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quinta-feira, 3 de junho de 2010

Por que todos odeiam Israel?

Mídia Sem Máscara

Putin matou duzentos mil muçulmanos chechenos. Os jordanianos mataram em um só mês (Setembro Negro) dez vezes mais palestinos do que os israelenses em 40 anos. Há menos de um mês, um barco sul-coreano foi torpedeado e morreram 46 pessoas, e ninguém está "indignado".Por que alguns mortos valem mais do que outros?

Se é verdade que "os sionistas controlam a mídia", como se explica que esta seja tão fanaticamente anti-Israel? Nenhum outro país é tão vigiado, tão vilipendiado, tão acusado. Se os "sionistas" de fato controlam os meios de comunicação, estão fazendo um péssimo serviço.

Há uma guerra civil no Congo que dura até hoje e que já matou mais de cinco milhões de pessoas em poucos anos. É a guerra com maior número de vítimas desde a II Guerra mundial. Ninguém se importa. Ninguém vai levar medicamentos, água ou comida para esses pobres desgraçados. Não vai haver nenhuma "frota da paz" nessa direção. Ninguém vai comentar em blogs.

Putin matou duzentos mil muçulmanos chechenos. Houve uma única jornalista que protestou, e terminou suicidada com dois tiros. Quanto ao resto da mídia, silêncio.

Os jordanianos mataram em um só mês (Setembro Negro) dez vezes mais palestinos do que os israelenses em 40 anos. Mesmo hoje, morrem mais muçulmanos nos conflitos sunitas versus xiitas do que no conflito com Israel. Mas se árabe mata árabe, ninguém se importa.

Há menos de um mês, um barco sul-coreano foi torpedeado e morreram 46 pessoas, e ninguém está "indignado".

Por que alguns mortos valem mais do que outros?

Agora temos o caso da tal "frota da paz". Eis seus pacíficos passageiros.

É verdade, nem todos na frota eram dessa laia. Alguns eram apenas idiotas úteis, candidatos ao troféu principal dos Darwin Awards (quem mais iria para uma zona de guerra fazer "turismo de protesto"?)

Claramente, tratava-se de uma armadilha. Israel não tinha como vencer: se deixasse os barcos passarem, perdia a moral e a segurança. Se afundasse os barcos, mesmo estando de acordo com a lei internacional (*), o país seria crucificado.

Os israelenses optaram pela opção, a meu ver equivocada, de revistar o barco com soldados, os quais foram recebidos a pauladas, como bem mostra o vídeo no post anterior. Algumas dezenas de soldados contra uma massa humana tentando linchá-los. Nessas condições, o confronto foi inevitável.

O problema poderia ter sido resolvido sem a abordagem, com tiros de advertência de um canhão, seguidos de tiros reais caso o navio continuasse. O escândalo midiático seria provavelmente o mesmo, mas não se colocaria em risco a vida de soldados, e talvez houvesse menos vítimas, já que os caídos ao mar poderiam ser resgatados.

A imagem de Israel sai arranhada, e não podia ser diferente. Israel está virando, para a mídia, a nova África do Sul. Não, não faço aquela velha e gasta comparação com o sistema do apartheid, que era algo totalmente diferente ao que ocorre hoje no Oriente Médio. Mas o país recebe internacionalmente a mesma tentativa de desqualificação total. Assim como todos estavam contra a África do Sul nos anos 80, hoje todos estão contra Israel.

Curiosamente, foi nesta mesma semana que saíram notícias sobre um suposto acordo secreto entre Israel e África do Sul, no qual Israel teria tentado (sem sucesso) vender armas nucleares ao país africano. Logo depois soube-se que as notícias eram falsas, mas não poderia ser mais clara a tentativa de igualar os dois países como párias da humanidade (ou, alternativamente, bodes expiatórios da Sempre Boa "comunidade internacional").

