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terça-feira, 26 de maio de 2009

Papéis avulsos – Heitor de Paola


Um novo e valioso livro sobre o KGB

AIM Column | POR Herbert Romerstein | 13 de maio de 2009

O novo livro Spies, The Rise and Fall of the KGB in America por John Earl Haynes, Harvey Klehr, e Alexander Vassiliev (Yale University Press, New Haven & London, 2009) nos fornece valiosas novas informações sobre como o KGB penetrou no governo Americano nas décadas de 30 e 40. Ele vem para enriquecer nosso conhecimento anterior, inclusive os arquivos interceptados do Caso Venona (Comunicações entre a Inteligência Soviética nos Estados Unidos e Moscou durante a Segunda Guerra Mundial, disponíveis no website da Agência Nacional de Segurança) os arquivos do FBI mostrando a longa investigação sobre a relação entre a KGB e o Partido Comunista Americano na década de 30 e por anos depois (disponível no website da Stan Evans’ Education and Research Institute) e o extenso trabalho sobre a espionagem soviética no Comitê sobre Atividades não Americanas da Câmara, o Sub-comitê sobre Segurança Interna no Senado, e o Sub-comitê de Investigação no Senado, do senador Joseph McCarthy. As transcrições impressas das audiências no Senado e na Câmara podem ser encontradas em qualquer boa livraria.

O livro de Haynes, Klehr e Vassiliev é baseado nos arquivos que o ex oficial da KGB, Vassiliev copiou e resumiu em Moscou no meio dos anos 90. Suas observações escritas à mão sobre arquivos a que teve acesso são muito importantes e enriquecem as investigações.

Em 1992, antes de Vassiliev ser escolhido pelo KGB houve uma reunião em Watergate, em Washington, D.C. O anfitrião dessa reunião foi Walter Pfozheimer, ex-conselheiro da CIA. Na reunião havia dois oficias do KGB, Oleg Tsariev e Yuri Kobaladzie, alguns americanos especialistas em história da KGB e representantes da Random House e sua subsidiária Crown Brooks. Estava em elaboração um acordo entre a Crown Brooks e a organização dos veteranos do KGB. Tzariev e Kobaladzie, mesmo ainda na ativa representavam a organização dos veteranos nas negociações.

Uma Reunião com&nbspo KGB

Eu fui um dos felizardos convidados para a reunião no Watergate. Não demorou para que Pforzheimer ficasse bravo comigo pois ele achava que eu estava sendo “mau” com nossos convidados russos. Os dois oficiais do KGB não pensavam assim eu conhecia ambos há tempos e mantive muito contato com os dois desde então. Kobaladze se aposentou como um general do KGB depois dele e Tsariev terem servido em várias bases internacionais. Tsariev explicou na reunião que mesmo antes do colapso da União Soviética, o líder do KGB, Vladimir Kryuchkov, já tinha decidido melhorar a imagem do Serviço de Inteligência Soviético. Materiais selecionados dos arquivos do KGB seriam entregues a um escritor russo e um estrangeiro para que escrevessem sobre a história e os sucessos do KGB.

Minha reclamação na reunião foi que o co-autor estrangeiro não veria na verdade nenhum material do KGB, considerando que em qualquer arquivo os documentos poderiam ser vistos e colocados em contexto, e isso proporcionaria uma melhor compreensão do que o KGB realmente desejava. Eu tomei conhecimento que, em muitos casos, mesmo o co-autor russo tinha acesso somente a alguns arquivos selecionados. O material era escolhido por pesquisadores do KGB. O autor russo então tinha que mostrar suas anotações para Kobaladzie, que mantinha os arquivos na gráfica do KGB em Moscou. Isso me frustrou ainda mais, pois tínhamos que confiar na honestidade do co-autor russo.

Vassiliev diz que nunca mostrou suas anotações a Kobaladzie, que tinha o poder de apagar parte delas. Na realidade Vassiliev era mais confiável do que eu pensava. Suas anotações, que agora estão no website do Cold War International History Project, se tornou a base do novo livro de Hatnes e Klehr. O mais importante é que a maior parte do material é consistente com as comunicações interceptados da Inteligência Soviética no caso Venona e com as intensas investigações do FBI e dos comitês de segurança no Congresso. O que as anotações de Vassiliev adicionam é a identidade de alguns espiões e agentes de influência. Em alguns casos tudo o que sabíamos eram seus codinomes usados internamente – mas agora temos também seus nomes. O que Vassiliev não viu foram os arquivos de outras seções do KGB e os arquivos da Inteligência Militar Soviética. Somos capazes de identificar alguns dos agentes porque os arquivos estavam tão misturados que partes de outros arquivos apareceram em arquivos que Vassilev viu.

Em 1992, eu pedi para que Tsariev encontrasse uma carta nos arquivos do KGB. Harvey Klehr haviam encontrado anotações nos arquivos da Internacional Comunista que Earl Browder, líder do Parido Comunista Americano havia enviado a George Dimitrov, líder do Comintern. Browder pedia que sua irmã, Margaret Browder, fosse liberada de suas atribuições para com a Inteligência Soviética, porque se isso fosse revelado, seria muito embaraçoso. A carta de Browder tinha sido enviada a Beria, assassino-em-chefe de Stalin, e nenhuma cópia foi deixada nos arquivos do Comintern. Tsariev encontrou essa carta para mim e a enviou junto a uma outra carta na qual pedia desculpas por ter demorado um ano para achá-la, uma vez que os arquivos do KGB estavam completamente desorganizados. Quando Harvey Klerh voltou de Moscou, ele me mostrou os documentos que havia obtido. Quando eu recebi a carta de Margaret Browder do KGB, eu a mostrei a Klehr e a Heynes. O livro deles The Secret World of American Communism seria lançado logo e meu livro sobre o caso Venona, expondo a espionagem soviética e os traidores da América (Regnery, Washington DC, 2000) ainda demoraria anos para ser lançado.

Havia dois chefes da Inteligência Soviética nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. Um era Vassily Zarubin, líder da “seção” legal. O outro era Iskhak Akhmierov, líder da “seção” ilegal. A diferença era que Zarubin trabalhava na Embaixada Soviética como Terceiro e depois Segundo Secretário e gozava de imunidade diplomática. Akhmierov se passava por um cidadão americano, tinha inclusive certidão de nascimento e passaporte americanos conseguidos ilegalmente em 1934. Ele até mesmo se alistou usando o pseudônimo William Grienke, o nome que constava na sua certidão de nascimento. Tinha um negócio de roupas e peles em Baltimore como fachada. Os americanos que ele conhecia não prestavam atenção ao seu sotaque russo, mas sim a sua esposa nascida em Iowa. Ela vinha a ser sobrinha do líder do Partido Comunista Earl Browder e em 1945 retornou a Moscou com Akhmierov e a filhinha do casal.

Akhmierov tinha um filho de um casamento anterior chamado Robert Akhmierov. Quando eu telefonei para Kobaladzie em Moscou eu queria encontrar Robert. Kobaladzie perguntou se ele era um oficial do KGB. Eu respondi que sim e que havia servido na África. Algumas noites mais tarde, Kobaladzie disse que sentia muito, mas que aparentemente Robert havia morrido de alcoolismo e se eu gostaria de falar com Elena ao invés. Claro que eu gostaria Elena, que trabalhava para a KGB era a filha nascida nos Estados Unidos. Algum tempo depois, Kobaladzie disse que ela se recusava a falar comigo.

Vassiliev nunca viu os arquivos de Akhmierov e sua “seção” ilegal da KGB (rezidientura ilegal). Mas, já que Akhmierov algumas vezes usava os aparatos de comunicação de Zarubin, o nome de guerra “Yunga” (Jung) aparece nos arquivos de Zarubin. Akhmierov mantinha contato com alguns dos espiões mais secretos da KGB. O livro confidencial da KGB usado em sua escola interna em 1977 diz, “A Rezidientura ‘Yunga’ transmitiu mais de 2500 fotocópias de documentos obtidos diretamente de instituições governamentais americanas”. Vassiliev não viu sequer um desses documentos. Pelas audiências no Congresso e outras fontes nós sabemos que alguns documentos eram enviados a Moscou em microfilmes levados por comunistas americanos que trabalhavam na marinha mercante. Outros eram embalados de modo que a alfândega americana não tinha permissão para violá-los.

