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domingo, 2 de janeiro de 2011

A ciência e o declínio das Artes Liberais

Mídia Sem Máscara

Ser livre - liberal - era em si uma arte, algo que se aprendia não por natureza ou instinto, mas por refinamento e educação. No centro das Artes Liberais estavam as Humanidades, a educação de como ser um ser humano.

O estado escandaloso da universidade moderna pode ser atribuído a várias deturpações que penetraram fundo nas disciplinas de Humanidades. A universidade já foi o local exato das Humanidades: educação sobre os grandes livros; hoje, é mais provável encontrar lá doutrinação em Multiculturalismo, Estudos da Deficiência, Estudos Gays, Estudos Pós-Coloniais, um monte de categorias de raça, gênero e classe. As Humanidades atualmente parecem estar se desvanecendo em presença e poder na moderna universidade, em grande parte por causa de sua irrelevância solipsística, que previsivelmente aumentou o desinteresse dos alunos por elas.

Embora os críticos do sequestro das Humanidades possam estar inclinados a ver sua nova irrelevância como um motivo para comemorar, ela deveria ser uma profunda fonte de preocupação e o estímulo para esforços renovados em insistir em seu lugar central nas Artes Liberais, corretamente entendidas. Entretanto, para recuperar o lugar de direito das Humanidades, é necessário primeiro diagnosticar as origens de sua decadência. Estas origens precisam ser vistas em um quadro amplo, não começando simplesmente no clima liberacionista dos anos 60, mas tendo um pedigree que remonta a séculos, ao invés de décadas. A crise das Humanidades na verdade começou no início da Idade Moderna, com a idéia de que uma nova ciência era necessária para substituir a "velha ciência" das Artes Liberais, uma nova ciência que não buscasse mais simplesmente entender o mundo e suas criaturas, mas transformá-las. Este impulso deu origem, primeiro, a uma revolução científica na teoria e, por fim, a uma revolução científica, industrial e tecnológica, na prática. E o mais importante: ela viabilizou teorias de racionalização e padronização de método, ao mesmo tempo em que rejeitava as pretensões mais antigas da tradição e da cultura, do culto e do credo, do mito e da ficção. Ela deu origem à prosperidade, oportunidade, abertura, descoberta e tecnologia sem precedentes - contribuindo grandemente para o que Francis Bacon chamou de "o alívio da condição do homem." Mas, ao mesmo tempo, ao suprimir as Humanidades, ela tornou a humanidade cada vez mais sujeita a um tipo de hubris incontrolável. Infelizmente, a ciência moderna aspira a transcender o domínio da natureza rumo ao domínio da natureza humana, a última fronteira para seu domínio. A supressão das Humanidades levou inevitavelmente a um desdém gnóstico pelo humano.


Uma diferente concepção de conhecimento se encontrava anteriormente no coração da educação liberal. Ela era pré-moderna em suas origens, e era principalmente religiosa, cultural; sua autoridade emanando das tradições de fé e práticas culturais que uma geração buscava passar para a próxima. Ela ainda existe em muitos campi como um palimpsesto que um olho atento ainda consegue ler - os prédios góticos; os títulos de "professor," "deão," "reitor"; as becas flutuantes, vestidas uma ou duas vezes por ano em ocasiões cerimoniais - estas e outras presenças e práticas remanescentes são fragmentos de uma tradição mais velha, ainda bem viva na maioria dos campus universitários, mas lembretes, entretanto, do que um dia já foi o espírito animador destas instituições.

Durante séculos, as disciplinas humanísticas estiveram no coração da universidade; embora as ciências fossem parte integral da educação original nas Artes Liberais, estas últimas, sim, eram consideradas a principal via rumo a um entendimento da ordem natural e criada da qual a humanidade era a corôa. Reconhecendo o homem como o objeto mais merecedor de estudo, mas, pela mesma razão, o mais desafiador, esta tradição mais velha procurava adotar uma ética de humildade: buscar entender ao mesmo tempo em que admite a insuficiência da capacidade humana para algum dia entender completamente.

"A ciência mais velha" reconhecia que uma característica única do homem era sua capacidade para a liberdade: não movido pelo simples instinto, o homem era singular entre as criaturas por sua habilidade em escolher, em dirigir e ordenar conscientemente sua vida. Esta liberdade, como entendida pelos antigos e pelas religiões bíblicas, estava sujeita a mal-uso e excesso: algumas das histórias mais velhas de nossa tradição, inclusive a história da queda do Éden, falavam da propensão humana a usar mal a liberdade. Entender a nós mesmos era entender como usar bem nossa liberdade e especialmente como controlar apetites que pareciam insaciáveis. As Artes Liberais reconheciam que a submissão a estes apetites sem limites resultaria na perda de nossa liberdade e refletiriam nossa escravização ao desejo. Elas buscavam encorajar aquela tarefa difícil de negociar o que era permitido e o que era proibido, o que constituía o mais alto e melhor uso de nossa liberdade e quais de nossas ações eram hubrísticas, imorais, erradas. Ser livre - liberal - era em si uma arte, algo que se aprendia não por natureza ou instinto, mas por refinamento e educação. No centro das Artes Liberais estavam as Humanidades, a educação de como ser um ser humano. Cada nova geração era encorajada a consultar as grandes obras de nossa tradição, os vastos poemas épicos, as tragédias e comédias clássicas, as reflexões dos filósofos e teólogos, a Palavra revelada de Deus, os livros incontáveis que buscaram nos ensinar o que era ser um humano - sobretudo, como usar bem nossa liberdade.

