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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Guerra civil rima com Brasil

Mídia Sem Máscara

"Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face."
1 Co., 13:12

Quando era criança, adorava um joguinho com lápis e papel, em que aparecia uma série de pontos num quadrado para interligar. Unindo ponto a outro, ao final surgia o gorila. E como era feio o bicho. E eu sorria...

O tempo passou, fiquei adulto, mas permaneceram os olhos e as lembranças do menino. Todavia, não sorrio mais. O que estou vendo hoje, interligando os pontos, é muito perigoso.

Resta apenas desmoralizar as Forças Armadas e o Supremo Tribunal Federal como instituições. Como na Jerusalém do passado, não sobrará pedra sobre pedra, como um dia lamentou Jesus. Advirá o momento em que o diálogo entre o governante e o povo será direto, sem intermediários. Teremos então a flor do Lácio do totalitarismo...

O gorila estará visível e nu, como todo poder anticrístico. As instâncias intermediárias, as forças que auxiliam a sociedade civil a se proteger de nada mais valerão, a não ser para legitimar o estupro da nação. E nem será necessário colocar a oposição na cadeia, como queria Bakunin, porque neste país se opor é ato que beira o mau gosto. Oposição é crime de lesa-majestade!

Nenhuma resistência acontecerá, porque todos se tornaram malandros e não vão colocar a cabeça de fora para ser decepada. E o país rumará ao patíbulo, sem a defesa de seus filhos.

Primeiro, tiveram que desmoralizar a classe política que está misturada ao pior esterco da corrupção; em seguida, a atmosfera de insegurança nas cidades e nos campos se generalizou, com assassinatos e o patrocínio do crime organizado ao delírio geral das drogas; mais adiante, a destruição da educação, da saúde e dos valores morais, como causas antiquadas e "cívicas" a serem minimizadas cotidianamente pela mídia. Vemos até o presidente da República atirando camisinhas ao populacho, nem se importando em discutir uma correta política de controle da natalidade.

Aliás, reproduzindo-se feito moscas, os pobres e miseráveis serão o caldo de cultura para a futura sociedade planificada na vontade de um homem só e seus asseclas. Se isso não for fascismo, não sei como se chama...

Estamos, finalmente, vivendo um filme de terror, em que os brasileiros são os mortos-vivos. Os movimentos sociais e sindicais permitidos vão fazendo o jogo de cena, próprio das ditaduras, fingindo opinião que não mais detêm, emudecidos por verbas oficiais. Estão calados e bem pagos, como estátuas de sal (ou pré-sal)...

Estou emitindo essas considerações, mas não sei até quando poderei fazê-las. A sensação de inutilidade, de malhar em ferro frio, é onipresente, porque é próprio das ditaduras desmoralizar qualquer oposição, colocando o crítico eventual numa situação de paralisia psiquiátrica. Passou-se o tempo em que nos chamavam de "reacionários de direita". Agora, somos loucos mesmo, os que ousam remar contra a pretensa maré da maioria...

Alguns de meus censores, candidamente, me perguntam: por que você critica tanto o presidente? E eu respondo; tenho 53 anos e nasci durante o governo Café Filho, sujeito honestíssimo e de caráter ilibado. Aos catorze anos, na casa de meu pai, em plena ditadura, pude conversar por cinco minutos com um estadista, o ex-presidente Juscelino Kubitschek, e o SNI fotografava todos os que entravam no edifício. Testemunhei o transcurso do regime militar, os governos Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique e o atual.

Cumprindo o princípio da história brasileira contemporânea, de que o futuro é sempre pior que o passado, jamais vi em minha vida um presidente tão descomposto e hilariante na capacidade de dizer asneiras e batatadas. Pensava que o mais folclórico, nesse sentido, teria sido o general Figueiredo, mas o atual, sem qualquer dúvida, bateu todos os recordes. Ele é o anticristo da estrela de cinco pontas que ainda vai nos trazer enormes tristezas e constrangimentos. E me recuso a crer que o brasileiro se identifique tanto assim com ele por ausência de espírito crítico, cultura e sabedoria.

Não me recordo de ter sentido tanto medo e insegurança como hoje em dia. Mudei do Rio de Janeiro, onde ouvia toda noite, em certo bairro nobre, o som das metralhadoras, como se estivesse ao lado de minha cama. Cansado de tantas balas perdidas por perto, resolvi morar em cidade pequena e felizmente ainda não conquistada pela bandidagem.

A despeito de tudo, não me calei. Quando ouço falar que o MST está matando gente em Pernambuco e que protesta contra o fechamento de suas "madrassas", escolas de alfabetização terrorista e fundamentalista no Rio Grande do Sul, fico boquiaberto.