Ícone Jornalístico I.F. Stone

Haynes e Klehr identificaram o escritor I.F.Stone como agente da NKVD, o antigo nome da KGB. De acordo com a “Black Notebook” de Vassiliev (pág. 23), Stone sob o codinome “pancake” entrou para “os canais normais de operação”. Em outras palavras, Stone concordou em receber ordens da Polícia Secreta Soviética. No entanto Haynes e Klehr dizem que Stone não era membro do Partido Comunista, de onde os soviéticos recrutavam a maioria dos agentes. Eles chegaram a essa conclusão porque o material de Vassiliev não mencionava Stone como membro do Partido Comunista. Por outro lado, o FBI encontrou duas fontes que revelaram a sociedade de Stone com o Partido Comunista. Conseguimos identificar uma delas como Louis Budenz, ex-editor do Daily Worker, que depois veio a se tornar um ativista anticomunista. Pelos cadernos de Vassiliev, viemos saber que o mesmo agente da NKVD, Frank Palmer, recrutou ambos Budenz e Stone para a Inteligência Soviética (“Black Notebook”, Vassiliev, págs 10 e 23). O principal trabalho de Budenz na KGB era conseguir que membros do Partido Comunista infiltrassem a organização Trotskista.

É um pouco injusto que Haynes e Klehr refiram-se àqueles controlados pela inteligência Soviética como “espiões”. Alguns realmente espionavam outros americanos, ou tentavam influenciar a polícia, agiam como agentes de informação ou trabalhavam no recrutamento de pessoal. Alguns desempenhavam mais que um papel.

Um dos defeitos do livro é que embora ele deva boa parte de sua formatação às revelações de Vassiliev e conte com algumas informações anteriores do FBI e de comitês políticos, que são mencionados em notas de rodapé, não existe um elogio às intensas investigações de Haynes e Klehr.

Acusações do senador McCarthy

Em 18 de março de 1950, o Senador Joseph McCarthy enviou uma carta a Millrad Tydings, Presidente do Subcomitê de Relações Exteriores do Senado que investigava as acusações feitas por McCarthy. Quando M. Stanton Evans escreveu seu livro (Blacklisted By History, The Untold Story of Senator Joe McCarthy and His Fight Against America's Enemies, Crown Forum, New York, 2007), aquele documento estava sumido dos arquivos de Tydings no Arquivo Nacional. Evans finalmente o encontrou nos próprios papéis de McCarthy. Dentre várias pessoas identificadas por McCarthy e no livro de Haynes e Klehr, dois nomes sobressaiam: Stanley Graze e Franz Neumann. Ambos eram fontes da NKVD (KGB) na OSS (Office of Strategic Services), predecessor da CIA. McCarthy os tinha descoberto e identificado para o Senador Tydings 59 anos antes de eles serem expostos por Klehr e Haynes.

A OSS tentou até mesmo formar uma relação de troca de informações com a NKVD. Uma carta de 10 de fevereiro de 1944 do agente do FBI J.Edgar Hoover para o Presidente Roosevelt através de Harry Hopkins reclamava que “foi estabelecida uma conexão entre o Escritório de Serviços Estratégicos (OSS) e a polícia secreta Soviética (NKVD). De acordo com o livro "White Notebook #1" de Vassiliev (pág 87), Akhmierov disse que “Hoover rejeitou o acordo entre a OSS e Moscou numa carta a Hopkins que foi repassada a Roosevelt que por sua vez a enviou ao Estado Maior Conjunto. O objetivo da URSS era penetrar nos segredos de Estado.” Porém, os americanos “que detinham o poder” disseram não enxergar bases para alterar o acordo entre a OSS e a NKVD. Assim mesmo, Akhmierov “avisa que Hoover vai interferir na cooperação”, de acordo com as anotações de Vassilev. Uma lista posterior de documentos mostravam que a OSS entregou aos soviéticos “listas de seus agentes em territórios ocupados pelo exército soviético.” ("White Notebook #1" pag 105).

Na década de 80, Oleg Gordievsky, que serviu ao KGB sob o disfarce de um agente britânico, passava notícias para seus pares ingleses. Quando ele era um jovem oficial, assistiu a uma palestra dada por Iskhak Akhmierov. De acordo com o oficial da KGB, Akhmierov disse que Hopkins “era o mais importante agente soviético em solo americano em tempos de guerra” [e] “o mais próximo e mais confiável conselheiro do Presidente Roosevelt.” Quando Gordievsky discutia esse assunto com outros oficiais do KGB, “Todos concordavam que Hopkins tinha sido um agente de muita importância”. O Serviço Secreto de Inteligência Britânico decidiu, depois que Gordievsky escapou da União Soviética, que ele escreveria um livro em conjunto com o acadêmico inglês Christopher Andrew (KGB: The Inside Story, Christopher Andrew e Oleg Gordievsky, Harper Collins, 1990, pag 287). Andrew concluiu que Hopkins era um agente “inconsciente”.

Quando eu falei com Gordievskky em 1995, concordamos que a mensagem do Caso Venona que dava conta de uma conversa entre somente Roosevelt, Truman e uma terceira pessoa tinha que ter vindo de Hopkins. Akhmierov estava certo. J. Edgar Hoover não conhecia as evidências contra Hopkins quando ele escreveu a carta.

O traidor Britânico Mitrokhin

Em 1999, os britânicos ofereceram a Christopher Andrew um outro traidor do KGB. Vasiliy Mitrokhin passou 12 anos como um pesquisador do KGB e extraiu muitas anotações de seus arquivos. Ele escapou para a Inglaterra e seu material foi contrabandeado para fora da Rússia. A maior parte do material de Mitrokhin, exceto aquele que foi entregue a Christopher Andrew, não está disponível no Ocidente. Os britânicos mostraram o material relativo a cada nação aliada. Uma grande parte do material disponível ao governo italiano, foi liberada ao público. A maior parte deles diz respeito ao período pós Segunda Guerra, mas um grande número de agentes foi identificado.

Mitrokhin também tinha informações interessantes sobre Hopkins. J. Edgar Hoover disse a Hopkins a pedido de Roosevelt, “Segundo uma fonte altamente confidencial, em 10 de abril de 1943, um russo, agente da Internacional Comunista, pagou uma quantia em dinheiro a Steve Nelson, membro do Comitê Nacional do Partido Comunista Americano na casa desse último em Oakland, Califórnia. O dinheiro foi pago a Nelson com o propósito de que se infiltrassem membros do Partido Comunista e do Comintern em indústrias comprometidas com a guerra secreta para o governo dos Estados Unidos, de modo que informações pudessem ser obtidas e repassadas à União Soviética.” Encontramos agora uma cópia dessa carta de Hoover no material de Hopkins na Livraria Roosevelt em Hyde Park, New York. A carta do FBI identificava o russo como Vasili Zubilin. Sabemos agora através de investigações do Congresso que ele era Vasili Zarubin, o chefe da NKVD nos Estados Unidos. Hoover disse em sua carta a Hopkins e a Roosevelt, “Por causa da relação demonstrada pela investigação entre o Partido comunista Americano, a Internacional Comunista e o governo Soviético, eu acho que o presidente e você possam estar interessados nesses dados. Esse assunto está sendo trazido à sua atenção agora como informação confidencial enquanto durar a investigação.” A informação era muito delicada porque revelava que o FBI tinha um “grampo” (microfone) na casa do líder comunista e podiam gravar todas as suas conversas.

Segundo o relatório de Mitrokhin essa nformação delicada foi imediatamente passada aos russos. Christopher Andrew concluiu que Hopkins era “um americano patriota” e que Rossevelt ordenou a Hopkins que desse a informação aos soviéticos. Não existem evidências disso. A única evidência é de que Hopkins deu a informação aos soviéticos, o que lhes possibilitou tomarem precauções para que os Estados Unidos não ficassem sabendo muito sobre a espionagem soviética.

Às vezes Vassiliev, por não entender a importância da informação, deixava de fora uma cláusula essencial num documento. Por exemplo, Vassiliev relatou que Julius Rosenberg, o espião soviético, “recomendou Ruth Greenglass a esposa de seu cunhado” para assumir um esconderijo para a NKVD. Vassiliev relatou, de acordo com Julius Rosenberg, que Ruth era “uma jovem capaz e esperta”. Nesse caso temos própria informação via cabo interceptado no caso Venona e liberado pelo governo americano. Lá diz que Rosenberg e sua esposa recomendavam-na como uma garota inteligente e astuta”. Vassiliev deixou de fora a frase sobre a esposa de Julius Rosenberg, que foi executada com ele. Os Soviéticos aceitavam recomendações para espiões apenas de outros espiões. O erro de Vassiliev proporcionou uma oportunidade de a esquerda alegar que Ethel Rosenberg era inocente quando esse relatório revela que ela estava profundamente implicada na espionagem de seu marido.