A Ascensão da Multiversidade
No século XIX, as instituições americanas de ensino superior começaram a emular as universidades alemãs, dividindo-se em disciplinas especializadas e enfatizando a especialização e a descoberta de novos conhecimentos. As bases religiosas da universidade se dissolveram, a visão abrangente que a religião tinha oferecido não era mais um guia. O que tinha sido o princípio organizador para os esforços da universidade - a tradição da qual a faculdade recebia sua vocação - foi sistematicamente desmontada. Na parte central do século XX, uma ênfase renovada no treino científico e na inovação tecnológica - estimulados por investimentos maciços do governo nas "artes e ciências úteis" - reorientaram ainda mais muitas das prioridades do sistema universitário.

Quando os críticos conservadores de nossas universidades lamentam hoje o declínio da educação liberal, eles deploram sua substituição por uma agenda politizada tendente à esquerda. Mas a verdade mais profunda é que a educação liberal foi mais fundamentalmente substituída por uma educação científica fortalecida pelas demandas da competição global. Embora os conservadores talvez quisessem dividir a culpa com aquelas faculdades cada vez mais irrelevantes cujo pós-modernismo tinha se tornado uma forma de ortodoxia institucional antiquada, a verdade é que a ascensão deste tipo de faculdade foi uma resposta a condições que já estavam tornando a educação liberal irrelevante, um esforço auto-destrutuvo para tornar as Humanidades "atuais." Estes supostos radicais - na maior parte ex-filhos burgueses dos anos 60 - não eram agentes de libertação, mas antes, sintomas do negligenciamento das Artes Liberais no amanhecer de uma nova era de ciência reforçada por competição global.

Declarando a idéia da universidade estar se tornando um arcaísmo, o reitor da Universidade da Califórnia, Clark Kerr, saudou, em suas Palestras de Godkin, de 1963 (mais tarde expandidas e publicadas como o imensamente influente As Utilidades da Universidade), a ascensão de um novo sistema, a Multiversidade, uma entidade "central na industrialização posterior da nação, para aumentos espetaculares na produtividade com a riqueza subsequente, para a extensão substancial da vida humana e para a supremacia militar e científica mundiais." Os incentivos e motivações da faculdade seriam cada vez mais adequados ao novo imperativo científico de criar conhecimento novo: a instrução na faculdade enfatizaria a criação de trabalho original, e a cátedra seria alcançada através da publicação de um corpus de tal trabalho e a aprovação de especialistas avançados da área. Nascia um mercado de contratação e recrutamento universitários.

A Universidade deveria ser reestruturada para incentivar a motivação e o progresso. Os reformadores educacionais seguiram a liderança de John Dewey, ao lutar para substituir a "leitura de livros" com a ação. Entendeu-se que o passado oferecia pouca orientação em um mundo orientado em direção ao progresso futuro. Dewey sustentou que

isto que se ensina [hoje] é considerado essencialmente estático: É ensinado como um produto acabado, com pouca relação seja com os modos como foi construído ou com as mudanças que certamente ocorrerão no futuro. É, em grande medida, o produto cultural de sociedades que supuseram que o futuro seria bastante parecido com o passado, e é usado, entretanto, como alimento educacional em uma sociedade onde a mudança é a regra, não a exceção.

No coração da velha universidade estava a biblioteca, normalmente um belo prédio e quase sempre ocupando um lugar central no campus, a par de seu lugar central na transmissão da cultura e da tradição. Na exposição de Dewey, o lugar de preeminência era, ao invés disto, ocupado pelo laboratório. (Na verdade, John Dewey começou o Colégio Laboratório em Chicago, substituindo um currículo baseado em livros por um "aprendizado experimental".) Cursos centrais - formados originalmente pelo entendimento do que as gerações mais velhas tinham vindo a considerar necessário para a formação de seres humanos completos - foram cada vez mais substituídos ou por "requisitos de distribuição" ou nenhum requisito sequer, na crença de que os jovens alunos seriam livres para estabelecer seu curso de estudos de acordo com suas próprias luzes.

Em resposta a estas mudanças tectônicas, as Humanidades começaram a questionar seu lugar na universidade.

