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sábado, 27 de fevereiro de 2010

Abram o jogo, camaradas!

Mídia Sem Máscara

Carlos José Pedrosa | 26 Fevereiro 2010
Artigos - Movimento Revolucionário

A líder do grupo, terrorista que tinha os codinomes Estela, Luiza, Patrícia e Wanda, era chamada de "Joana D'Arc da subversão". Foi a mesma terrorista que, juntamente com sua colega de quarto, conseguiu penetrar em um quartel e roubar armas e munição, levando tudo para a pensão em que moravam. Hoje seria muito bem chamada de Joana D'Arc da corrupção.

A esquerda brasileira é mais cínica que esquerda. Cometeu crimes absurdos, matou inocentes, esquartejou, dilacerou corpos e parece que não se lembra de nada. Acusa os militares de terem cometido crimes de tortura, mas não fala nas torturas praticadas pelos terroristas. Chama os militares de criminosos, mas não fala nos criminosos da esquerda. É muito fácil negar os crimes cometidos ou querer lançar lama no adversário. É um cinismo digno das esquerdas querer atribuir a si próprios a láurea de heróis. Porém, podemos refrescar a memória desses bandidos e lembrar parte desses crimes hediondos, que os terroristas urbanos e da selva insistem em "esquecer".

Foram muitos os crimes cometidos pela esquerda "em nome da democracia". Inúmeras vítimas, militares e civis, pontilharam com sangue o caminho desses bandidos. Muitos eram integrantes das Forças Armadas ou das forças policiais; outros eram civis, funcionários de bancos ou de outras empresas, vitimados nos atos terroristas. Outros, ainda, estavam nos lugares errados, nas horas erradas, e foram vitimados pelas camarilhas da esquerda. Nada tinham a ver com aquela luta desmiolada, mas foram vítimas assim mesmo. Vamos relembrar algumas vítimas daqueles assassinos, e como suas mortes ocorreram, para comparar o que esses vagabundos dizem com o que de fato ocorreu.

Em 25 de julho de 1966, no Aeroporto dos Guararapes, no Recife, terroristas empreenderam um atentado contra o Gal. Arthur da Costa e Silva. A explosão de uma bomba matou o jornalista Edson Régis de Carvalho e o Almirante Nelson Gomes Fernandes. Além das duas vítimas fatais, ficaram feridas 17 pessoas, entre elas o então coronel do Exército Sylvio Ferreira da Silva, que, além de fraturas expostas, teve amputados quatro dedos da mão esquerda, e Sebastião Tomaz de Aquino, o Paraíba, guarda civil que teve a perna direita amputada. "Um dos executores do atentado, revelado pelas pesquisas e entrevistas de Gorender, foi Raimundo Gonçalves de Figueiredo, codinome CHICO, que viria a ser morto pela Polícia Civil, em abril de 1971, já como integrante da VAR-PALMARES".

Em 26 de junho de 1968, o soldado Mário Kozel Filho estava de sentinela no Quartel General do II Exército, em São Paulo. Às 04:30 horas da madrugada, ele estava vigilante em sua guarita. Naquele momento, um tiro foi disparado por uma sentinela contra uma camioneta que, desgovernada, tentava penetrar no Quartel. Seu motorista saltara dela em movimento, após acelerá-la e direcioná-la para o portão do QG. O soldado Rufino, também sentinela, dispara 6 tiros contra o mesmo veículo que, finalmente, bate na parede externa do quartel. Kozel sai do seu posto e corre em direção ao carro, para ver se há alguém no seu interior. Há uma carga com 50 quilos de dinamite que, segundos depois, explode e espalha destruição e morte num raio de 300 metros. Seu corpo foi dilacerado. Os soldados João Fernandes, Luiz Roberto Julião e Edson Roberto Rufino ficaram muito feridos. Foi mais um ato terrorista da organização chefiada por Carlos Lamarca, a VPR. Participaram daquele crime hediondo os terroristas Diógenes José de Carvalho Oliveira (o Diógenes do PT), Waldir Carlos Sarapu, Wilson Egídio Fava, Onofre Pinto, Edmundo Coleen Leite, José Araújo Nóbrega, Oswaldo Antônio dos Santos, Dulce de Souza Maia, Renata Ferraz Guerra Andrade e José Ronaldo Tavares de Lima e Silva.

