado de Putumayo, único lugar onde Mockus foi o vencedor. Ocorre que Putumayo faz fronteira com o Equador e provavelmente os habitantes dos dois países mantêm boas relações entre si. Mockus havia dito que entregaria ao Equador todos os responsáveis pelo ataque a Sucumbíos, onde foi abatido Raúl Reyes na "Operação Fênix", enquanto Santos foi quem autorizou o ataque, junto com o presidente Uribe, fato que deve contar com a desaprovação dos moradores daquele lugar.

E por que Santos não conseguiu os 50% mais 1 voto requeridos para ser eleito já no primeiro turno? Porque esses votos ficaram dispersos entre outros candidatos de centro e direita, como foram os casos de Germán Vargas Lleras, do Partido Radical, que obteve 10,3%, e Noemí Sanín, do Partido Conservador, que obteve 6,1%.

E enquanto todo o mundo livre e democrático comemora esta acachapante vitória inicial, as esquerdas começaram a lançar seu veneno preferido sobre "fraudes". Leio no site ANNCOL, porta-voz das FARC na Suécia, que houve "fraude, compra de votos, proselitismo paramilitar e militar com aquartelamento de primeiro grau, adornada com todo tipo de delitos imagináveis contra o legítimo direito ao voto cidadão, e que desde há 50 anos se vem realizando na Colômbia com o nome de Contenda Democrática".

Dói a esta gente constatar que de fato se vive e respira democracia na Colômbia, se tomarmos em conta que, quando a Magistratura impediu o referendo para a reeleição do presidente Uribe ele aceitou sem questionar; que havia candidatos de todos os partidos e posições políticas, mesmo aqueles defensores das FARC; que as pessoas escolhem se querem votar ou abster-se de ir as urnas; que, principalmente, no dia de ontem não se observou qualquer tumulto ou desordem e, finalmente, que esta eleição ainda não está ganha, como ocorre nos países ditatoriais como Cuba, Venezuela, Irã, etc., onde os ditadores vitalícios ganham no primeiro turno, seguidas vezes, com 99,99% dos votos. Mas as redes transversais da esquerda mundial já acionaram seus robôs da mídia e as matérias que levantam suspeitas sobre a lisura dos resultados começaram a pipocar. Isto era previsível, como é previsível a reação comunista. Se tivesse havido "empate técnico", como foi fabricado, provavelmente a fraude jamais seria lembrada.

E agora os discursos. Durante toda a campanha pude assistir a incontáveis vídeos que mostravam a fragilidade e insegurança de Mockus, bem como o vexame que certos comportamentos dele causavam, tais como não saber concatenar idéia e discurso pronunciado, vestir-se de Super Man para combater e corrupção e, - o mais vergonhoso - abaixar as calças para um auditório repleto de estudantes como resposta às vaias que recebia no palco.

Ontem, porém, a coisa ficou muito surrealista e, honestamente, só lembro de ter sentido vergonha semelhante, ao ouvir os discursos "do cara" mundo afora, onde asneiras e impropriedades saltam aos borbotões. Na sede do Partido Verde, Mockus repetia os chavões que foram o mote de sua campanha como "eu não sou politiqueiro, não vim aqui por dinheiro" e outros mais idiotas que minha memória não registrou, além de ficar pulando no palco como um mico de circo, não percebendo o tamanho do ridículo e infantilismo de seu comportamento. Sua militância passeia entre a debilidade mental e o fanatismo cego.

Mockus também não perdeu a oportunidade de alfinetar Juan Manuel Santos de forma deselegante e mentirosa, dizendo: "O doutor Santos demonstrou de múltiplas maneiras que o fim justifica os meios. Além disso, é apoiado por uma classe política cujo comportamento debilitou a confiança nas instituições", enquanto seus robôs gritavam palavras de ordem, apitavam e brandiam os "ameaçadores" girassóis, com os quais ele pretende combater as FARC.

Juan Manuel Santos começou seu discurso agradecendo a Deus, à sua família, aos seus colaboradores, aos militares e forças policiais mas, principalmente - e enfatizado em várias ocasiões - ao Presidente Uribe, a quem ele refere-se como "o grande vencedor". Convocou os candidatos dos outros partidos a unir-se à sua campanha para o segundo turno, dizendo: "Será um acordo para que haja trabalho, trabalho e mais trabalho; um acordo para garantir que nossa economia cresça com equidade, para derrotar a pobreza e a gerar oportunidades para todos; para derrotar a impunidade e a corrupção; para garantir o bom governo; um acordo, enfim, para consolidar a Segurança Democrática e consolidar o salto à 'prosperidade democrática', prosperidade para todos".

Foi um discurso absolutamente impecável do ponto de vista tático e estratégico, pois ele foi cordial, não atacou ninguém, nem mesmo seus reconhecidos desafetos Chávez e Correa e, ao contrario, disse: "Não reconheço inimigos na política nem em nenhum governo estrangeiro". A elegância e a humildade - que não é bem seu forte - primaram o tempo todo no discurso de Santos, parecendo-nos já que será um grande estadista e que Uribe soube escolher bem seu sucessor. É verdade que Santos não tem as qualidades diplomáticas de Uribe mas nenhuma pessoa de bem pode acalentar dúvidas a respeito da continuidade do legado do presidente Uribe nas mãos de Juan Manuel Santos.

E para finalizar, escrevo as palavras de Santos em várias oportunidades do seu discurso o qual era aplaudidíssimo, como vocês poderão atestar no vídeo que o Notalatina apresenta com exclusividade a seus leitores, o qual agradeço penhorada a inestimável colaboração do Alex, o "Cavaleiro do Templo" e meu assessor para assuntos de informática.

Disse Santos: "Presidente, este triunfo é seu e de todos os que queremos preservar seu imenso legado (...) Obrigado ao melhor Presidente que a Colômbia já teve!".

Que Deus abençoe a Colômbia e ilumine seu povo na hora de definir quem será o legítimo substituto deste que é o maior estadista do Século XXI em nossa América! Fiquem com Deus e até a próxima!


Tradução e comentários: G. Salgueiro

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