Os que a exerciam ainda estudavam os grandes textos, mas se o exercício permanecia o mesmo, o objetivo era cada vez menos claro. Ainda tinha sentido ensinar aos jovens os desafios instrutivos de como usar bem a liberdade, se cada vez mais o mundo científico parecia tornar aquelas lições desnecessárias? Seria possível uma abordagem baseada na cultura e na tradição continuar relevante em uma época que valoriza, acima de tudo, inovação e progresso? Como as Humanidades poderiam provar seu valor, aos olhos dos administradores e do público mais amplo?

Liberalismo e Libertação
Estas dúvidas dentro das Humanidades tornaram-se um canteiro fértil para tendências auto-destrutivas. Informados por teorias heideggerianas que davam primazia à libertação da vontade, primeiro o pós-estruturalismo, e depois o pós-modernismo criaram raízes. Estas e outras abordagens, embora aparentemente hostis às pretensões racionalistas das ciências, foram encampadas, devido à necessidade de se adaptar às reivindicações acadêmicas sendo feitas pelas ciências naturais, especialmente por conhecimento "progressista."

A faculdade podia demonstrar seu progressismo mostrando como eram retrógrados os textos; elas podiam "criar conhecimento" mostrando sua própria superioridade sobre os autores que estudavam, elas podiam exibir seu anti-tradicionalismo atacando os próprios livros que eram a base de sua disciplina. Filosofias que pregavam a "hermenêutica da desconfiança," que exultavam em expor o modo como os textos foram profundamente informados por preconceitos não igualitários, e que até questionavam a idéia de que os textos continham qualquer "ensinamento" que fosse, ofereceram às Humanidades a possibilidade de provar serem elas mesmas relevantes nos termos estabelecidos pela abordagem científica moderna. Adotando um jargão conhecido apenas por alguns "especialistas", elas podiam emular o sacerdócio científico - traindo a lei original das Humanidades de guiar os alunos através da herança cultural e dos ensinamentos dos livros clássicos. Os professores de Humanidades mostraram seu valor destruindo a coisa que estudavam.

Subjacente a esta auto-imolação estava uma aceitação do entendimento moderno da liberdade. Para as Humanidades, há muito a liberdade tinha sido entendida como uma realização da disciplina severa, uma vitória sobre o apetite e o desejo. Mas no século XX, as Humanidades adotaram o entendimento moderno e científico, que sustenta que a liberdade é constituída pela remoção dos obstáculos, pela superação dos limites, pela transformação do mundo - seja o mundo da natureza ou a natureza da própria humanidade. Assim, a educação passou a ser vista como um processo de libertação do auto-controle. A pós-modernidade procurou expor todas as formas de poder e controle, dando a entender que a condição humana ideal era a da completa liberdade - até a liberdade daquilo que um dia foi considerado humano.

E assim, no esforço de superar seus rivais científicos, as Humanidades se tornaram a mais ubiquamente liberativa das disciplinas, desafiando (embora de forma inepta) até a legitimidade do empreendimento científico. As condições naturais - tais como as inescapavelmente ligadas aos fatos biológicos da sexualidade humana - passaram a ser consideradas como "socialmente construídas," inclusive o "gênero" e a "heteronormatividade." A natureza não é mais um parâmetro em sentido algum, já que a natureza agora é manipulável. Por que aceitar qualquer um dos fatos da biologia, se estes "fatos" podem ser alterados? Se o homem tiver algum tipo de "natureza", então a única característica permanente que parecerá aceitável será a centralidade da vontade - a afirmação crua de poder por sobre quaisquer constrangimentos ou limites que poderiam limitar a ele e às possibilidades sem fim de auto-reprodução daquela.

As circunstâncias atuais apenas aceleraram a morte das Humanidades. Na ausência de defensores vigorosos de sua existência nos campi, hoje em dia, a combinação de exigências de "utilidade" e "relevância", paralelamente à realidade de orçamentos em retração, provavelmente tornarão as Humanidades uma parte ainda menor da universidade. Elas persistirão, de alguma forma, como uma vitrine de butique, um ornamento que indica respeito pela alta erudição, mas a trajetória das Humanidades continua sendo declinante.

Embora poucos professores de Humanidades agora consigam expor razões para protestos, eu prefiro pensar que as Humanidades de antigamente seriam capazes de se sair com uma argumentação poderosa contra esta tendência. O alerta seria muito simples: no fim do caminho da libertação está a escravidão. A libertação de todos os obstáculos é, no fim, ilusória, porque o apetite humano é insaciável e o mundo é limitado. Sem domínio sobre nossos desejos, nós seremos eternamente movidos por eles, nunca satisfeitos com sua posse.

A resposta da liderança de nossa nação e nossas instituições de ensino superior à recente crise econômica não é promissora, a este respeito. Ausente da tentativa de dominar a situação com ferramentas pseudo-científicas - os apelos por regulamentação, por melhor conhecimento técnico dos mercados financeiros - está uma simples porém esquecida verdade moral: Nós não podemos viver além de nossos meios.