Israel e a velha África do Sul, na verdade, têm muito pouco em comum no que se refere à organização política, até porque Israel é uma sociedade democrática e multiracial. (E se Israel negociava com a África do Sul, era porque o bloqueio árabe deixava poucas outras opções.)

Mas, de certo ponto de vista, a antiga África do Sul e Israel podem ter sim ao menos uma coisa em comum. Se Israel pode ser visto, dependendo da ideologia, tanto como opressor de pobres palestinos ou como um minúsculo país judeu cercado por milhões de inimigos árabes, da mesma forma a África do Sul poderia ter sido vista, não só como um país de brancos malvados oprimindo negros, mas também como um país onde uma minoria branca estava cercada por milhões hostis de maioria negra.

(Não estou apoiando o apartheid, que fique claro: só observando a disparidade das populações, entre judeus e árabes em um caso, e entre brancos e negros do outro, e o ódio entre ambos. É verdade também que o desgosto da mídia é seletivo. Imagine um sistema no qual os brancos sejam oprimidos e expulsos de suas terras, quando não mortos, e pergunte-se se ocorreria o mesmo escândalo. Pois esse país existe, chama-se Zimbábue. Imagine um ou mais países onde os judeus sejam expulsos à força e percam todas as suas propriedades. Também existem, são os países árabes após 1948. Ninguém liga.)

Bem, fora isso, é claro que o apartheid era um sistema opressivo de separação racial que pouco ou nada tem a ver com o que ocorre em Israel, onde o conflito é bem outro e tem origens territoriais e religiosas muito antigas. A similitude está no fato de que, assim como negros e brancos ainda não se dão bem na África do Sul, e alguns até acham que as relações pioraram, muçulmanos e judeus continuarão a se odiar enquanto o conflito por terras e religião continuar.

Pode cantar musiquinha, pode fazer propaganda, pode tentar macumba. O problema não vai se resolver. Há certas questões que são insolúveis mesmo por canais diplomáticos, e mandar "frotas da paz" só atrapalha. Embora talvez seja essa a intenção.

Alguns dirão que a propaganda dos islâmicos venceu, que este é o "Eldorado dos Carajás" israelense. Não importa. Para todos os efeitos, a hora das Relações Públicas acabou. Não interessa mais o que os intelectuais suecos pensem de Israel. O país enfrenta o momento mais delicado desde 1948, com Hizbollah superarmado ao norte, Hamas dominando Gaza ao sul, e a possibilidade de um Irã atômico que fala abertamente em aniquilar o país sob aplausos da comunidade internacional. Agora até a ex-aliada Turquia ameaça se virar contra, e os EUA de Obama tampouco são muito amigos, tendo cancelado uma série de auxílios ao país. Não há mais tempo para posar de bonzinho. É bala na agulha. É Israel contra todos.

Se acham que exagero, basta olhar a repercussão midiática de qualquer evento envolvendo Israel. O país jamais será visto com bons olhos. Até a ajuda que deu durante o terremoto no Haiti foi criticada por alguns (diziam que os sionistas estavam lá para roubar órgãos). Que África do Sul o quê - suspeito que nem a Alemanha nazista foi tão odiada em seu tempo. O ódio contra Israel é irracional, já que o conflito Israel vs. palestinos é um conflito menor, que não tem demasiada importância geopolítica, que não afeta quase ninguém fora daquela limitada região (fora os judeus mortos em atentados terroristas islâmicos em outras cidades) e que nem causou, proporcionalmente, tantas vítimas quanto outros conflitos muito mais sangrentos. Mais muçulmanos são mortos todo ano por muçulmanos do que os que Israel jamais matou. Morrem mais pessoas em um fim de semana nas guerras do tráfico no Rio do que em Gaza. Mas, contra um vendaval de ódio, é inútil argumentar.