Em Mongaguá, litoral paulista, foi traçado o plano da "Grande Ação", que ocorreu em 18 de julho de 1969, com o assalto e roubo do cofre na casa de um conhecido político da época, em Santa Teresa, bairro do Rio de Janeiro. O roubo rendeu 2,5 milhões de dólares,que os terroristas souberam aproveitar muito bem. O cofre foi aberto em Porto Alegre, a maçarico, pelo metalúrgico Delci. A disputa pelo butim dolarizado foi ferrenha! A líder do grupo, terrorista que tinha os codinomes Estela, Luiza, Patrícia e Wanda, era chamada de "Joana D'Arc da subversão". Foi a mesma terrorista que, juntamente com sua colega de quarto, conseguiu penetrar em um quartel e roubar armas e munição, levando tudo para a pensão em que moravam. Hoje seria muito bem chamada de Joana D'Arc da corrupção.

No dia 10 de maio de 1970 foi assassinado o Tenente Alberto Mendes Júnior, da Polícia Militar do Estado de São Paulo. O relato dos crimes cometidos pela esquerda refere-se a esse crime. "Naquela ocasião, Carlos Lamarca, Yoshitame Fugimore e Diógenes Sobrosa de Souza afastaram-se e formaram um tribunal revolucionário que resolveu assassinar o Tenente Mendes, pois o mesmo, pela necessidade de vigiá-lo, retardava a fuga. Os outros dois, Ariston Oliveira Lucena e Gilberto Faria Lima, ficaram vigiando o prisioneiro. Poucos minutos depois, os três terroristas retornaram, e, acercando-se por traz do oficial, Yoshitame Fugimore desfechou-lhe violentos golpes na cabeça, com a coronha de um fuzil. Caído e com a base do crânio partida, o Tenente Mendes gemia e se contorcia em dores. Diógenes Sobrosa de Souza desferiu-lhe outros golpes na cabeça, esfacelando-a. Ali mesmo, numa pequena vala e com seus coturnos ao lado da cabeça ensangüentada, o Tenente Mendes foi enterrado". A esquerda não fala nesse crime, certamente tido como ato heróico.

Em 4 de abril de 1971 foi assassinado o Major do Exército José Júlio Toja Martinez, que, com sua equipe estava vigiando uma casa ocupada por terroristas. "Por volta das 23 horas desse dia, chegou, num táxi, um casal, estacionando-o nas proximidades da casa vigiada. A mulher ostentava uma volumosa barriga que indicava estar em adiantado estado de gravidez. O fato sensibilizou Martinez, que, impelido por seu sentimento de solidariedade, agiu impulsivamente visando preservar a "senhora" de possíveis riscos. Julgando que o casal nada tinha a ver com a subversão, Martinez iniciou a travessia da rua, a fim de solicitar-lhe que se afastasse daquela área. Ato contínuo, de sua "barriga", formada por uma cesta para pão com uma abertura para saque da arma ali escondida, a mulher retirou um revólver, matando-o instantaneamente, sem qualquer chance de reação. O capitão Parreira, de sua equipe, ao sair em sua defesa, foi gravemente ferido por um tiro desferido pelo terrorista. Nesse momento, os demais agentes desencadearam cerrado tiroteio, que causou a morte do casal, identificados como sendo os terroristas do MR-8 Mário de Souza Prata e sua amante Marilena Villas-Bôas Pinto, ambos de alta periculosidade e responsáveis por uma extensa lista de atos terroristas.

O Araguaia foi palco de muitos crimes hediondos praticados por esses bandidos travestidos de guerrilheiros. Para que vocês não digam que estou mentindo, vou reproduzir trechos do discurso do Coronel Lício Maciel, testemunha, como participante, da luta contra os terroristas do Araguaia. O Coronel Lício Maciel, em sessão solene na Câmara dos Deputados, para homenagear os soldados mortos no Araguaia, descreveu muitas ações. Como aquela que resultou na prisão do guerrilheiro Pedro Albuquerque, em Fortaleza, quando tentava obter documentos. De lá foram para o Araguaia, como descreveu o próprio Coronel Lício Maciel:

Chegamos ao Rio Araguaia, pegamos uma canoa grande, com motor de popa, fomos até ao local de Pará da Lama. Pedro deve lembrar muito dele: era uma picada ao longo da floresta no sentido do Xingu. Andamos o dia inteiro. Chegamos ao anoitecer na casa do último morador, com o Pedro sendo levado por nós, livre. Não estava algemado, amarrado ou coisa assim. Ele foi acompanhando a nossa equipe. Há várias testemunhas desse episódio aqui presentes, as quais não vou citar, que fizeram parte da minha equipe. Chegamos à casa de Antônio Pereira, pernoitamos no campo, nos telheiros e, no dia seguinte, às 4h, prosseguimos em direção ao local onde Pedro Albuquerque indicou.