Nas faculdades de todo o país, bancas de discussões organizadas por causa da crise econômica têm deplorado coisas como a ausência de supervisão, um regime regulatório leniente, a incompetência das entidades públicas e privadas em distribuir crédito ou desenvolver produtos financeiros complexos. Mas qual reitor ou líder de universidade admitiu que havia alguma culpabilidade da parte de sua própria instituição por falhar em educar bem seus alunos? Afinal de contas, foram os melhores universitários das instituições de elite da nação que ocupavam as posições de prestígio nas instituições financeiras e políticas de todo o país e que ajudaram a precipitar esta crise. Nossas universidades tomam crédito prontamente por seus estudiosos de Rhodes e vencedores do prêmio Fulbright. E aqueles universitários que ajudaram a cultivar um ambiente de ganância e golpes para enriquecimento rápido? Será que temos tanta certeza assim de que eles não aprenderam perfeitamente bem as lições que receberam na faculdade?

Para Recuperar a Educação Liberal
Se quisermos evitar os excessos da modernidade - o achatamento do espírito, uma ética do consumo, a dilapidação dos recursos do mundo - nós devemos tentar restaurar as Artes Liberais. Embora tenha restado uma grande miscelânea de Faculdades de Artes Liberais, a maioria das instituições de Artes Liberais se baseou profundamente nos pressupostos da perspectiva científica. A contratação e a promoção são feitas cada vez mais de acordo com as exigências da produtividade de pesquisa. Os departamentos e as faculdades de Artes Liberais operam à sombra das principais instituições de pesquisa, nas quais as prioridades aparentemente científicas dominam - e então elas internalizaram estas prioridades, mesmo que não se adequem bem ao cenário das Artes Liberais. O resultado é que muitas destas instituições aspiram incoerentemente ao status de elite macaqueando as universidades de pesquisa.

Entretanto, seu reestabelecimeno não está totalmente fora do alcance. Quando consideramos a história das Artes Liberais, reconhecemos corretamente uma variedade de instituições diferentes, a maioria com filiação religiosa (ao menos passada). A maioria foi formada tendo alguma relação com as comunidades nas quais foram construídas - fosse por suas tradições religiosas, pela a atenção dada aos tipos de perspectivas profissionais que a economia local permitiria, por uma íntima associação com os "anciãos" da localidade, por uma forte identificação com o lugar ou por um possível corpo estudantil atraído da vizinhança. A maioria procurava uma educação liberal não para libertar seus alunos do local e do "ancestral," mas para imergi-los nas tradições de que eles vieram, aprofundando seu conhecimento das fontes de suas crenças, buscando devolvê-los a suas comunidades, onde se esperará deles que contribuam para o bem-estar cívico e a continuidade.

Até o século XX, a maior parte das instituições de Artes Liberais clássicas fundadas dentro de uma tradição religiosa exigiam não só conhecimento dos grandes textos da tradição - incluindo (e especialmente) a Bíblia - mas um comportamento correspondente que constituía um tipo de "habituação" às virtudes aprendidas em sala de aula. A frequência compulsória na capela ou na missa, regras para a interação entre alunos e alunas, atividades extra-curriculares supervisionadas por adultos e os cursos obrigatórios de filosofia moral (muitas vezes ministrados pelo diretor da respectiva faculdade) buscavam integrar as Humanidades e os estudos religiosos da sala de aula com a vida diária dos alunos.

Baseada em um entendimento clássico ou cristão da liberdade, esta forma de educação foi empreendida com vistas a enfocar nossa dependência - não nossa autonomia - e nossa necessidade de auto-controle. Como o ensaísta e agricultor Wendell Berry escreveu, os limites

não são a condenação que podem parecer. Pelo contrário, eles nos devolvem a nossa real condição e nossa herança humana, da qual nossa auto-definição como animais ilimitados há muito nos amputou. Toda tradição religiosa de que tenho conhecimento, mesmo reconhecendo nossa natureza animal, nos define especificamente como humanos - ou seja, como animais (se esta palavra ainda se aplicar) capazes de viver não só dentro de limites naturais, mas também dentro de limites culturais auto-impostos. Como criaturas terrenas, nós vivemos, por necessidade, dentro de limites naturais, que podemos descrever por nomes tais como "Terra", "ecossistema". "bacia hidrográfica" ou "lugar." Mas como humanos, nós podemos escolher responder a esta localização necessária por meio dos auto-limites aos quais a sociabilidade, o bom governo, a parcimônia, a temperança, o zelo, a gentileza, a amizade, a generosidade e o amor obrigam.