Muitos agentes em espionagem atômica que não Julius e Ethel Rosenberg lidavam com a Inteligência Militar Soviética, ou GRU. Existem referências a algumas dessas pessoas nos arquivos de Zarubin, mas a NKVD foi avisada para deixarem esses arquivos em paz porque estavam sob os cuidados da GRU. Além dos arquivos da GRU e de Akhmerov, Vassilev também não podia ver as pastas sobre espionagem atômica. Elas eram entregues a outro oficial da KGB que fez tamanha bagunça com elas que se revelaram inúteis para identificar agentes. O livro nunca apareceu em inglês. Até agora apenas o KGB teve acesso a essas pastas.

Por todos os motivos vale a pena ler o livro de Hayne e Klehr, principalmente pelo que é dito lá. Teremos ainda que esperar um pouco para que conheçamos mais sobre o KGB. Até que os britânicos liberem a vasta coleção de material de Mitrokhin. Apesar de alguns arquivos secretos do MI5 terem sido liberados para os Arquivos Nacionais Britânicos, podemos apenas ter a esperança de que o material de Mitrokhin não leve 50 anos para ser liberado pelos britânicos, como o do Caso Venona.

Tradução: Frederico De Paola


Herbert Romerstein é co-ator de “The Venona Secrets, Exposing Soviet Espionage and Americas Traitors”, Regnery, Washington DC, 2000. Ele foi por 18 anos membro do staff do Congresso Americano, servindo com investigador para o Comitê da Câmara sobre Atividades Não-Americanas. Atualmente ele é o diretor da National Security Studies for the Education & Research Institute, Washington, DC.

http://www.heitordepaola.com/publicacoes_materia.asp?id_artigo=901

segunda-feira, 25 de maio de 2009

URGE UMA ALIANÇA ENTRE PRODUTORES DO CAMPO LATNO-AMERICANOS

Papéis avulsos – Heitor de Paola


Alejandro Peña Esclusa

Os produtores do campo da América Latina estão sob ataque. As agressões se manifestam de diversas maneiras, porém têm uma mesma origem: o Socialismo do Século XXI e seus aliados, aglutinados em torno do Foro de São Paulo.

Na Venezuela, agricultores e criadores de gado são vítimas de quatro açoites: o controle de preços, que os obriga a vender seus produtos abaixo do custo de produção a guerrilha colombiana, que extorque e seqüestra os produtores com o beneplácito do governo de Chávez, aliado das FARC as invasões das terras mais produtivas, auspiciadas pelo partido do governo e a insegurança jurídica, posto que o chavismo pretende acabar com a propriedade privada, quer seja através das expropriações, quer através do desconhecimento dos títulos de propriedade.

No Brasil, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) invade terrenos e fazendas, com o respaldo do Partido dos Trabalhadores (PT) e da malfadada “teologia da libertação”. Embora Lula diga que respeita a propriedade, João Pedro Stédile, líder dos Sem-Terra, atua impunemente no Brasil, com o apoio das autoridades.

Na Argentina, o aumento desproporcionado das retenções (tarifas das exportações) e as proibições à exportação de certos produtos, asfixiam os produtores, particularmente os menores, em que pese que o governo dos Kirchner se ufane de defender os pobres.

Na Bolívia, a propriedade da terra está ameaçada pela nova Constituição Política do Estado (CPE) e uma reforma agrária coletivista de corte marxista que, somada a uma concepção racista, praticamente despoja os proprietários de raça branca ou mestiça de suas terras, por não pertencer a “etnias originárias”. Além disso, a promulgação de decretos e resoluções como o Decreto Supremo nº 29.480, proíbem certas exportações e sufocam o produtor.

No resto das nações latino-americanas, os produtores do campo sofrem ameaças e ataques parecidos, porém o objetivo é o mesmo: destruir o setor agropecuário privado e substituí-lo por cooperativas marxistas e revolucionárias, dependentes do oficialismo.

Até agora os setores do campo cuidam de se defender dos ataques exclusivamente dentro do território nacional, sem se dar conta de que se trata de uma ofensiva regional que tem a mesma origem e os mesmos atores.

Se os produtores agropecuários da América Latina se juntassem para discutir suas particularidades, descobririam que as ações contra eles são quase idênticas, o que lhes permitiria desenhar uma estratégia exitosa de defesa continental, frente a um inimigo que também é de caráter continental.

Tradução: Graça Salgueiro


http://www.heitordepaola.com/publicacoes_materia.asp?id_artigo=899

Nação Guarani

Segunda-Feira, 25 de Maio de 2009

Estadão

Denis Lerrer Rosenfield

A demarcação da Raposa-Serra do Sol já aparecia como o prelúdio do que estava por vir. Apesar das ressalvas aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, que tornaram menos aleatórias e arbitrárias as demarcações e homologações de terras indígenas, o processo de relativização da propriedade privada e da soberania nacional segue agora o seu curso. Imediatamente após a decisão do Supremo, as agremiações ditas movimentos sociais, como o MST e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ala esquerdizante da Igreja Católica, deflagraram um processo de fragilização dessas ressalvas, procurando, nos fatos, mostrar que a lei a eles não se aplica. Tornaram ainda mais explícitas suas posições contra a economia de mercado, a propriedade privada, o agronegócio e o Estado de Direito. Vejamos.

O Cimi e os ditos movimentos sociais estão entrando numa nova etapa de formação da opinião pública nacional e internacional, propugnando pela formação de uma nação guarani. As publicações Porantim (Cimi) e Sem Terra (MST) já trazem matéria a esse respeito, pois essas organizações têm plena consciência de que sem o apoio da opinião pública nenhuma transformação política pode ter lugar. As mentes precisam ser conquistadas para que haja um espaço de abertura para mudanças. Eles estão cientes de que a política moderna, a das democracias representativas, está alicerçada na opinião pública. Utilizam-se, nesse sentido, da democracia para subvertê-la, arruinando as suas instituições.

Para que se tenha ideia da enormidade que está sendo tramada, a dita nação guarani abarcaria partes dos seguintes Estados brasileiros: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. O foco é o Estado de Mato Grosso do Sul num primeiro momento e, logo após, Santa Catarina e Espírito Santo.

Cabe ressaltar que é em Mato Grosso do Sul que essa luta se vai travar prioritariamente. Eles reconhecem que perderam nesse Estado a primeira batalha política junto à opinião pública pela disputa desses territórios indígenas. Houve forte reação de proprietários rurais, parlamentares e do próprio governador, impedindo uma primeira tentativa de amputação de cerca de um terço de seu território. Naquele então, o discurso apresentado era de que se tratava apenas de uma nova demarcação, que corrigiria uma "injustiça" histórica. Em suma, afetaria apenas alguns proprietários. Ora, já naquela ocasião o que estava em pauta era a formação de uma nação guarani, projeto que ainda não dizia explicitamente o seu nome. Agora estão preparando a segunda batalha, com a bandeira guarani orientando os seus movimentos. Novas portarias da Funai se inscrevem nesse processo em curso.

A nação guarani não está, porém, restrita a esses Estados brasileiros, mas se estende a outros países: Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai. Segundo eles, a Bolívia já trilha esse caminho político, necessitando apenas ser apoiada no que vem fazendo, destruindo, na verdade, as frágeis instituições daquele país. O foco, aqui, seria o Paraguai, onde o processo se inicia com um presidente simpatizante da "causa" e que, via Teologia da Libertação, compartilha os mesmos pressupostos teóricos do Cimi, da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e do MST. Entendem-se, portanto, melhor a sustentação dessas agremiações políticas ao presidente Lugo e a política adotada de apoio às invasões das terras dos brasiguaios. A identidade brasileira não lhes interessa.

Para granjear a simpatia da opinião pública internacional criaram um site global, hospedado nos EUA, assumido por uma ONG holandesa e alimentado pela regional do Cimi de Mato Grosso do Sul. Observe-se que é o próprio Cimi que elabora o conteúdo de um site internacional (www.guarani-campaign.eu), visando a interferir, dessa maneira, nos assuntos brasileiros, escolhendo como alvo o Estado de Mato Grosso do Sul. Aliás, o site é muito bem feito, começando por uma apresentação gráfica da América Latina sem fronteiras, sob o nome de Ameríndia. A verdadeira América Latina seria a pré-colombiana. Provavelmente pensam, no futuro, em expulsar todos os brancos e negros, europeus, africanos e asiáticos, que deram, pela miscigenação, a face deste nosso Brasil!

Como não poderia deixar de ser, o site comporta várias versões: em português, inglês e holandês, estando prevista a sua ampliação para o alemão. Para quem se preocupa com a opinião pública internacional, busca apoio político e financiamento na Europa e nos EUA, uma ferramenta desse tipo é vital. É ela que terminará alimentando as pressões exercidas sobre o Brasil e subsidiará, também, os formadores de opinião nacionais e internacionais.