A operação no Araguaia, àquela altura, era de reconhecimento. Com base em informações obtidas de Pedro Albuquerque, a equipe do Cel. Lício tratou de desbravar o terreno para confirmar a presença de guerrilheiros na área. É o Coronel Lício quem descreve a evolução da operação.

Chegamos à casa de Antônio Pereira, pernoitamos no campo, nos telheiros e, no dia seguinte, às 4h, prosseguimos em direção ao local onde Pedro Albuquerque indicou. Ao chegarmos lá, avistamos 3 homens, isto é, 3 elementos, sendo uma mulher, descansando para almoço, presumo. Aproximamo-nos do local só para conversar com eles, para saber o que eles estavam fazendo lá. Eram 3 e, no nosso grupo, havia 6, então, não tinha problema. Eles fugiram. Chegamos ao local e fiquei inteiramente abismado com o estoque de comida, de material cirúrgico, até oficina de rádio tinha, 60 mochilas de lona, costuradas no local em máquina industrial grande, que tive o prazer de jogar no meio do açude. Tocamos fogo em tudo e voltei sem fazer prisioneiro. Ora, em qualquer situação, teríamos atirado naqueles homens. Estávamos a 80 metros, um tiro de fuzil os atingiria facilmente. Eles estavam sentados. Mas o nosso objetivo não era matar, não era trucidar. O nosso objetivo era saber o que eles estavam fazendo lá. De acordo com Pedro Albuquerque, eram guerrilheiros. Estavam na área indicada por Pedro Albuquerque, que viu toda a operação.

Nós continuamos na missão. Como os três elementos fugitivos avisaram para o resto do grupo do Destacamento C, mais ao Sul, em frente a São Geraldo do Araguaia, que estávamos indo para lá, ao chegar lá nós os vimos fugindo com muita carga, até violão levavam. Eles estavam se retirando do Destacamento C, do Antônio da Dina e do Pedro Albuquerque. Pedro Albuquerque nos levou até o Destacamento C, onde havia estado. Ele fugiu porque os bandidos exigiram que ele fizesse um aborto em sua mulher, que estava grávida. Eles não se conformaram com a ordem, principalmente porque outra guerrilheira grávida tinha sido mandada para São Paulo para ter o filho nas mordomias daquela cidade. Ela era casada com o filho do chefe militar da guerrilha, Maurício Grabois.

O Cel. Lício, continuando sua narrativa, acrescentou que "não sei, não posso me lembrar, se foi o Cid ou se foi o Cabo Marra que pegou o Genoino. Esse elemento era o Geraldo, posteriormente identificado como Genoino. Ele foi recolhido ao xadrez, posteriormente enviado a Brasília. Em seguida, três, quatro dias, veio o veredicto da identificação: o guerrilheiro Geraldo é o José Genoíno Neto. O grupo do Genoíno prendeu um filho do Antônio Pereira, aquele senhor humilde, que morava nos confins da picada de Pará da Lama, a 100 Km de São Geraldo. O filho dele era um garoto de 17 anos, que eu não queria levar como guia, porque, ao olhar para ele, me lembrei do meu filho, que tinha a mesma idade. Então eu disse ao João: Não quero levar o seu filho. Eu sabia das implicações ou já desconfiava. O pobre coitado do rapaz nos seguiu durante uma manhã, das 5h até o meio-dia, quando encontramos os três nos aguardando para almoçar. Pois bem. Depois que nos retiramos, os companheiros do José Genoíno pegaram o rapaz e o esquartejaram. Genoíno, aquele rapaz foi esquartejado, toda Xambioá sabe disso, todos os moradores de Xambioá sabem da vida do pobre coitado do Antonio Pereira, pai do João Pereira, e vocês nunca tiveram a coragem de pedir pelo menos uma desculpa por terem esquartejado o rapaz. Cortaram primeiro uma orelha, na frente da família, no pátio da casa do Antonio Pereira. Cortaram a segunda orelha, o rapaz urrava de dor, e a mãe desmaiou. Eles continuaram, cortaram os dedos, as mãos e no final deram a facada que matou João Pereira. Eles fizeram isso porque o rapaz nos acompanhou durante 6 horas, a fim de servir de exemplo aos outros moradores para não terem contato com o pessoal do Exército, das Forças Armadas". Aquele crime foi um ato de verdadeira tortura antes da morte da vítima. Ninguém da esquerda quer falar nisso.