Sinceramente, não sei de onde vem todo esse ódio. Poucos se importam se Sri Lanka massacra os tamis, se os Chineses reprimem os tibetanos, ou se os turcos eliminam os curdos. Esses três povos vitimizados tem tanta ou mais "legitimidade" para ter um estado próprio do que os palestinos, que não é uma etnia específica e é um termo que não existia antes de 1967. Mas ninguém se importa muito com eles.

Não, Israel não é perfeito. Muitas vezes erra mais do que acerta. Ultimamente tem cometido algumas trapalhadas, e seus políticos metem os pés pelas mãos. Pode-se argumentar que cometeu vários ataques desnecessários e até crimes de guerra. É válido criticar suas políticas, assim como as de qualquer outra nação. O país não é santo -- mesmo porque não têm opção de ser. Ou resiste, ou é destruído. E não se enganem: esse é o objetivo de seus inimigos. Destruir o país, aniquilar sua população, e colocar toda a área sob controle islâmico.

É claro que alguns ficariam felizes com a destruição de Israel, assim como ficariam felizes com a destruição dos EUA, ou mesmo de todo o odiado Ocidente. A esses, tudo o que se pode dizer é: cuidado com o que deseja, pois poderá se tornar realidade. O resultado vai ser muito pior do que você pensa.


Nota:


(*) Lei Internacional:

12 June 1994
SECTION V : NEUTRAL MERCHANT VESSELS AND CIVIL AIRCRAFT
Neutral merchant vessels

67. Merchant vessels flying the flag of neutral States may not be attacked unless they:
(a) are believed on reasonable grounds to be carrying contraband or breaching a blockade, and after prior warning they intentionally and clearly refuse to stop, or intentionally and clearly resist visit, search or capture.

Humanos; demasiado humanos

Mídia Sem Máscara

Não são poucos os barcos e navios que trazem, junto com as ajudas humanitárias, armas para os terroristas. Armas brasileiras compunham um carregamento interceptado pelas Forças Militares de Israel em novembro passado.

A imprensa diz que o mundo está revoltado com a ação israelense que interceptou uma flotilha de militantes palestinos, decididos a furar o bloqueio imposto por Israel à Gaza. Contudo, é importante lembrar que o Sr. "Mundo" ainda não divulgou sua nota oficial.

É, enfim, uma guerra midiática. O bloqueio israelense visa combater o tráfico de armas para os grupos terroristas, que são armados, não esqueçamos, com a ajuda de algumas nações que agora condenam Israel.

No entanto, nesta guerra de palavras, Israel está perdendo feio. Cresce a influência dos grupos terroristas pelo Oriente Médio, sem dizer que mesmo a imprensa ocidental trata-os como partidos políticos - nenhum espanto se até as Farc conseguem justificar o tráfico de drogas e os assassinatos através da ideologia. O que se vê, portanto, é a total condenação ao uso da força por países cuja Segurança Nacional está sob ameaça; sem, por outro lado, uma palavra contra o seu uso, apelando-se ao terror, por grupos clandestinos, não atingidos por leis ou sanções internacionais, que são, exatamente, aqueles que justificam haver alguma preocupação com a segurança de uma nação.

A flotilha "Paz em Gaza" e a revolta do senhor Mundo
O fato é que as ajudas humanitárias não são entregues aos palestinos, mas ao Hamas, que as usa como um tipo de Bolsa Família. Depois, não são poucos os barcos e navios que trazem, junto com as ajudas humanitárias, armas para os terroristas. Em novembro do ano passado, uma embarcação, denominada Francop, foi interceptada pelas Forças Militares de Israel, pois carregava 500 toneladas de armamentos fornecidos pelo Irã ao Hizballah. É importante lembrar que até houve alguma divulgação pela mídia brasileira deste fato, escondendo só uma informação: armas brasileiras compunham o carregamento.