Consoante com esse trabalho, foi elaborando um mapa da nação guarani, denominado Guarani Retã, que englobaria os Estados brasileiros acima listados e os países latino-americanos vizinhos. Chama a atenção o fato de a América Latina ser apresentada como um território verde, sem fronteiras nacionais, com o lema "terra sem males". Procedimento semelhante foi adotado com o mapa quilombola, elaborado pela Universidade de Brasília, que orienta hoje as ações da Fundação Palmares, do Incra e dos ditos movimentos sociais. A estratégia política é a mesma.

O Cimi, em suas publicações, reconhece ainda a aliança estratégica com o MST, que lhe ofereceu apoio logístico e organizacional em invasões e outras manifestações, como campanhas de abaixo-assinados. Exemplo recente seria Roraima, com "assessores" emessetistas "ajudando" os indígenas em plantações de arroz. Esses "brancos", aliás, podem lá entrar! Reconhecem, inclusive, que tal aliança foi operacional no Espírito Santo, na luta contra a Aracruz, pois, como se sabe, as plantações de eucaliptos e a indústria de papel e celulose são símbolos, a serem destruídos, do agronegócio.

Outros já estão na mira!

Denis Lerrer Rosenfield é professor de Filosofia na UFRGS.
E-mail: denisrosenfield@terra.com.br

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090525/not_imp376347,0.php

A VERDADEIRA PRIVATARIA DO BRASIL: OU: “TIREM AS PATAS DA PETROBRAS”

Segunda-feira, 25 de maio de 2009 | 4:49


Reinaldo Azevedo

No passado, uma campanha nacionalista, que chegou a mandar alguns brasileiros para a cadeia, era “O Petróleo é nosso”. Os petistas e “coministralhas” afins gritam hoje: “A Petrobras é nossa”. Nossa? De quem? De certo modo, eles têm mesmo razão. A Petrobras é deles. Como é deles o conjunto das outras estatais – o que representa uma fatia enorme de poder, pouco importa o governo de turno. As oposições têm de dar início a uma campanha imediata, clara e sem ambigüidades. “A Petrobras não é deles; a Petrobras é do povo”. É PRECISO DENUNCIAR IMEDIATAMENTE A PRIVATIZAÇÃO DO ESTADO QUE ESTÁ SENDO PROMOVIDA PELO PARTIDO OFICIAL. O maior privatista do Brasil chama-se Luiz Inácio Lula da Silva. Não, não se trata de uma privatização feita às claras, à luz do dia, em leilão público. Hoje, a privatização é feita à socapa, nos gabinetes de Brasília. Ninguém fica sabendo de nada. E eu vou demonstrar que é assim. Vou evidenciar que é assim.

Alguns leitores reclamam: “Mas essa Petrobras não deveria ser mesmo privatizada?” Claro que deveria. MAS NÃO SERÁ. NUNCA! Quando alguns cretinos se orgulhavam de uma gigante chamada Telebras, telefone era coisa para ricos, que se declarava no Imposto de Renda. A privatização universalizou o serviço. Mas a saparia conseguiu convencer o “Seu-Mané-com-Telefone” que ele era mais rico e mais feliz quando era um “Seu-Mané-sem-Telefone”, com suas fichinhas na mão, usando o orelhão do boteco da esquina. Assim, leitores, esqueçam essa história de que esse ou aquele políticos deveriam “ter a coragem de defender a privatização da Petrobras”. Não seria coragem. Seria burrice. Ninguém vai fazê-lo. E tampouco se vai privatizar a estrovenga. Nunca! Há quem se orgulhe até de uma das mais caras e piores gasolinas do mundo. Assim, não queimem a mufa com essa bobagem. Adiante.

As oposições têm de deixar claro que a Petrobras precisa ser DESPRIVATIZADA, que não é propriedade de um partido. De fato, precisam evidenciar que os petistas têm de devolver o Brasil aos brasileiros. E contar, com coragem, com desassombro, como é que esses destemidos estão promovendo a sua privatização – desta feita, às escuras, sem leilão, sem concorrência, sem nada. Ao contrário: as privatizações do PT ajudam a eliminar a competição.

Querem um exemplo claro? Lula mudou uma lei apenas para permitir que Sérgio Andrade, seu amigo, principal financiador de sua campanha e um dos donos da Oi, comprasse a Brasil Telecom. Não! Escrevi errado: ele mudou a lei para LEGALIZAR uma compra que já havia sido feita. Mas não só isso: o BNDES, um banco público, foi um dos financiadores da operação. Dada a seqüência temporal, um banco oficial se comprometeu a financiar uma operação ilegal. Mas se tinha a certeza de que o Apedeuta cumpriria a sua parte. E ele cumpriu. Fundos de pensão – vale dizer: sindicatos de estatais – são donos de uma parcela da Oi. Assim, dinheiro público, do BNDES, financia a fatia do “privatismo” do sindicalismo petista – que é onde, hoje em dia, está o dinheiro.

“Ah, mas o BNDES participou das operações de privatização da Telebras no governo FHC”. É verdade. Operações públicas, que fizeram uma montanha de dinheiro entrar no Tesouro – dinheiro que foi fundamental no processo de estabilização da economia, de que Lula foi grande beneficiário. De qualquer modo, já ali teria sido necessário estancar a sangria de dinheiro das estatais para os fundos se eles queriam entrar no negócio. O fato é que o chamado “escândalo” da privatização da Telebras, está claro a esta altura, foi uma dessas tramóias inventadas em cima do nada. Não! Na verdade, as fitas provavam o contrário do que se queria evidenciar:. O governo de então agiu para elevar o ágio do bem público que estava sendo vendido, não para rebaixá-lo. Ademais, a privatização da telefonia correspondia a trazer a concorrência para o setor – que chegou. Lula se dedica, hoje, a eliminar a competição.

O BNDES também está, por exemplo, na fusão da Sadia com a Perdigão – mais um monopólio está sendo criado no país: é a Petrobras dos Embutidos. E, mais uma vez, os fundos são grandes beneficiários da operação – leia-se: a nata sindical ligada ao PT. O partido dá as cartas por ali. Ademais, as estatais – e isso quer dizer: todos nós – põem dinheiro nos fundos; os recursos não provêm apenas da contribuição dos trabalhadores coisa nenhuma. Quem disse que o PT não gosta de “privatização”? Gosta, sim. Desse modelo de “privatização”, que aumenta enormemente o poder do partido e põe algumas das maiores empresas do país sob o seu controle político. Gosta da privatização, em suma, do dinheiro público.

Uma pautinha muito boa, a ser feita por uma equipe, é mapear o poder real de cada fundo de pensão. Poderia ser assim:
- Nome do fundo;
- quanto a estatal realmente põe de dinheiro no dito-cujo;- patrimônio – especialmente focado na participação em grandes conglomerados;
- como o BNDES atuou para financiar operações que eram de interesse também desses fundos e, pois, do sindicalismo e do partido a ele associados.

Com efeito, esses fundos poderiam ser a demonstração de que a melhor saída para o mundo do trabalho é mesmo o capitalismo, né? É o modelo que pode realizar sem cadáveres o que o socialismo sempre prometeu. Mas, por aqui, deu-se um jeitinho de perverter a coisa toda:
- dinheiro das estatais continuam a irrigar os fundos;
- em vez de eles injetarem recursos no mercado, são tomadores; é o estado que injeta dinheiro neles.

“Ah, mas esse Reinaldo não sabe o que diz. É assim na maioria dos países”. Não é, não. Pra começo de conversa, os maiores fundos são formados por trabalhadores de empresas privadas. Não há dinheiro público na jogada. E as entidades não estão sob a influência – na verdade, controle – de um partido político. Faça-se a anatomia desses fundos no Brasil, procedendo-se, inclusive, a um “quem é quem” na cúpula. E veremos, então, quem está com o poder real no Brasil e quanto isso nos custa. E então se verá quem realmente é o maior “privatista” do Brasil. Uma fórmula particular de “privatização”. A da telefonia buscava o que conseguiu: universalizar o telefone. Esta outra também consegue o que busca: fortalecer o poder dos burgueses do capital alheio.

Não. As oposições não precisam de todo esse teretetê. Basta lançar a campanha, assim, bem grandiloqüente, com sotaque até antigo: “A Petrobras é do povo! Tirem as patas!”. Como vêem, penso em algo bem sutil para enfrentar a mentirada. Ou se vai pra luta política ou ainda se acaba refém da baixaria. Há certo tipo de gente que parou de assaltar bancos e seqüestrar pessoas para assaltar a verdade e seqüestrar reputações.

domingo, 24 de maio de 2009

Obama declara: Os EUA não são uma nação cristã, mas foram moldados pelo islamismo para melhor

Mídia Sem Máscara

Será? Mas o Pacto do Mayflower não proclamou a intenção dos Peregrinos [os fundadores evangélicos dos EUA] de estabelecer uma colônia para "o avanço da fé muçulmana"? E quanto ao lema "Em Alá Confiamos" em nossas moedas e notas de dólar, sem mencionar o que veio a ser chamado de hino nacional americano, "Alá Abençoe a América"?