Algo parecido só encontrei quando trucidaram o Tenente Alberto Mendes Júnior. O tenente se apresentou voluntariamente para substituir dois companheiros que estavam feridos. A turma do Lamarca pegou o rapaz, trucidou, castrou e o obrigou a engolir os órgãos genitais. Então, ao Tenente Alberto Mendes Júnior foi feito isso, mas o crime contra o João Pereira foi muito mais grave, muito mais horrendo. E eles sabem disso. Peçam desculpas para o Antonio Pereira, se ele estiver vivo. Tenham a coragem de reconhecer que toda Xambioá sabe disso.

Genoíno preso e identificado, a guerrilha prosseguiu. Depois de matar o João Pereira, eles mataram o Cabo Odílio Cruz Rosa depois do Rosa, eles mataram dois Sargentos depois dos dois Sargentos, eles atiraram no Tenente Álvaro, que deve contar a história. Na minha versão, o Álvaro deu voz de prisão para o bandido eles atiraram. O outro que estava do lado ou atrás atirou nas costas do Álvaro, arrancando-lhe a omoplata.

Os mortos da guerrilha não podem, com Justiça, serem apontados como vítimas. Quando optaram pela luta armada, sabiam dos riscos envolvidos na ação. Sabiam que as forças de segurança iriam combatê-los. Sabiam que poderiam morrer em ação. Sabiam que seria uma ação ilegal e altamente perigosa. Hoje as famílias dos terroristas mortos recebem indenização, como se eles tivessem sido vítimas de um crime cometido pelo Estado, mas os que foram assassinados pelos terroristas nada recebem. Por esse raciocínio, também os traficantes, assaltantes e seqüestradores poderiam pedir indenização. Nenhum de vocês é melhor que eles. Vocês também não assaltaram e mataram como eles fazem? As monstruosidades cometidas por vocês, como o assassinato do Tenente Alberto Mendes Júnior, do Soldado Mário Kozel Filho, e do mateiro João Pereira, foram muito mais graves que a morte de qualquer "guerrilheiro". Os guerrilheiros não foram assassinados, morreram em combate, o que foi absolutamente natural e já era esperado, inclusive por vocês. Quem se mete em uma guerra de guerrilha é pra morrer mesmo!

Na versão de vocês, a luta foi ato de heroísmo. Pura mentira! Assaltar uma casa e roubar um cofre com US$ 2,5 milhões, pondo o dinheiro no bolso, não é ato de heroísmo: é roubo descarado! Quem rouba armas e munição de um quartel não é heroína: é ladra mesmo! Mutilar uma vítima, orelha por orelha, dedo por dedo, mão por mão, é um crime hediondo. Ponham isso na cabeça! Assaltar bancos e outras empresas, matando os vigilantes e gerentes, não é ato digno de um homem íntegro: é ato digno de vagabundos aproveitadores, como vocês.

Querer implantar aqui uma ditadura nos moldes da então União Soviética não é ato de idealistas: é ato de traição ao Brasil. Hoje vocês posam de "heróis da resistência", como se pretendessem resistir a alguma força contrária aos interesses do Brasil, como os franceses resistiram ao nazismo e os poloneses resistiram ao ataque soviético. Outra grande mentira! Tenham vergonha na cara e digam a verdade! Vocês não queriam implantar nenhuma democracia no Brasil. Em nenhum documento das organizações de esquerda, inclusive dos partidos, havia alguma referência à palavra democracia. Vocês pretendiam implantar a ditadura do proletariado. Como têm o descaramento de falar em democracia? Por acaso a União Soviética era uma democracia? Os países do leste europeu eram democracias? Cuba é uma democracia? A China é uma democracia? Chega de cinismo! Chega de posar como heróis! Chega de simulações democratas! Digam a verdade sobre o que vocês pretendiam e ainda pretendem fazer no Brasil. Digam que depois da vitória (se ocorresse ou se ocorrer) viria ou virá o paredão, como ocorreu na União Soviética, no leste europeu, na China e em Cuba. Sejam homens ao menos uma vez na vida! Abram o jogo, camaradas!