Uma educação baseada em um conjunto de condições culturais partiria da natureza e operaria em concordância com ela, por meio de atividades como a agricultura, o profissionalismo, o serviço religioso, a ficção, a memória e a tradição; ela não buscaria a rendição da natureza. Ela adotaria como responsabilidade fundamental a transmissão da cultura - não sua rejeição ou transcendência. Evitaria o tipo de filosofia desenraizada recomendada por uma educação baseada num mero "pensamento crítico" e não se curvaria à trajetória intelectual exigida por nosso sistema econômico global.

Por fim, uma educação liberal restaurada não seria uma libertação do "ancestral" ou da natureza, mas uma educação sobre os limites que a cultura e a natureza nos impõe - uma educação sobre como viver de um modo que não nos tente rumo a formas prometéicas de auto-engrandecimento individual e generacional. E particularmente numa era em que nos familiarizamos cada vez mais com as consequências de viver somente no e para o presente, quando muitos de nós não conseguimos viver dentro de nossos meios -seja financeira ou ambientalmente - , nós nos beneficiaríamos com uma restauração do entendimento correto da liberdade: não como uma libertação dos limites, mas antes como uma capacidade de nos controlarmos. Este auto-controle, igualmente recomendado por tradições antigas e religiosas, torna possível uma forma de liberdade mais verdadeira - liberdade da escravidão em relação a nossos apetites e à força destruidora deles.



Patrick J. Deneen é professor adjunto de Ciências Políticas na Universidade de Georgetown, onde ocupa a Cadeira de Estudos Helenisticos Markos e Eleni Tsakopoulos-Kounalakis e é diretor-fundador do Fórum Tocqueville sobre as Raízes da Democracia Americana.

Tradução e links do blog DEXTRA.

Nosso agronegócio sob a tutela do Greenpeace BB vetará crédito a sojicultor que estiver plantando em áreas recém-derrubadas da floresta.

Denis Lerrer Rosenfield - 30/12/2010 - 20h10

Diário do Comércio

Passou desapercebido, não tendo sido sequer noticiado, um convênio assinado entre o Greenpeace, a ABAG (Associação Brasileira do Agronegócio) e o Banco do Brasil. O seu teor reside em condicionar o financiamento do Banco do Brasil a empresas do agronegócio à obediência de determinadas diretrizes ambientais que seriam certificadas pelo Greenpeace, que se tornaria, então, o intermediário entre a instituição financeira e empresas do agronegócio. A notícia consta do site do Greenpeace, como tendo acontecido no dia 1º de dezembro em Brasília.

Assinaram o convênio o coordenador do Grupo de Trabalho da Soja (GTS) Paulo Adario, do Greenpeace, Carlos Lovatelli, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, e o vice-presidente de Agronegócios do Banco do Brasil, Luís Carlos Guedes Pinto. Nos termos do acordo, o "Banco do Brasil (BB) anunciou hoje [1º de dezembro] que vetará o crédito rural a fazendeiros de soja que estiverem plantando em áreas recém-derrubadas da floresta".

A mensagem soa ambientalista, politicamente correta, quando, na verdade, introduz uma grande novidade, a de que caberá ao Greenpeace determinar quais áreas teriam sido derrubadas ou não, segundo os seus próprios critérios e interesses. O objetivo imediato dessa ONG consiste em que outras instituições financeiras sigam o exemplo do BB, vindo, desse modo, a garrotear completamente o setor da agricultura e da pecuária, que passaria a depender de uma entidade global, hierarquizada internacionalmente, veiculando também provavelmente interesses de empresas e entidades de outros países que competem com o agronegócio brasileiro.

Utilizam, na verdade, o selo ambiental do politicamente correto para cercearem, cada vez mais, esse setor da economia brasileira, no caso, inclusive, com o apoio de um banco público, o que não deixa de ser absolutamente curioso, para não dizer paradoxal. AABAG está, consoante com a atuação internacional dessa ONG, caindo na armadilha ambientalista, devendo pagar o preço por isto no futuro. Ou seja, o que estaria por trás disso poderia ser uma campanha internacional empreendida contra a soja brasileira, do tipo "empresas de soja vendem produtos frutos da devastação da Amazônia", que teria forçado uma entidade empresarial a se subordinar a tais injunções.

Uma ONG internacional passa, então, a monitorar um setor do agronegócio com apoio de uma estatal. Trata-se do melhor dos mundos para essa ONG. E para o Brasil? Imaginem o Banco do Brasil financiando apenas projetos de agricultura e pecuária a partir de uma certificação de "naturalmente" corretos, fornecida pelo Greenpeace. Essa ONG viria a ter um poder enorme, cumprindo uma função de intermediação entre empresas e a instituição bancária.

Como se nada estivesse acontecendo, uma ONG que recebe ordens e orientações de sua sede na Holanda, segundo livros que tratam do assunto, publicados na França, começa a interferir diretamente nas negociações entre empresas, entidades empresariais e o BB.