Uma parte do discurso de Obama no Parlamento da Turquia disse: "Não nos consideramos uma nação cristã". Esse discurso me lembra uma piada antiga: O Cavaleiro Solitário e seu ajudante índio estão cercados por índios hostis. O homem mascarado vira-se para seu fiel companheiro e pergunta: "O que iremos fazer agora?" Seu ajudante responde: "O que você quer dizer nós, cara pálida?"

Como outros esquerdistas, Obama tem o infeliz hábito de projetar suas ilusões no povo americano.

Ele estava na Turquia como parte de sua turnê de repúdio aos EUA, durante a qual ele gratificou vergonhosamente os desejos do antiamericanismo europeu. ("Temos sido arrogantes e prometemos não mais torturar terroristas e sempre escutar os 'aliados' que quase perderam as duas guerras mundiais e a Guerra Fria. E nos últimos 15 segundos eu disse o quanto lamento o episódio de Wounded Knee?")

Na Turquia esmagadoramente muçulmana, Barack Hussein Obama, como ele foi apresentado (agora que a eleição terminou, não há problema em usar seu nome do meio), declarou o conceito de que "os EUA como nação cristã" é um mito.

Obama disse: "Embora, conforme mencionei, tenhamos uma população cristã muito grande (sim, por volta de 75 a 80%), não nos consideramos uma nação cristã ou uma nação judaica ou uma nação muçulmana".

Será? Mas o Pacto do Mayflower não proclamou a intenção dos Peregrinos [os fundadores evangélicos dos EUA] de estabelecer uma colônia para "o avanço da fé muçulmana"? E quanto ao lema "Em Alá Confiamos" em nossas moedas e notas de dólar, sem mencionar o que veio a ser chamado de hino nacional americano, "Alá Abençoe a América"?

Falando sério, se ao declarar que os EUA não são uma nação cristã Obama está se referindo a uma minoria como a diretoria esquerdista do jornal The New York Times, ele acertou em cheio.

Por outro lado, se ele quer dizer a nação em geral, ele azarou.

Em 3 de abril uma pesquisa de opinião pública da revista Newsweek mostrou que 62% dos americanos consideram os EUA como "uma nação cristã". Mas para aqueles que são como Obama, a emoção predominante dos EUA não é decidida pela maioria, mas pela elite cultural - os indivíduos que receberam o privilégio de moldar a consciência nacional pelo resto de nós.

Devido à ignorância ou cegueira deliberada, por toda a história americana, a maioria dos americanos, inclusive seus líderes, não entendiam que os EUA são uma república secular - uma nação sob Rousseau, Darwin e o Manifesto Humanista (I e II).

Patrick Henry comentou: "Nunca é demais frisar o fato de que esta grande nação foi fundada não pelas religiões, mas por cristãos; não na base de religiões, mas na base do Evangelho de Jesus Cristo".

A Constituição americana é datada "no ano de nosso Senhor, 1787," em referência não a Alá, Krishna ou Buda, mas a Jesus Cristo. O juiz da Suprema Corte Joseph Story, em sua obra sobre a Constituição publicada em 1833, observou que os fundadores dos Estados Unidos acreditavam "que o Cristianismo tem de receber incentivo do Estado".

No caso de 1931 de U.S. v Macintosh (decidido antes de o judiciário federal começar a desconstruir a Primeira Emenda), a Suprema Corte declarou: "Somos um povo cristão".

Todos os presidentes dos Estados Unidos, inclusive B. Hussein Obama, fizeram juramento com a mão em cima da Bíblia para defender a Constituição. Em todos os casos, exceto um, era a Versão do Rei James.

Falando dos antecessores de Obama - nitidamente "menos inteligentes" e "laicos" do que o "Supremo Messias" e provavelmente lacaios da direita religiosa - a opinião deles é unânime:

O Presidente George Washington disse: "É impossível governar acertadamente sem Deus e sem a Bíblia". Por Bíblia, o fundador dos EUA não estava se referindo ao Corão ou ao Bhagavad Gita.

O Presidente John Adams disse: "Os princípios gerais sobre os quais os fundadores [dos EUA] obtiveram a independência [dos EUA] foram... os princípios gerais do Cristianismo".

O Presidente John Quincy Adams disse: "A maior glória da Revolução Americana foi esta: Uniu num vínculo indissolúvel os princípios do governo civil aos princípios do Cristianismo".

O Presidente Andrew Jackson disse: "A Bíblia é a rocha sobre a qual está firmada nossa República" - de novo, em referência à Bíblia cristã, não ao Lotus Sutra.

O Presidente Abraham Lincoln disse: "Inteligência, patriotismo, Cristianismo e uma confiança firme nAquele que nunca abandonou esta terra agraciada são ainda suficientes para resolver, da melhor forma, todas as nossas dificuldades atuais". As "dificuldades atuais", que Lincoln cria que o Cristianismo resolveria favoravelmente, era uma guerra civil na qual mais de 600.000 morreram.

Antes do esquerdista McGovern tomar o Partido Democrático (agora sob a direção de George Soros), os presidentes do próprio partido de Obama também cantavam no coro dos EUA como nação cristã.

O Presidente Woodrow Wilson disse: "Os Estados Unidos nasceram como uma nação cristã. Os EUA nasceram para exemplificar a devoção dos elementos da justiça que têm origem na revelação das Sagradas Escrituras".

O Presidente Franklin D. Roosevelt, falando da 2ª Guerra Mundial, disse: "Hoje, o mundo inteiro está dividido, dividido entre a escravidão humana e a liberdade humana - entre a brutalidade pagã e o ideal cristão".

O Presidente Harry S. Truman, escrevendo ao Papa Pio XII, disse: "Esta é uma nação cristã... Não é a toa que os valorosos pioneiros que partiram da Europa para estabelecer colônias aqui, no comecinho da sua aventura colonial, declararam sua fé na religião cristã e fizeram amplos preparativos para sua prática e apoio".

O Presidente John F. Kennedy, no meio da Guerra Fria, disse: "Contudo, a mesma convicção revolucionária pela qual lutaram nossos ancestrais é ainda relevante ao redor do mundo, a convicção de que os direitos humanos não se originam do Estado, mas das mãos de Deus".

O Presidente Thomas Jefferson disse algo incrivelmente parecido: "Será que as liberdades de uma nação podem estar garantidas quando removemos sua única base firme, uma convicção na mente das pessoas de que essas liberdades são presente de Deus?"

Entretanto, o "Supremo Messias" consegue alegremente proclamar que os EUA não são mais uma nação cristã.

Num discurso de 2007, Obama confirmou essa opinião: "O que quer que tenhamos uma vez sido no passado, não somos mais uma nação cristã".

Com isso o presidente aceitou a possibilidade de que os EUA foram uma nação cristã no passado, mas não são mais. Contudo, quando foi que o predomínio do Cristianismo na vida dos americanos terminou - com a decisão da Suprema Corte de abolir as orações nas escolas em 1962, com sua decisão Roe v. Wade de 1973 de legalizar o aborto ou com Bill Clinton deixando manchas de sêmen no vestido de uma estudante estagiária, em 1995?

Embora insistisse que "nós" não consideramos os EUA uma nação cristã, Obama apelou para o sentimentalismo quando chegou o momento de tocar no assunto da "religião da paz". "Queremos transmitir nosso apreço profundo para com a religião islâmica, que fez muito durante tantos séculos para moldar o mundo para melhor, inclusive o meu próprio país".

Além de confusa, a declaração de Obama foi convenientemente vaga.

Moldar o mundo para melhor? De que jeito? Propagando pela espada seu credo? Estabelecendo o conceito de dhimmitude - de que os descrentes são obrigados a se converter para o islamismo ou se submeter ao governo islâmico? Transformando mulheres em propriedade? Subjugando os Bálcãs, a Grécia, a maior parte da Espanha e parte da Europa Oriental por centenas de anos? Destruindo Constantinopla e Bizâncio, o Império Romano Oriental, apagando as glórias de um milênio? Promovendo o fanatismo sanguinário do xiitismo e do wahabismo e monopolizando o terrorismo internacional desde pelo menos a década de 1970?

O islamismo moldou os EUA para melhor? Pelo menos Obama não disse que "teve um impacto profundo" - como um avião de passageiros colidindo com um edifício elevado.