Brasília, a mãe de todos os escândalos

Mídia Sem Máscara

Ipojuca Pontes | 26 Fevereiro 2010
Artigos - Cultura

Não sei se os leitores sabem, mas Brasília nasceu de um porre. Logo depois, enxergando na provocação do bêbado um "negócio da China", Juscelino Kubitschek passou a fazer dela o cavalo de batalha do seu "plano de metas".

Mergulhada num eterno mar de corrupção e sufocada por ondas sucessivas de escândalos, Brasília vai completar 50 anos no próximo 21 de abril. Os principais veículos da mídia cabocla estão faturando alto com anúncios programados pelo ora trancafiado (ex-) governador José Roberto Arruda, que, entre outras bravatas, diz ser a cidade artificial uma das "mais admiráveis do mundo".

No recente carnaval do Rio, os bicheiros da Escola de Samba Beija-Flor também não se deram mal, faturando a partir de contrato com o governo do Distrito Federal mais de R$ 5 milhões para o desfile do samba-enredo "Brilhante ao sol do novo mundo, Brasília do sonho à realidade, a capital da esperança".

Na onda das festividades, o insaciável Arruda, homem para quem a política é a melhor forma de se navegar na lama, tratava também de trazer à Capital Federal, por alguns milhões de Euros, o ex-beatle Paul McCartney - queria ouvir de perto "Yesterday".

Por sua vez, como a cultura no Brasil vive sempre farejando "bons negócios", vários cineastas tupiniquins, permanentemente ativos na "captação" das perdulárias verbas públicas, trataram de articular projetos cinematográficos para louvar a Jóia da Coroa. O próprio Carlos Diegues, o velhíssimo Cacá, prefaciador de indigente livro de José Roberto Arruda sobre a mãe de Glauber Rocha ("Lúcia - A mãe de Glauber" - Geração Editorial, São Paulo, 1999), já havia se reunido em Brasília com o governador "mensaleiro", tramando a produção de filme milionário para "celebrar" os 50 anos da "Capital da Esperança".

Não sei se os leitores sabem, mas Brasília nasceu de um porre. O negócio foi assim: em abril de 1955, Juscelino Kubitschek, então candidato à presidência da República, saltou na pequena cidade de Jataí, Goiás, para fazer discurso de campanha. Lá para tantas, no final do comício, entre promessas, acenos e sorrisos, JK foi interrompido por um popular - o Toniquinho da Farmácia - que estava completamente embriagado. Sem se agüentar nas pernas, voz pastosa, a folclórica figura jataíense provocou o candidato:

- "Se vosmecê for eleito vai mudar a Capital Federal para o Centro Oeste, conforme reza a Constituição de 1891?".

Tomado de surpresa, Juscelino, raposa velha, improvisou:

- "Sendo um preceito constitucional, daria, sim, os primeiros passos neste sentido".

Mas logo depois, enxergando na provocação do bêbado um "negócio da China", passou a fazer dela o cavalo de batalha do seu "plano de metas".

Ninguém contesta hoje que Brasília é uma cidade visceralmente corrupta - páreo duro para Sodoma, a urbe que, segundo relato bíblico, por excesso de corrupção foi destruída por bolas de fogo e enxofre enviadas pela vontade divina. Para construí-la Juscelino, sujeito totalmente irresponsável, imprimiu dinheiro sem fundo, pediu empréstimos em larga escala e estourou inúmeros orçamentos, fomentando gastos colossais que levaram o país à inflação galopante e, por extensão, boa parte da população pobre à miséria brutal.

Na nova capital, o próprio JK incrementou um regime de privilégios e negociatas que fez de Brasília símbolo da degradação nacional. Para povoar o serrado desértico, ele importou do Rio uma burocracia sedenta de benesses, mais tarde transformada em nomenclatura despótica, a produzir, em ritmo alucinante, tão somente - papel, discursos e impostos.