Antes disto, o Greenpeace já tinha conseguido conquistar espaços junto à opinião pública brasileira e, especialmente, junto a algumas grandes empresas de supermercado, colocando-se como defensora da natureza, contra o desmatamento e, por via de consequência, como capaz de certificar se a pecuária brasileira é ou não causa de devastação ambiental. Refiro-me ao fato dessa organização ter assinado um acordo com uma grande rede comercial para certificar se o gado nela vendido, sobretudo vindo da região Norte, especificamente do Pará, é ambientalmente limpo. Ou seja, ela vem a funcionar como um órgão estatal, exercendo prerrogativas que deveriam ser do Ministério da Agricultura ou do Ministério Público.

Conquista, assim, um grande poder, podendo exercer uma influência enorme sobre os pecuaristas que se tornariam, então, reféns dela. Outra frente de sua atuação é a luta contra a revisão do Código Florestal. O seu mote é o mesmo: contra o desmatamento que seria produzido por essa revisão. Ora, não convém esquecer que o Relatório do Deputado Aldo Rebelo se posiciona contra o desmatamento, apresentando, mesmo, um prazo de 5 anos para que não haja novas zonas de desmatamento.

Nesse ínterim, as alterações legislativas seriam feitas e novos estudos produzidos. As pressões exercidas por essa ONG foram fortes quando da elaboração e discussão do Relatório e tendem, agora, com sua votação no início do próximo ano, a crescer.

O deputado Aldo Rebelo já fez manifestações contra a ação aos seus olhos nefasta dessa organização, assinalando a sua vinculação com empresas e governos estrangeiros, que procuram diminuir a competitividade da agricultura e pecuária brasileiras. O lema desses governos e entidades empresariais é: "Farms here (nos EUA), Forests there (no Brasil)".

Na França, graças a seu trabalho de cerceamento de empresas que trabalham com produtos florestais, como madeira, essa ONG conseguiu, inclusive, se colocar como certificadora da madeira proveniente do Brasil.

A empresa francesa, no caso, é Lapeyre, tendo o Greenpeace utilizado o seguinte lema: "Lapeyre destrói a Amazônia". Note-se que a empresa, quando a ONG começou a campanha contra ela, não soube reagir, não tendo partido para a disputa junto à opinião pública. No final, teve de curvar-se diante do Greenpeace, aceitando suas condições, porque começou a amargar grandes prejuízos.

Como a campanha de formação da opinião pública tinha sido bem sucedida, os clientes dessa empresa passaram a desertar. A forma de ação da ONG consiste em se apresentar com o "moralmente superior" em relação às empresas, que passariam por inescrupulosas. O silêncio da empresa francesa, no início do processo midiático contra ela, valeu-lhe grandes danos empresariais, além de ter o Greenpeace como um "interlocutor" que lhe dita condições de atuação. É isto que almejamos para o Brasil em 2011?

Denis Lerrer Rosenfield é professor de Filosofia na UFRS

http://www.dcomercio.com.br/materia.aspx?id=59392&canal=14

Como lutar e vencer a guerra cibernética

Mídia Sem Máscara

Richard Clarke sustenta em seu livro que a China é um dos principais atores no desenvolvimento de uma capacidade militar cibernética. Os chineses usam hackers particulares para se engajarem na penetração em larga-escala das redes americanas e européias, copiando e exportando com sucesso um volume imenso de dados.


Vários anos atrás, durante a presidência de George W. Bush, muitos bancos e empresas de Wall Street foram derrubadas da internet. O setor financeiro, que há muito se considerava que tinha as melhores defesas contra as infecções no setor privado, descobriu que seus computadores tinham sido penetrados por um "verme" [worm], assim chamado porque um vírus criado em um só computador pode abrir caminho, como um verme, para milhões de outros. O sr. Bush pediu ao secretário do tesouro, Hank Paulson, que verificasse o que seria necessário para proteger nossas infraestruturas vitais. O resultado foi que passos foram dados para fortalecer as redes militares, mas muito pouco foi feito além disto.

O mais escandaloso no prejuízo causado pelo Wikileaks - ainda mais do que os assuntos individuais das manchetes - é que ele mostra de forma dramática o quanto ainda somos vulneráveis. A digitalização tornou mais fácil do que nunca violar mensagens e descarregar volumes imensos de informações... Nossos sistemas de informação tornaram-se os mais agressivamente atingidos no mundo. A cada ano, os ataques aumentam em severidade, frequência e sofisticação. Em 4 de julho de 2009, por exemplo, houve um ataque a sites do governo americano - incluindo a Casa Branca -, bem como a Bolsa de Valores de Nova Iorque e o Nasdaq. Houve ataques semelhantes naquele mês a sites da Coréia do Sul. Em 2008, nossas redes secretas, que pensávamos ser invioláveis, foram violadas. Três jovens hackers conseguiram roubar 170 milhões de números de cartões de crédito antes que o chefe da quadrilha fosse preso, em 2008.