É difícil imaginar uma religião que tenha feito menos para moldar os EUA do que o islamismo, inclusive o zoroastrismo e a cientologia. Muitos dos princípios nos quais os EUA foram fundados, ou vieram a representar - tolerância religiosa, democracia, liberdade e igualdade - são detestáveis para o islamismo tradicional.

Numa pesquisa de opinião pública do Washington Post/U.S. News (26-29 de março), embora a maioria aprove os esforços de Obama para alcançar o mundo muçulmano, 48% confessaram ter uma opinião desfavorável do islamismo, a percentagem mais elevada desde os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

Na mesma pesquisa, 55% disseram que lhes faltava uma compreensão básica da religião da paz.

Conhecimento produzirá desprezo. À medida que a população muçulmana nos Estados Unidos (agora estimada em 1 milhão) cresce, os americanos cada vez mais encontrarão a rica herança religiosa e cultural que os seguidores de Maomé estão trazendo para os EUA - como os assassinatos de honra.

No ano passado, no subúrbio de Jonesboro, um imigrante paquistanês estrangulou sua filha de 25 anos com uma corda bungee, por tentar escapar de um casamento arranjado.

Em pleno Dia de Ano Novo, 2008, os corpos crivados de bala de Sarah e Amina Said (idades 17 e 19) foram encontrados num táxi abandonado. O pai delas, o imigrante egípcio Yaser AbdelSaid, foi preso pelos assassinatos. Said havia ameaçado matar suas filhas por terem namorados. Ele achava que elas agora eram moças imorais!

Muzzammil Hassan, da região de Buffalo, era o próprio modelo de um muçulmano moderno e moderado. Em 2004, Hassan fundou a TV Bridges [Pontes] para neutralizar as imagens negativas do islamismo e exibir as muitas estórias de "tolerância, progresso, diversidade, serviço e excelência muçulmana". Pare, você está me matando! - um infeliz golpe de linguagem quando se debate o islamismo.

Hassan era um motivo de orgulho tão grande para sua religião que, em 27 de abril, ele recebeu o primeiro prêmio por excelência em seus esforços para apresentar ao público um islamismo diferente aos olhos do público. Ele recebeu o prêmio da filial em Pensilvânia do Conselho de Relações Islamo-americanas, onde alguns dos líderes têm ligação com o terrorismo. Presentes no evento estavam o governador Ed Rendell e o deputado federal Joseph Stestak, ambos do Partido Democrático. Stestak foi o palestrante.

Em 12 de fevereiro de 2009, o grande exemplo do Islamismo moderado foi preso e acusado de decapitar a esposa, que havia afirmado que ele cometia abusos físicos e emocionais, e estava no processo de se divorciar dele. O lema da TV Pontes é: "Conectando pessoas por meio da compreensão" - o irônico é que no caso de Aasiya Hassan, a cabeça dela não está mais conectada ao corpo dela.

De acordo com o Projeto de Comunicação e Educação sobre a Mutilação Genital Feminina - a prática de cortar o clitóris e os lábios menores das mulheres em algumas sociedades muçulmanas a fim de mantê-las submissas tornando impossível que elas experimentem prazer sexual - chegou aos EUA.

Em novembro de 2006, Khalid Adem, um etíope vivendo em Atlanta, foi sentenciado a 10 anos de prisão por decepar o clitóris de sua filha de dois anos.

Num vídeo postado no YouTube - filmado secretamente numa mesquita em Nashville, Tennessee - uma menina de 7 anos diz, chorando, como as meninas são surradas durante as aulas de xariá. A menina também fala de seu "marido". Os grandes meios de comunicação se importam com alegações de abuso físico e sexual somente quando o assunto envolve a Igreja Católica.

A pedofilia e o abuso de crianças não são apenas estranhos costumes praticados em casas de oração muçulmanas.

Das mais que 2.300 mesquitas e escolas islâmicas nos Estados Unidos, mais de 80% foram construídas com dinheiro da Arábia Saudita nos últimos 20 anos. Foi esse mesmo dinheiro que financiou os terroristas que fizeram o ataque de 11 de setembro de 2001.

O Centro de Políticas de Segurança enviou agentes secretos que falam árabe para mais de 100 dessas instituições, descobrindo que de cada 4, 3 estavam infectadas com extremismo e pregações de ódio contra os EUA, os judeus e os cristãos.

É desse jeito que o islamismo está moldando os EUA para melhor.

Se não somos uma nação cristã, então o que é que somos? Obama disse aos turcos: "Consideramo-nos como uma nação de cidadãos que estão ligados por ideais e por um conjunto de valores".

Valores não são fluídos. Eles têm de ter um ponto de origem.

Por toda a nossa história, a maioria dos americanos nunca duvidou das origens de nossas características éticas: o monte Sinai, Jerusalém, os Dez Mandamentos, o Sermão da Montanha, a Torá, o Novo Testamento - conhecidos coletivamente como nossa herança judaico-cristã.

Para a esquerda secular, que agora ocupa a Casa Branca, a herança dos EUA não está na Bíblia, nem na Declaração de Independência e nem na Constituição (em seu sentido original), mas no humanismo secular, no coletivismo e no multiculturalismo - valores baseados não em padrões eternos, mas em normas culturais predominantes, conforme determina a elite política, midiática e acadêmica.

Obama não quer que nos consideremos uma nação cristã porque a ética judaico-cristã está em conflito com a cosmovisão dele.

Seja o que for que Joel Osteen e Rick Warren nos digam (o Pr. Ken Hutcherson os chama de evangelistas covardes), Obama não é cristão - a menos que você considere os sermões loucos e cheios de ódio do ex-pastor dele, na igreja que ele freqüentou por 19 anos, como Cristianismo.

Os EUA como nação cristã não aceitam uniões civis ou casamento de mesmo sexo - e não consideram todos os atos sexuais como equiparáveis. Mas os EUA de Obama aceitam tudo isso.

Os EUA, com suas raízes judaico-cristãs, crêem na defesa da vida humana inocente - inclusive dos mais indefesos: os bebês em gestação. Os EUA de Obama não crêem nisso. Testemunhe a reputação que ele está adquirindo como o presidente mais pró-aborto da história dos EUA, e os votos dele contra projetos de lei contra o infanticídio quando ele era membro do Senado de Illinois.

Os EUA como nação cristã crêem em governo limitado, não aceitando a idéia falsa de que o governo é Deus. Os EUA de Obama crêem que não há nada que o Estado não possa fazer, nenhum poder que o Estado não deveria ter e nenhuma limitação nos poderes do Estado para taxar, gastar e controlar.

Os EUA como nação cristã compreendem a ordem bíblica de apoiar Israel.

Os EUA de Obama vêem os palestinos (que são antissemitas, antiamericanos, sanguinários, exaltadores da guerra santa) como o equivalente moral dos israelenses (democráticos, pró-americanos, governados pelo Estado de direito). A fantasia de Obama de Israel e Palestina vivendo juntos "lado a lado em paz e segurança" é ilusão ou eufemismo para um acordo temporário que levará à extinção do Estado judeu.

Como a proverbial casa dividida de Lincoln, esses dois EUA não poderão coexistir para sempre. Durante sua presidência, Obama tem a intenção de enterrar os EUA como nação cristã, com um chefe de mesquita presidindo na cerimônia religiosa fúnebre.

Mal posso esperar a próxima viagem cheia de magia e mistério do presidente Obama. Como o Dep. Joe Cannon disse de um colega: "Toda vez que abre a boca, esse homem subtrai da soma total do conhecimento humano".



Traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com

Fonte: Don Feder

Documentário de Holman Morris em "History Channel": em terra de cegos, o caolho é rei

Mídia Sem Máscara

Valeria a pena que a Procuradoria Geral da Nação condensasse em um só documento as investigações pelos homicídios perpetrados pelas FARC contra o campesinato, e com certeza o resultado acusaria que na Colômbia os membros do braço armado dos camaradas perpetraram um arrasador genocídio contra o povo colombiano. Porém, disso nunca falam nem Morris nem os que dizem ser colombianos pela paz.

Por estes dias se anuncia com muito espalhafato que na próxima segunda-feira, 25 de maio, o "History Channel" apresentará um documentário acerca das FARC como realidade histórica, elaborado por Holman Morris, personagem controvertida e muito dado a exaltar as "bondades" revolucionárias dos terroristas.

Pelo que se sabe, Morris nunca questionou as FARC por envenenar um aqueduto municipal em Cesar e outro em Pitalito-Huila. Nunca se escutou Morris pôr o "camarada" Cano contra a parede pelos persistentes crimes de lesa-humanidade que as FARC cometem. Nunca se viu Morris encarar as FARC pela destruição de povoados humildes. Tampouco os criticou por traficar coca, por seqüestrar e torturar, como o revelaram os três gringos, Ingrid, os dirigentes políticos libertados, os militares resgatados, etc.