Enfim, há um bloqueio militar e os soldados israelenses que invadiram uma embarcação com ongueiros decididos a furar tal bloqueio, foram recebidos com paus e barras de ferro (http://www.youtube.com/watch?v=gYjkLUcbJWo). Humanos, demasiado humanos, inocentes e pacíficos eram aqueles tripulantes!, não é mesmo, senhor Mundo?

http://www.diogochiuso.com

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Flotilha 'humanitária'?

Mídia Sem Máscara

O incidente da flotilha "humanitária" com um dos navios cheio de armas evidencia mais uma vez que a grande imprensa global é apenas mais um aliado do terrorismo anti-Israel, pronta para espalhar desinformação assim que o comando é dado. Eis a realidade da guerra assimétrica.

A 'comunidade internacional' condena Israel por...........! Complete a frase como bem entender. Alguma novidade? Nenhuma. Tão logo ocorreu o incidente com a flotilha alegadamente humanitária espocaram os protestos monstros em todo o mundo. Quem entende do riscado sabe muito bem que tais ações exigem planejamento, convocações, transporte de ativistas, material de propaganda e instrumentos como palanques, alto-falantes, etc. Creio que estes protestos já estavam preparados com muita antecedência, desde que a flotilha foi organizada pela ONG turca Insani Yardim Vakfi, Human Rights, Liberties and Humanitarian Relief (IHH).

Segundo informe israelense do dia 27/05 o lançamento da flotilha em Istambul contou com a participação de inúmeros representantes do Hamas, entre eles Mahmad Tzoalha and Sahar Albirawi, terroristas de primeira linha operando hoje na Inglaterra, e Hamam Said, um dos líderes da Irmandade Islâmica na Jordânia.

Um estudo de Evan F. Kohlman, do Danish Institute for International Studies de 2006 (The Role of Islamic Charities in International Terrorist Recruitment and Financing) revelava que as autoridades turcas já vinham investigando a IHH desde 1997 quando fontes revelaram que seus líderes estavam comprando armas de outros grupos terroristas islâmicos. O magistrado antiterrorista francês Jean-Louis Bruguiere revelou que o Presidente da IHH, Bulent Yildrim, tinha conspirado diretamente para "recrutar soldados veteranos para a próxima guerra santa (jihad) em meados da década de 90. Alguns foram enviados para zonas de guerra para adquirir experiência em combate.

Num depoimento nos EUA, Bruguiere disse que a IHH era uma ONG, mas de um tipo usado para cobertura (cover up) para grupos terroristas, conseguindo documentos falsos, traficando armas e elaborando formas de infiltração de mujaheddins para combater.

Kohlman referia ainda que IHH esteve posteriormente envolvida em conseguir armas para terroristas sunitas no Iraque. O exame das contas telefônicas da IHH também revelaram inúmeras chamadas para uma casa de passagem da Al-Qaida em Milão e para terroristas argelinos, incluindo Abu el-Ma'ali, conhecido como o "jovem Bin Laden". Desde que o Hamas ocupou a Faixa de Gaza, a IHH organizou várias conferências de apoio na Turquia, desafiando a Autoridade Palestina. A IHH é membro da União do Bem, uma organização que congrega mais de 50 fundações islâmicas em todo o mundo encarregada de canalizar fundos para o Hamas.

A insuspeita TV Al Jazeera, um dia antes do confronto relatava que os participantes da flotilha já criavam um clima de guerra, cantando "Khaibar, Khaibar, oh judeus, o exército de Maomé voltará!". Khaibar é o nome da última aldeia judia derrotada pelo exército de Maomé em 628, onde vários judeus morreram e marcou o fim da presença judia na Península Arábica.

Há evidência de que a flotilha foi avisada que deveria seguir para Ashdod e como a resposta foi negativa a marinha israelense agiu de acordo com o San Remo Manual on International Law Applicable to Armed Conflicts at Sea (12 June 1994):

"It is permissible under rule 67(a) to attack neutral vessels on the high seas when the vessels "are believed on reasonable grounds to be carrying contraband or breaching a blockade, and after prior warning they intentionally and clearly refuse to stop, or intentionally and clearly resist visit, search or capture."

e também com os Acordos de Oslo.