A internet foi planejada originalmente para milhares de pesquisadores, não bilhões de usuários que não se conheciam nem confiavam uns nos outros. Os designers priorizaram mais a descentralização do que a segurança. Eles nunca sonharam que a internet pudesse ser usada para objetivos comerciais ou que ela terminaria por controlar sistemas vitais e sustentaria o mundo das finanças. Então, não surpreende que os criadores da internet se satisfizessem com uma rede de redes ao invés de redes separadas para o governo, as finanças e outros setores.

Um símbolo para muitos da comunicação aberta da cultura americana, a internet acabou por tornar-se uma faca de dois gumes. Nossos amplos sistemas de redes facilitam o controle de oleodutos, linhas aéreas e estradas de ferro eles impulsionam o comércio e o sistema bancário privado. Eles nos dão acesso rápido a registros médicos e criminais. Mas eles também oferecem um alvo crescente para terroristas e ladrões.

A maioria das vítimas de programas maliciosos foram vítimas do chamado phishing, no qual criminosos, fingindo ser funcionários de bancos, por exemplo, convencem os incautos a revelar o número de suas contas e senhas. Mas os combatentes cibernéticos podem causar danos em uma escala muito maior, como o ex-czar da Casa Branca para o contra-terrorismo, Richard Clark, aponta em seu livro revelador "CyberWar" [Guerra Cibernética], publicado este ano. Eles são capazes de infiltrar estas redes e movimentar dinheiro, derramar petróleo, liberar gás, explodir geradores, descarrilar trens, derrubar aviões, fazer mísseis detonarem e apagar montes de dados financeiros e circulantes. Pode-se criar o caos num piscar de olhos, a partir de locais remotos em outros continentes. Grupos criminosos, estados-nações, organizações terroristas e militares estão trabalhando, sugando imensas quantidades de dados dos setores público e privado americanos.

Outra ameaça preocupante é a negação distribuída de ataque de serviço, uma enchente de tráfego de internet especialmente planejada para derrubar ou congestionar redes. Hackers usando códigos maliciosos de computador são capazes de mobilizar um "botnet" (ou rede robô) de centenas de milhares de máquinas, que visitam simultaneamente certos sites e os derrubam.

Mais recentemente, um vírus que ataca equipamentos industriais especiais tornou-se amplamente conhecido como o ataque de "Stuxnet". Este é o vírus que, neste outono, teria infiltrado os computadores que controlam as instalações das centrífugas nucleares do Irã, retardando assim (ou mesmo destruindo) seu programa de armas nucleares (aquele que o Irã nega ter). É a primeira super-arma cibernética que se conhece no mundo, especialmente projetada para destruir um alvo do mundo real.

Igualmente, muitos acreditam que a imobilização de centenas de sites vitais na Geórgia independente, em 2008, foi uma operação do governo russo, acompanhando sua guerra cinética em apoio às regiões separatistas na ex-república soviética. Em um ataque cibernético à Coréia do Sul, ano passado, um número estimado de 166 mil computadores de 74 países inundaram os sites e bancos e agências de governo coreanas, congestionando seus cabos de fibra ótica.

Mr. Clarke sustenta em seu livro que a China é um dos principais atores no desenvolvimento de uma capacidade militar cibernética. Os chineses usam hackers particulares para se engajarem na penetração em larga-escala das redes americanas e européias, copiando e exportando com sucesso um volume imenso de dados. Isto, além de sua capacidade de atacar e degradar nossos sistemas de computadores e derrubar nossas redes vitais. Ele acredita que os segredos por trás de tudo, de fórmulas farmacêuticas, projetos de bioengenharia e nanotecnologias até sistemas de armas e produtos industriais do dia-a-dia têm sido roubados pelo exército chinês ou por hackers particulares, que, por sua vez, os entregam à China.

Os Estados Unidos fizeram muito pouco para reforçar a segurança das redes que impulsionam nossa economia. Precisamos urgentemente desenvolver softwares defensivos para proteger estas redes e criar barreiras impermeáveis à difusão de programas maliciosos. A convergência de rede - transportar todas as comunicações em uma estrutura de rede comum - aumenta as oportunidades para ataques cibernéticos disruptivos e suas consequências. Hackers e combatentes cibernéticos estão constantemente planejando novos meios de enganar os sistemas.

Não são muitas as pessoas que percebem que toda as forças do ar, terra e mar de nosso país dependem de tecnologias de rede que estão vulneráveis a armas cibernéticas, incluindo logística, comando e controle, posicionamento de esquadras e seleção de alvos. Se elas forem comprometidas ou obliteradas, as forças armadas americanas seriam incapazes de operar. E não ajuda o fato de haver uma desproporção entre ofensiva e defensiva. O programa malicioso médio tem cerca de 75 linhas de código, que pode atacar softwares que usam entre 5 e 10 milhões de linhas de código.