Amiúde circulam pela Internet provas dilacerantes. Meninos degolados, mulheres violentadas, testemunhos de guerrilheiras que desde a mais tenra idade foram colchões dos camaradas do Secretariado e dos cabeças das quadrilhas, fotos de massacres e mil coisas mais que refletem o sadismo do terrorismo comunista. Entretanto, para o senhor Morris os únicos casos que requerem difusão são as barbaridades cometidas por outros meliantes iguais às FARC, quer dizer, os mal chamados paramilitares.

Fatos estes que Morris apresenta com um viés maquiavélico, dirigido a vincular a instituição militar inteira e o governo Uribe com criminosos de baixo estofo, financiados inclusive por aqueles que se rasgam as roupas em público. E esta posição coincide, por estranhas coincidências, com o estabelecimento fariano de desprestigiar Uribe, impulsionar um governo de transição financiado por "meu comandante Chávez" e defendido à capa e espada pelos autodenominados "Colombianos pela Paz".

Todavia, nunca se ouviu que Morris seja sensato e reconheça que a maior parte dos mal chamados paramilitares são terroristas que desertaram das FARC, do ELN e do EPL, grupos delitivos que lhes ensinaram a matar sem piedade, a seqüestrar, a roubar, a traficar com coca, a destruir cidades, a extorquir, a desterrar camponeses de suas parcelas, a roubar as propriedades dos camponeses, etc., etc., mas que não lhes pagavam salário, enquanto os bandidos das AUC lhes pagavam sim. Por isso passam de um grupo "esquerdista" para um "direitista", como se fosse a transferência de um jogador de futebol de um clube a outro, não obstante históricas rivalidades.

Pelo contrário, Morris, do mesmo modo que Colombianos pela Paz, faz eco da existência de um conflito, segundo eles originado pelo que Tirofijo dizia: "o roubo de umas galinhazinhas e uns porquinhos". Porém, uns e outros fazem vista grossa com relação à realidade do assunto. O conflito armado existe na Colômbia porque o Partido Comunista Colombiano quer tomar o poder por meio da combinação de todas as formas de luta, para impor na Colômbia uma ditadura totalitária similar à cubana integrada ao projeto de Chávez, Lula, Correa, Morales, Ortega e outros governantes esquerdistas do continente, em cumprimento às diretrizes do Foro de São Paulo.

Os pobres não interessam aos camaradas do PCC, como dizem em seus panfletários escritos, pois na verdade tampouco os representam. As FARC se autodenominam "Exército do Povo", porém são os primeiros inimigos dos camponeses. Valeria a pena que a Procuradoria Geral da Nação condensasse em um só documento as investigações pelos homicídios perpetrados pelas FARC contra o campesinato, e com certeza o resultado acusaria que na Colômbia os membros do braço armado dos camaradas perpetraram um arrasador genocídio contra o povo colombiano. Porém, disso nunca falam nem Morris nem os que dizem ser colombianos pela paz.

Há algo mais. A persistente preocupação de qualquer colombiano comum, que quer ver a nação em paz e em franco desenvolvimento sócio-econômico distanciado das anquilosadas idéias marxistas deve ser: onde está a Chancelaria? Qual é a venda da imagem do país que fazem os cônsules, os embaixadores, os plenipotenciários e toda essa plêiade de "doutores" e "doutoras" que ganha salários em euros, dólares ou libras esterlinas, enquanto que as FARC e seus difusores se movem sob suas "barbas" como um peixe na água?

O presidente Uribe alguma vez telefonou ao Chanceler de turno, e com uma quantificada relação de empregados na mão lhe perguntou qual é a relação custo-benefício dessa cara e improdutiva burocracia para o exíguo fisco nacional, para defender a imagem da Colômbia ou, pelo menos, impedir que os terroristas e seus propagandistas cheguem primeiro aos cenários de difusão informativa? Se não o fez, está na hora de o presidente Uribe e seu sui generis Vice se tocarem e colocarem nos eixos todos estes burocratas que "trabalham" de segunda a sexta-feira; que só atendem até uma hora da tarde nos escritórios; que nunca têm aproximação efetiva com as comunidades, diferente de "politicar", como fez Noemí em Madri e agora em Londres; ou a conjugar o verbo estar, para se dedicar às suas atividades particulares nas quais são muito eficientes.

Por estas e muitas razões é que temos sustentado e reiteramos que a Chancelaria colombiana ainda está de fraldas frente a audácia estratégica e política da Frente Internacional das FARC. Não se pode esquecer de Sara, a sindicalista da FENSUAGRO, com cara de "não fui eu", que conseguiu vincular até um sindicato de educadores do Canadá para que essa organização circulasse dinheiro para os terroristas; ou outro bandido cognominado "Juan", que tem a facilidade de fazer contatos com a primeira autoridade suíça; ou um padre delinqüente que vive comodamente no Brasil e tem linha direta com Lula. E muito mais.

Porém, além da "facada" fariana contra a chancelaria, também há outra contra os meios de comunicação. Perguntam-nos porque, por exemplo, os jornalistas que publicaram o vídeo da "Operação Xeque" com grande agressividade, objetivando conseguir prêmios jornalísticos sem considerar o dano que faziam ao país, nunca tiveram essa imaginação e essa audácia de Morris de chegar à History Channel e, nesse caso, levar as FARC ao pináculo da celebridade em um meio televisivo tão popular no mundo.

A razão é simples em ambos os casos. E coincide com a politicagem que há por trás da próxima eleição presidencial. Ao fim e ao cabo, nem a muitos diplomatas nem a muitos jornalistas importa o que possa acontecer com a Colômbia; só o que eles podem ganhar. Isto se envolvidos em uma rapinagem tenaz. Valentões aqui e no exterior de cócoras. Por exemplo, um célebre locutor que por suas qualidades teria sido o chefe de imprensa ideal de Pastrana. Vive com a mente em cenários empolados e o corpo nos lugares light de Bogotá. E pensar que este senhor é o decano da opinião dentro dos meios de comunicação...

Entretanto, os demais estão imersos em uma indescritível guerra interna de posicionamentos publicitários. Portanto, os politiqueiros corruptos, os demagogos e os vivaldinos tiram proveito desse vergonhoso quadro de descrédito nacional.

Parece que ninguém se deu conta de que o documentário de Morris; os contatos de Colombianos pela Paz com os congressistas democratas americanos; a "chamada telefônica de apenas cinco minutos" com monsenhor Castrillón; a "boa-vontade" de Lula; a "generosa oferta" do "governo" cubano para receber Moncayo; as recentes palhaçadas de Correa e a "amizade" de Chávez para com Uribe, são elementos constitutivos do mesmo complô que foi descoberto com os computadores de Reyes.

Porém, claro, a imagem da Colômbia no exterior não melhorará enquanto não haja embaixadores e cônsules de carreira, enquanto não regressemos à educação cívica e à história pátria nas salas de aula, enquanto não haja identidade nacional derivada de objetivos nacionais.

Pela inexistência de metas estratégicas definidas em nível nacional, tampouco há estratégias concisas nem compromisso dos burocratas que nos representam no exterior que continuam convencidos de que, porque trabalham em um horário muito breve e de vez em quando fazem o consulado móvel, ou assistem a um ato protocolar em representação do governo colombiano, sua atividade foi ingente e de quebra os colombianos que pagamos impostos para sustentá-los nesses cargos lhes devemos muito por esse "sacrifício pela pátria".

Tampouco melhorará a imagem enquanto a mesquinhez e a ânsia por galardões do grêmio afetem o imediatismo jornalístico. Um jornalismo distanciado dos interesses nacionais e do sustento científico da investigação metodológica, ou pelo menos da compreensão conjunta do problema do narco-terrorismo comunista e seus alcances políticos estratégicos, só serve para que em terra de cegos o caolho seja o rei.

E é isso o que Holman Morris faz em favor do projeto político fariano. É um rei no meio de todos os caolhos. A diferença é simples. Morris está imerso em um projeto com visão estratégica continental contra a Colômbia. Entretanto, os demais estão enquadrados dentro de bases egoístas e abarrotados de intrigas para sobreviver em meio dessa mediocridade.

* Analista de assuntos estratégicos - www.luisvillamarin.com.nr
Tradução: Graça Salgueiro

Voto em lista: a aberração que faltava

Mídia Sem Máscara

Depositar nos partidos a força política para eleger os cargos legislativos é atirar para as nuvens o fomento do resto de legitimidade que ainda existia entre nós. A sociedade brasileira já é fraca. Sua participação na política já é uma piada em comparação com outros países. Se aceitarmos que os partidos é quem decidirão as pessoas ocupantes das listas estaremos admitindo que o povo brasileiro já não terá nenhum meio de legitimar candidaturas.