Mas na verdade os objetivos da flotilha eram dois: segundo o Professor iemenita Abd Al-Fatah Nu'man: os heróis (sic) da flotilha queriam tanto atingir Gaza como a opção do martírio era ainda mais desejável para eles (ver vídeo), o que é confirmado por participantes antes da partida de Istambul.

É óbvio que nada havia de 'humanitário' naquela flotilha e nada mais Israel poderia fazer senão atacar.

Como esta flotilha poderia ter sido organizada, os ativistas reunidos assim como viveres e armas sem o conhecimento ou até mesmo o apoio do governo turco, tradicional aliado de Israel por quase sessenta anos? Há algo de podre do Reino de Recep Tayyip Erdogan. Quase certamente a IHH tem laços estreitos com o Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP), atualmente no poder. Há sérios indícios de que o AKP está na busca de duas coisas: transformar a Turquia num país fundamentalista islâmico e recuperar a antiga hegemonia sobre o Oriente Médio, perdida com a dissolução do Império Otomano e com as reformas introduzidas por Mustafa Kemal Atatürk em 1923. Para isto é preciso romper com Israel e demonstrar aos demais países islâmicos sua profunda submissão às palavras e aos atos do Profeta. Segundo estudo do Stratfor.com (A Potential Turkish-Israeli Crisis and Its International Implications) Erdogan viu na iniciativa da IHH uma oportunidade de colocar Israel numa situação difícil.

'Qualquer que fosse a solução desta crise internacional potencialmente séria a Turquia seria beneficiada. Se Israel invadir os navios a Turquia poderá iniciar uma ofensiva diplomática contra Israel. Devido à dependência da Turquia dos EUA, os turcos forçariam a estes tomarem partido, colocando os EUA numa situação difícil em relação a Ankara. Se, pelo contrário, Israel permitir que a flotilha complete sua missão representaria uma grande vitória dos turcos, elevando sua posição como uma liderança e um poder emergente'. Já Israel ficaria numa posição difícil em qualquer dos casos, deteriorando ainda mais suas relações já difíceis com a administração Obama.

Resta-nos evidentemente avaliar qual o papel do acordo Brasil-Turquia-Irã. Seria apenas uma coincidência que as negociações fossem simultâneas com a organização da flotilha 'humanitária'? Haverá alguma relação entre elas e a declaração da Agência Internacional de Energia Atômica de que o Irã já possui matéria prima suficiente para duas armas nucleares? Quando os EUA se distanciam de Israel, como tem sido feito pela administração Obama, a confrontação na região se torna mais viável. Quando os inimigos vêem Israel isolado, se tornam ais agressivos. Quando Israel se sente isolado, também, para agir em sua auto-defesa.

Obviamente, o Brasil, a Bolívia e de resto todos os países comandados pelo Foro de São Paulo também se aproveitam desta situação e, como deixei claro antes, o objetivo brasileiro de construir sua própria bomba, enriquecendo urânio nas instalações iranianas, toma mais força.

A meu ver, não é pura coincidência, são ações minuciosamente planejadas e discutidas nas viagens de Lula a Ankara, Moscou e Teerã. Veremos!

Nota do editor:

Abaixo, vídeos mostrando as armas encontradas na embarcação 'Mavi Marmara', e a gravação do aviso dado pelas Forças de Defesa de Israel (IDF) à embarcação.

Os piratas da paz

Mídia Sem Máscara

Um a um, os soldados israelenses foram recebidos pelos "militantes dos direitos humanos" a golpes de barra de ferro, facadas e pauladas. Um foi jogado ao mar. De outro retiraram o fuzil. Um linchamento, contido a tiros. Bülent Yildrim, o humanitário-pacifista-chefe turco, é amigão de Ismail Haniya, o chefão do Hamas. Aos dois conviriam alguns mártires. E agora eles os exibem ao mundo.