(Neste universo degradante, fechado sobre si mesmo e afastado do trabalho produtivo, a padrão da moralidade pública viu-se reduzido à zero. Basta observar: transpira no lugar uma atmosfera diuturna de subornos, propinas, traições, mentiras e conchavos os mais indecentes, capaz de atordoar o próprio Demônio. Por conseqüência, convive-se neste ambiente doentio com elevados índices de alcoolismo, dependência tóxica, loucura, suicídio, prostituição, adultério, cleptomania, ociosidade e, inevitavelmente, o apelo à prática da baixa magia - esta, consagrada pelo rito do sacrifício animal).

Em retrospecto, no ano de 1961, Jânio Quadros - um louco de pedra - tomou posse do governo em Brasília prometendo prender JK, mas, de porre permanente, terminou por condecorar o sanguinário "Che" Guevara e renunciar ao cargo com 7 meses de mandato.

Por sua vez, ainda em Brasília, feito presidente, o latifundiário Jango, parceirinho de comunistas históricos ("Com Goulart em Brasília, nós já estamos no poder" - Luiz Carlos Prestes à revista "Manchete", em junho de 1963), ao tentar golpear a nação e transformá-la numa república "popular sindicalista", levou-a aos estertores - o que obrigou a milicagem de plantão, na base do contragolpe, a tomar o mando político do país.

Com o Marechal Castelo Branco em Brasília, estancado o drama da subversão janguista, vieram as cassações e a pretensão de se manter o poder sem a legitimidade do voto, o agitprop da subversão comunista, o AI-5 de Costa e Silva, as guerrilhas terroristas de Marighella e Fidel Castro, o vigoroso governo Médici e a estupidez estatizante de Geisel, Golbery e Figueiredo - generais "simpatizantes da esquerda" que devolveram o poder à mesma corriola vermelha pré-64.

Já na transição para a sôfrega "Democracia Permissiva", Zé Sarney, o Impostor, típica flor do lodo brasiliense, não só estuprou a nação com a hiperinflação de 3% ao dia, como ajudou, pela inépcia, a eleger Collor de Mello, o "Caçador de Marajás".

Figura insensata e vã, Collor de Mello, de formação 100% brasiliense, foi deposto do poder por causa de um Fiat Elba, indício, para o PT (bons tempos, hein!), de "grossa corrupção". Seu sucessor, Itamar Franco, o "Inocente Inútil", além das tolices de praxe, apenas adubou o terreno para o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, marxista protetor de banqueiros e criador do Proer e outros bichos arrepiantes.

Por fim, este velho senhor, sempre lépido e falante, depois de oito anos de poder, passou a bola para Lula, o Messiânico, afinado instrumento do totalitarismo petista, cujo governo já contabiliza para mais de 3 mil escândalos, todos rigorosamente impunes, entre os quais o do mensalão - modelo seguido ipsis litteris por Zé Arruda, o governador delinqüente.

Para concluir, eis o que previ sobre o "futuro de Brasília", conforme solicitado por um editor de jornal do Rio, ainda a ser publicado (ou não): "Nada indica que Brasília mude de rota ou padrão ao completar meio século de existência. Pelo contrário. A perspectiva inelutável, nas próximas décadas, com gente da estatura de Dilma Roussef e congêneres no comando, é que a cidade se torne ainda mais sinistra, totalitária e deletéria, fazendo do resto do país refém de sua infinita miséria moral, política e ideológica, como bem evidencia o Programa Nacional de Direitos Humanos - o famigerado PNDH3 - assinado por Lula".


PS - Alguns "formadores de opinião" têm por hábito tratar Brasília, ironicamente, como a "Ilha da Fantasia". Nada mais irreal. Ali ninguém sonha com nada, tudo é muito concreto, na base do toma lá da cá. O mero voto aliado é trocado por rios de dinheiro e sua nomenclatura está sempre ávida por novos tetos salariais, isonomias e privilégios mesquinhos. Não é em vão que, sem produzir nenhuma riqueza socialmente útil, detenha há anos a maior renda per capita do país - em 2008 quase o triplo da renda nacional: R$ 37, 700 mil.

A situação da América me causa medo

Mídia Sem Máscara

John W. Whitehead | 26 Fevereiro 2010
Internacional - Estados Unidos

Estamos nos transformando em um estado policial. Agora, com agentes do governo ouvindo as nossas chamadas telefônicas e bisbilhotando nossos e-mails, os tentáculos governamentais estão invadindo praticamente todos os aspectos das nossas vidas.