Discute-se no Congresso Nacional a aprovação de projeto que traz em seu bojo o voto em lista para eleições parlamentares. Tal projeto consiste em que o voto não será mais destinado a eleger um candidato individual, mas uma lista com vários candidatos, a ser decidida e aprovada pelos partidos políticos. A pretensão busca cambiar completamente o processo político legislativo nos níveis federal, estadual e municipal. A instituição de tal sistemática configura verdadeira aberração política, conforme veremos.

Em nosso atual sistema eleitoral, ainda que capenga, a fonte da deliberação política sobre cargos legislativos é radicada na sociedade brasileira. Assim, conforme dispõe o art. 1º caput, combinado com o art. 14 da Constituição do Brasil, a cidadania é causa instrumental da democracia constitucional, pois aparece como sendo um conjunto de condições jurídicas e políticas para a participação de pessoas humanas livres e iguais na manifestação efetiva da soberania popular. Assim, a soberania popular está na comunidade política, mas a expressão dessa soberania se instrumentaliza no voto direto, secreto, universal e periódico.

Desde o século XIX, os partidos políticos sempre apareceram como agentes intermediários de representação política, isto é, como canais representativos da sociedade nas instituições políticas, como representações de grupos/âmbitos da sociedade (partidos de elites ou partidos de quadros) ou da coletividade de um modo geral (partidos de massa), segundo a classificação de Maurice Duverger em seu Partidos Políticos.

Assim, o esquadro arquitetônico das democracias constitucionais tem se configurado, ao largo dos dois séculos anteriores, como uma plataforma de diferenciações entre titularidade e exercício do poder. A sociedade política como fonte, os partidos como pontes para o exercício do poder nas instituições estatais, detentoras do exercício.

A representação política demanda, para tal, uma postura de consideração constitucional com relação às diferenciações existentes na sociedade pluralista, tais como fatores de clivagens baseados em ideologias, interesses, opiniões e vontades, fatores esses que podem ser reunidos sob a denominação de opinião pública. Esta aparece como sendo a extração dos aspectos comuns existentes diante das diversidades. Podemos dizer, assim, que a opinião pública é a revelação do consensus na democracia constitucional. É claro que tal consensus não pode ser fabricado, mas deve almejar a expressão daqueles valores correspondentes ao homem, comuns a todos os homens de uma sociedade, bem como os fatores culturais pertencentes a uma sociedade específica e local. O consensus, assim, é a decisão política fundamental, o posicionamento da sociedade sobre certos assuntos relevantes para sua permanência e existência. É o empreendimento público em que a cultura e os valores da sociedade se manifestam acerca de seus aspectos universais e contingentes. É a totalidade decidindo sobre as particularidades. A cidade política dos cidadãos deliberando sobre seus domínios específicos.

Diante disso, a democracia constitucional implica, para sua legitimidade substancial e processual, na definição de um processo político que demonstre a autêntica representação da opinião pública, do consensus. A vox populi, a extração efetiva da decisão política, deve-se ater, pelo menos nas pretensas democracias, o mais próximo possível de uma opinião pública que sintetize a participação da maioria. A deliberação deve ser pressuposto, o consenso deve ser resultado. Robert Dahl, em seu Poliarquia, expõe uma teoria da democracia baseada substancialmente na participação do maior número possível de seres sociais em um sistema adequado para receber a presença deliberativa de grupos intermediários e de cidadãos. Assim, na poliarquia, há um processo político inicialmente aberto, em que os mais variados grupos sociais organizados almejam participar na decisão política sobre a agenda governamental. Nesse sistema, as instituições precisam abrir as portas para o novo, para a inovação no espaço público, papel esse que cabe aos partidos. Os partidos são, assim, agentes efetivos de representação social, bem como canais de participação política. Os partidos são agentes abertos, não fechados. São antes lugares-comuns para que grupos articulem propostas e projetos de caráter público-político. Não meras máquinas eleitorais, nem mesmo máquinas ideológicas, mas canais abertos para representatividade de diversos elementos constitutivos da opinião pública. Os partidos não possuem compromissos com seus estatutos apenas, mas com a opinião pública de um modo geral.

Assim, pode se pensar que o fortalecimento dos partidos traria vantagens para a democracia brasileira, em que o Estado burocrático patrimonialista e seus estamentos dominam a cultura nacional desde o início da república velha, pois trariam uma transferência do poder decisório para a seara participativa dos partidos políticos. No entanto, tal pretensão aparece como utopia em uma sociedade acostumada a depender do Estado para tudo.

O intuito de fortalecimento dos partidos como meio de fortalecimento da sociedade só pode funcionar em dois tipos de sociedades políticas: em sociedades fortes e consensuais, como é o caso da sociedade americana, em que o controle sobre o poder é forte e faz parte daquele sistema cultural e político (pelo menos antes da gangue dos globalistas assumirem o CFR e a Presidência); ou em países com sistemas políticos construídos a partir dos partidos, isto é, em que os partidos são naturalmente meios efetivos de participação política. Nos dois casos, visualizamos democracias em que o povo atua fortemente ou em um estágio- o Estado- ou em outro- os partidos. Em sociedades fracas, em que a organização político-estatal precede a formação social, como é o caso brasileiro, o papel do Estado é fundamental para todos os âmbitos da sociedade, inclusive para a própria cultura, que no caso, é estamental e patrimonialista. No Brasil, portanto, não só a sociedade é fraca, senão também os partidos.

No atual presidencialismo brasileiro a multiplicidade de partidos é a expressão mais pura da irracionalidade na engenharia de nossas instituições. Essa situação é a prova cabal de uma sociedade esquizofrênica, louca e sedenta por poder. Quem consegue chegar ao poder ou "usá-lo", possui lugar ao sol. Quem não consegue, recebe o apelido de "nanico" ou é logo descartado.

Portanto, depositar nos partidos a força política para eleger os cargos legislativos é atirar para as nuvens o fomento do resto de legitimidade que ainda existia entre nós. A sociedade brasileira já é fraca. Sua participação na política já é uma piada em comparação com outros países. Se aceitarmos que os partidos é quem decidirão as pessoas ocupantes das listas estaremos admitindo que o povo brasileiro já não terá nenhum meio de legitimar candidaturas. Poderá um candidato suspeito, sem qualquer legitimidade, assumir qualquer cargo legislativo. Sua vida será um mar de rosas, podendo rir de nossa cara sem ter seu cargo ameaçado.

A tese da votação em lista é uma alternativa fugaz para a democracia: a sociedade brasileira, que já não encontrava muitos meios para controlar o exercício do poder por homens senão mediante eleições, agora nem com isso poderá contar. Os partidos se tornarão máquinas de clientelismo e de barganha por troca de cargos. O nepotismo, a falência institucional, uma democracia por grupos de personagens políticos, enfim, são resultados do que se avizinha para nosso precário sistema político. Dahl tem razão: a poliarquia implica em um sistema aberto. No nosso caso, começaremos a viver uma oligarquia: um mesmo grupo dominará as prévias partidárias, terá controle sobre as listas, se eternizará no poder e não teremos como tirá-los nem mesmo em eleições. Será uma oligarquia institucionalizada. Um sistema fechado. Um grupo de homens (os políticos brasileiros) na mão dos globalistas e da turma do foro de São Paulo. Não haverá mais partidos, mas sim grupos que exercem o mando. Grupos que comandam o processo legislativo e que, em sintonia com o Planalto, aprovam leis para satisfazer barganhas e promessas de receptadores. Nossas instituições legislativas se transformarão em mercados persas, em cartórios para escrituração de contratos de compra e venda: se compra o poder e se vende o país!

Giovanni Sartori, em seu clássico Democrazia: cosa è, expõe duas visões sobre a democracia: a democracia prescritiva e a democracia descritiva, dizendo que a primeira corresponderia ao que a democracia deveria ser, enquanto a segunda diria o que uma democracia de fato é. A primeira, uma poliarquia seletiva. A segunda, uma poliarquia eletiva.

Para o autor, a poliarquia eletiva deveria buscar ser uma poliarquia seletiva, isto é, uma democracia em que o mérito e a deliberação justa deveriam ser pressupostos para a legitimidade do sistema inteiro. Tal é o que não acontecerá no Brasil. Antes pelo contrário. Com o voto em lista estaremos caminhando para um fechamento do sistema político, em que não mais nós, os cidadãos, mas os partidos, ou melhor, os grupos ocuparão o ofício de serem as peças fundamentais da poliarquia eletiva. Aí eu pergunto: que tipo de eleição teremos? Uma poliarquia seletiva ou uma partitocracia eletiva?

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