O choque entre a marinha israelense e a Flotilha da Liberdade levantou ondas de protesto e indignação no mundo e imediato tsunami condenatório sobre Israel. Mas a maré está baixando e emergem algumas verdades que naufragaram sob o peso do coro dos pacifistas - na verdade, piratas da paz. A primeira verdade: rejeitados apelos e propostas para evitar o confronto, já que a Flotilha da Liberdade estava decidida a furar o bloqueio militar, comandos israelenses começaram a descer por corda de um helicóptero no navio turco Mavi Marmara. Um a um, os soldados foram recebidos pelos militantes dos direitos humanos a golpes de barra de ferro, facadas e pauladas. Um foi jogado ao mar. De outro retiraram o fuzil. Um linchamento, contido a tiros.

A segunda verdade: Israel se deixou cair na armadilha. A Flotilha da Liberdade, organizada pelo movimento Gaza Livre e a ONG turca Insani Yardim Vakfi, dispunha de um canal aberto pelos israelenses para levar sua ajuda humanitária até Gaza. Só ancorar em Ashdod, passar pela alfândega e seguir pela estrada, tão curta que os mísseis do Hamas a atravessam inteira. Mas não: Bülent Yildrim, o humanitário-pacifista-chefe turco, é amigão de Ismail Haniya, o chefão do Hamas. Aos dois conviriam alguns mártires. E agora eles os exibem ao mundo.

A terceira verdade. Por que abordar a Flotilha da Liberdade? Esta era uma pergunta que se fazia ontem em Israel, país de tantos estrategistas de guerra quantos de técnicos de futebol no Brasil. A marinha poderia simplesmente bloquear o caminho. Ante alguma insistência, elevar o tom: um disparo de advertência. Teimosia? Acertar as máquinas dos navios e deixá-los singrar a esmo nas turbulentas águas políticas do Oriente Médio.

Yasser Arafat também quis navegar contra Israel. Em 1988, batizou um navio de O Retorno e o lotou de refugiados palestinos. O serviço secreto israelense o esperou ancorar em Chipre, escala também da Flotilha da Liberdade, e o sabotou ao ponto de só navegar a remo. Ironia do destino: Arafat partiu para o exílio num navio chamado Atlântida, o continente e sua Palestina perdidos. Uma opção final seria deixar um só dos seis navios ir até Gaza, sob escolta, sem considerar um precedente aberto.

A quarta verdade. Foi um massacre: durante o dia inteiro, o tsunami contra Israel rendeu bandeiras queimadas, protestos diante de embaixadas, passeatas, declarações oficiais de protesto e deixou até o nosso chanceler Celso Amorim "chocado", ele que não se abala com os mortos de Teerã e nem de Cuba. Os israelenses sempre perdem a guerra de Hasbará, palavra hebraica para esclarecimento. Quando pensam em esclarecer, o barulho da maioria automática do mundo árabe os sufoca. Em qualquer situação, serão culpados.

Uma Flotilha da Liberdade jamais tentará aportar no Irã, na Coréia do Norte ou em Havana. Há pouco tempo, os turcos ameaçavam romper com Israel se não recebessem armas israelenses que compraram.

São as contradições israelenses. Uma é armar o seu próprio inimigo. Outra: ontem à noite, membros do Conselho de Segurança da ONU pediram que Israel acabe com o bloqueio a Gaza - e foi o que Israel fez, exatamente, em 2005, para então virar o alvo de uma chuva constante de mísseis contra sua população civil - e daí o bloqueio e a Flotilha da Liberdade.



Vídeos com cenas do conflito a bordo do navio Mavi Marmara:

Moisés Rabinovici foi correspondente em Israel de 1979 a 1984 e é diretor de redação do Diário do Comércio.

Publicado originalmente no Diário do Comércio - http://www.dcomercio.com.br/Materia.aspx?id=46247

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