"Ao olhar para a América, hoje, eu não tenho medo de dizer que estou com medo." - Bertram Gross, Friendly Fascism: The New Face of Power in America.

Há muito tempo que acontecimentos de mau-agouro vêm se formando nos Estados Unidos, em parte precipitados por "nós, o povo1" - cidadãos que estão dormindo ao volante por muito tempo. E embora certos eventos tenham soado o alarme, nós falhamos em dar atenção aos alertas.

Apenas considere o estado da nossa nação:

Estamos encerrados naquilo que alguns estão chamando de campo de concentração eletrônica. O governo continua a acumular informações sobre um número cada vez maior de norte-americanos. Em todos os lugares que vamos, somos vigiados: nos bancos, no supermercado, no shopping, atravessando a rua. Essa perda de privacidade é sintomática da crescente fiscalização que se exerce sobre o cidadão americano comum. Essa vigilância vai pouco a pouco envenenando a alma de uma nação, fazendo-nos passar de um estado em que todos somos inocentes até que se prove o contrário para outro em que todos são suspeitos e presumidamente culpados. Assim, a pergunta que deve ser feita é: a liberdade nos Estados Unidos pode florescer em uma época em que os movimentos físicos, as compras, as conversas e as reuniões de todo e qualquer cidadão estão sob a constante vigilância de companhias privadas e agências governamentais?

Estamos nos transformando em um estado policial. Agora, com agentes do governo ouvindo as nossas chamadas telefônicas e bisbilhotando nossos e-mails, os tentáculos governamentais estão invadindo praticamente todos os aspectos das nossas vidas. Mais do que nunca, a tecnologia, que se desenvolveu em um ritmo rápido, oferece àqueles que estão no poder as mais invasivas e terrificantes ferramentas. Os centros de fusão - agências de coleta de dados espalhadas pelo país, amparadas pela National Security Agency2 - monitoram constantemente as nossas comunicações: tudo, desde a nossa atividade na Internet a pesquisas na web até mensagens de texto, telefonemas e e-mails. Esses dados alimentam agências governamentais, que estão agora interligadas - a CIA ao FBI e o FBI à polícia local - uma relação que vai fazer a transição para a lei marcial muito mais fácil. Poderíamos muito bem pensar que estaríamos a salvo de um ataque terrorista ao ver as forças armadas nas ruas - e o povo americano talvez não oferecesse muita resistência. De acordo com um estudo recente, como conseqüência do mal sucedido ataque terrorista no último dia de Natal, aquele em que o homem-bomba carregava explosivos na virilha, uma porcentagem cada vez maior de americanos está disposta a sacrificar suas liberdades civis para se sentir mais segura.

Nós somos flagelados por uma economia vacilante e um déficit financeiro monstruoso que ameaça nos levar à falência. Nossa dívida nacional é de mais de U$ 12 trilhões (que se traduz em mais de U$ 110 mil por contribuinte), e deverá quase dobrar para US $ 20 trilhões em 2015. A taxa de desemprego está superior a 10% e crescendo, com mais de 15 milhões de americanos sem trabalho e outros muitos obrigados a subsistir com empregos de baixa remuneração ou de tempo parcial. O número de famílias norte-americanas que estão na iminência de perder suas casas subiu para quase 15% apenas no primeiro semestre do ano passado. O número de crianças vivendo na pobreza está a aumentar (18% em 2007). Como a história ilustra, regimes autoritários assumem mais e mais poder em tempos de desordem financeira.

Nossos representantes na Casa Branca e no Congresso têm pouca semelhança com as pessoas que os elegeram. Muitos dos nossos políticos vivem como reis. Levados de um lado para outro em suas limusines por seus choferes, voando em jatos particulares e comendo refeições dignas de um gourmet - tudo pago pelo contribuinte americano -, eles estão muito distantes das pessoas as quais representam. Além do mais, eles continuam a gastar o dinheiro que não temos em pacotes de estímulo financeiro (que estão carregadinhos de dinheiro destinado a pagar favores políticos) ao mesmo tempo em que alimentam um enorme déficit e deixam que os contribuintes americanos paguem a conta. E embora os nossos representantes possam até dar um show de disputas partidárias, a elite de Washington - isto é, o presidente e o Congresso - vai avançando com tudo o que ela quer, dando pouca atenção à vontade do povo.