Hoje, é incrivelmente difícil descobrir a fonte de um ataque e isto, por sua vez, inibe nossa capacidade de processar os malfeitores ou retaliar. Programadores mal-intencionados sempre conseguem achar pontos fracos e desafiar as medidas de segurança. Quem se defende está sempre correndo atrás de quem ataca.

A tarefa é de uma tal escala que ela requer nada menos do que um Projeto Manhattan super-nutrido, do tipo que quebrou as barreiras científicas para a bomba que acabou com a Segunda Guerra Mundial. Nossas vulnerabilidades estão crescendo exponencialmente. O terrorismo cibernético representa uma ameaça igual a das armas de destruição em massa. Um ataque em larga escala criaria um grau inimaginável de caos nos Estados Unidos.

Precisamos pensar em ataques cibernéticos como em mísseis guiados e responder de forma semelhante - interceptá-los e retaliar. Isto significa que precisamos de uma agência federal dedicada a defender nossas várias redes. Não se pode esperar que o setor privado saiba como - ou tenha o dinheiro - para nos defender de um ataque de um estado-nação em uma guerra cibernética. Uma sugestão recomendada pelo sr. Clarke é que o governo crie uma Secretaria da Defesa Cibernética. Ele tem razão. Está claro que defender os Estados Unidos de ataques cibernéticos deveria ser um de nossos objetivos estratégicos primordiais.

Poucas nações usam redes de computadores de forma tão ampla quanto nós para controlar redes de energia, linhas aéreas, estradas de ferro, sistema bancário e suporte militar. Poucas nações têm mais destes sistemas sendo possuídos e operados pela iniciativa privada. Como no caso do 11/9, não podemos nos dar ao luxo de uma resposta demorada.


Mortimer Zuckerman é presidente e editor-chefe do U.S. News & World Report.

Original: How to Fight and Win the Cyberwar

Mortimer Zuckerman : The Wall Street Journal, 6 de dezembro de 2010

Tradução e links:Dextra

Feliz Ano Velho

Mídia Sem Máscara

A crise econômica que se avizinha pode redundar em crise política para uma governante estreante em tudo e de legitimidade bastante inferior à de Lula.

O encerramento do governo Lula e a posse da presidente Dilma são fatos que nos colocam o desafio de conjecturar o que esperar do ano novo. Estou pessimista, menos pela troca de comando do que pelos fatos da conjuntura. A troca de governante, todavia, deve ser encarada também como sintoma de um tempo que se completou e da abertura de um novo ciclo. Creio que o governo Lula encerra um momento de grande prosperidade, que nada teve a ver com o seu governo. Simplesmente uma conjunção de fatores internacionais favoreceu e, a despeito de suas tolices e dos seus erros, a coisa andou bem para o Brasil.

Dilma assume sob outro signo. Os tempos agora são desfavoráveis. A Europa está colocada diante de um desmonte fiscal que poderá trazer a recessão profunda e prolongada em seu território. Os EUA não estão menos desfavorecidos, sob o desafio da recessão e da inflação. E da inação de Barack Obama, que parece ser esgotado sua política. Ele não sabe o que fazer. A China está agora ameaçada pela inflação e tem que tomar deveras medidas de contenção. O somatório de tudo isso é que o ano de 2011 poderá ser o pior, em termos econômicos, em uma década.

Não menos relevante é o cenário interno, de explosão dos gastos públicos, desaparecimento do superávit primário do governo, do gigantesco déficit nas contas internacionais (ainda financiável pelo exorbitante taxa de juros que se paga aos capitais externos que por aqui aportam), a sempre ameaçadora inflação que, a despeito do câmbio, teima em se elevar. A Dilma Rousseff, se ela tiver um pingo de responsabilidade e senso público, só caberá o puxar do freio de mão, para deter a orgia dos gastos públicos e o descontrole de todas as contas.

Bem sabemos que um cenário de retração como esse não é tranqüilo. Os conflitos serão inevitáveis. A tal base do governo é gastadora e insaciável e sempre raciocina como se a lei da escassez não existisse, mas ela, de uma forma ou de outra, se impõe, sempre. A crise econômica que se avizinha pode redundar em crise política para uma governante estreante em tudo e de legitimidade bastante inferior à de Lula. Governante fraca em meio a uma crise econômica e política é uma situação bastante perigosa.

E ainda tem a agenda de reformas que o PT quer perseguir, a começar pela reforma política, fadada a ser rejeitada. E o tal Plano Nacional dos Direitos Humanos, não menos problemático. E a reforma nas leis que regulam a liberdade de imprensa. Como vivemos o auge de uma república sindicalista, o encontro de crise econômica, crise política, inflação, déficit crescente com o mercado externo e a ausência de pulso forte da governante pode levar o país à convulsão de greves intermináveis. E, também, à paralisia no Legislativo.

A roda girou e sua posição agora não é nada favorável. É esperar para ver. O ano novo promete muitas emoções, mas também desespero. Quem viver verá.

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