Estamos enredados em guerras globais contra inimigos que parecem atacar do nada. Espalhadas ao redor do globo e sob fogo constante, nossas forças armadas são levadas ao seu limite. A quantidade de dinheiro gasto com as guerras no Afeganistão e no Iraque está próxima de U$ 1 trilhão e estima-se que alcance um total de mais ou menos 3 trilhões de dólares antes que tudo termine. Isso não leva em conta os países devastados que ocupamos, os milhares de civis inocentes mortos (incluindo mulheres e crianças) ou os milhares de soldados americanos que foram mortos ou feridos gravemente ou que estão cometendo suicídio a uma taxa alarmante. Nem leva em conta as famílias dos 1,8 milhões de americanos que serviram ou estão servindo em missões no Iraque e no Afeganistão.

O lugar dos EUA no mundo também está passando por uma mudança drástica, com a China programada para emergir como a maior economia da próxima década. Dada a dimensão da nossa dívida para com a China, a influência dela sobre a forma como o nosso governo realiza seus negócios, bem como sobre a forma como lida com os seus cidadãos, não pode ser desconsiderada. Em julho de 2009, a China se apropriou de 800,5 bilhões de dólares da nossa dívida - que é 45% do total da nossa dívida externa - tornando-a a maior detentora estrangeira da dívida externa norte-americana. Não se admira, então, que a administração Obama tenha se prostrado ante a China, hesitando desafiá-la abertamente em questões cruciais como os direitos humanos. O mais recente exemplo disso pode ser visto na relutância inicial da administração Obama em confrontar o governo chinês quanto aos ataques cibernéticos dos chineses contra o Google e outras empresas de tecnologia americanas.

Como as fronteiras nacionais estão se dissolvendo em face da expansão da globalização, aumenta a probabilidade de que a nossa Constituição, que é a lei suprema da América, seja subvertida em favor de leis internacionais. Isso significa que a nossa Constituição cada vez mais será alvo de ataques.

A mídia corporativa, atuando cada vez mais como uma porta-voz da propaganda governamental, já não exerce sua função principal de vigilância, protegendo-nos contra a usurpação de nossos direitos. Em vez disso, a maior parte da grande mídia se entregou àquele estúpido noticiarismo das celebridades, o que é um mau presságio para o nosso país. Quer se trate das notícias dos tablóides, do mundo do entretenimento, ou dos telejornais legítimos, já não importa, pois há pouquíssima diferença entre eles. Infelizmente, a maioria dos americanos comprou a idéia de que tudo o que a mídia possa vir a relatar é algo importante e relevante. Nesse processo, os americanos perderam grande parte da capacidade de fazer perguntas e fazer análises críticas. Com efeito, a maioria dos cidadãos tem pouco conhecimento sobre os seus direitos ou mesmo de como o seu governo funciona, se é que ainda tem algum. Por exemplo, uma pesquisa nacional constatou que menos de um por cento dos adultos era capaz de citar as cinco liberdades protegidas pela Primeira Emenda Constitucional.

Por fim, eu jamais vi um país mais espiritualmente abatido do que os Estados Unidos. Perdemos o nosso senso de orientação moral. Um número crescente de nossos jovens já não vê sentido ou propósito na vida. E nós já perdemos o senso de certo e errado e de uma maneira de responsabilizar o governo. Esquecemos que a premissa essencial do regime governamental americano, conforme anuncia a Declaração de Independência, é a de que se o governo não prestar contas ao povo, então sem dúvida ele deverá fazê-lo perante o "Criador."

Mas, e se o governo não é responsável perante o povo nem perante o Criador?

Como escreve Thomas Jefferson na Declaração, é então direito do "povo de alterá-lo ou aboli-lo" e formar um novo governo.


Advogado constitucional e autor, John W. Whitehead é fundador e presidente do Instituto Rutherford. Ele pode ser contatado pelo Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. . As informações sobre o instituto estão disponíveis no www.rutherford.org.


Notas do tradutor:
[1] "We, the people..." são as primeiras palavras da constituição americana.
[2] Agência Nacional de Segurança.

Tradução: Rafael Resende Stival
Revisão: Alessandro Cota

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