Sou do tempo em que os estudantes da UNE protestavam contra o regime. Hoje, saem ridiculamente à rua para reivindicar meia-passagem nos ônibus e nos cinemas. Os estudantes "profissionais", empanturrados de verbas públicas, calaram definitivamente a boca e parece que, em contrapartida, a juventude só se interessa mesmo por baladas regadas a maconha, crack, cocaína, LSD e ecstasy, para esquecer a realidade mórbida em que vivemos. E os combativos acadêmicos trotskistas de ontem são apenas os universitários conformistas de hoje, que passam trotes violentos...

Sou do tempo em que havia preocupação com a proletarização das Forças Armadas. Hoje, além de desequipadas e sem opinião, vão ter que curtir os expurgos futuros causados pela ampliação da lei da anistia e da abertura de arquivos acusatórios sobre alguns oficiais de pijama, ainda vivos. É claro que sob o nobre pretexto de não repetir a tortura, sempre hedionda, o governo procura criar um clima de exagero ao comparar o que ocorreu na ditadura militar com o holocausto nazista. A solução é utilizar o erário para recompensar e enriquecer ex-guerrilheiros e alguns falsos terroristas queridinhos do governo vigente.

No entanto, a protoditadura que aí está, não satisfeita, quer ainda armar o circo da divisão social. Como Mussolini, dividir a sociedade em compartimentos estanques para melhor governar e poder sobressair.

Nesse contexto, temos o pobre, como entidade genérica eternamente defendida pelo salvador de plantão, colocado em litígio contra as classes dominantes, que nunca estiveram tão bem protegidas e prestigiadas, como neste governo. Negros insurgem-se contra brancos, homossexuais contra heteros, índios e quilombolas contra agricultores, mulheres contra homens, deficientes físicos contra não deficientes - enfim, onde possam se constituir subdivisões sociais e cotas politicamente corretas, eis aí o solo fértil para a manutenção e continuidade do poder protofascista. Com a palavra, o Duce de Garanhuns: nunca neste país...

Mãos crispadas nos palanques, faces avermelhadas pelo porre da noite anterior, vai o governante cantando loas às próprias realizações, abrindo veredas para a sucessora predileta, um balão de ensaio caprichoso e sem carisma, fruto de teimosia que nenhum de seus acólitos ousa contestar, a não ser através de uma anticandidatura lançada como eram os antigos cristãos às feras famintas...

Nunca neste país o ovo da serpente esteve tão prestes a rebentar. A nação é um paiol de pólvora e não me admirarei se focos de inconformidade, diretamente proporcionais ao terrorismo de alguns movimentos sociais, começarem a surgir. Afinal, guerra civil rima com Brasil e essa licença não pode deixar de ser acolhida com imensa preocupação pelo poeta.

Podem dizer de mim o que quiserem, porque me acostumei a unir os pontos de um desenho de início incompreensível e aparentemente inextricável. E o gorila que aparece hoje, tal como o diabo, é grande ator na tarefa de iludir e fingir que não existe.

Como disse o apóstolo Paulo, sentir como adulto faz com que esqueçamos a imagem de criança, posta no espelho e vislumbremos a verdade, face a face. Mas ao invés de Deus, o que aparece no Brasil é o gorila...


Artigo indicado por Olavo de Carvalho no programa True Oustspeak do dia 26 de outubro.


Waldo Luís Viana
é escritor, economista e poeta.


Publicado no site Brasil acima de tudo em 2 de março de 2009.

Horror numa rua chinesa: uma nação desperta para sua crescente desumanidade

Mídia Sem Máscara

Décadas de comunismo, planificação cultural, abortos forçados e rapto de bebês considerados “excedentes” pelos agentes do estado chinês não produziram a “nova humanidade” sonhada por todos os revolucionários. Criaram apenas uma geração de pessoas desnaturadas, frias e brutalmente egoístas.


Os chineses acabaram de perceber de relance a crescente desumanidade de sua sociedade, e eles estão revoltados com o que estão vendo. Mas o horror capturado num recente vídeo de circuito fechado numa rua chinesa é nada mais do que um microcosmo da desumanização sistemática das crianças da China que está em andamento há décadas, por meio da cruel “política de um só filho” da China.

O vídeo mostra uma criança muito pequena que se perde numa rua, é atingida por um van, que prossegue depois de parar brevemente, deixando-a como morta.

Mas o motorista da van não é o único vilão da cena. A câmara captura mais dez minutos de indiferença assustadora enquanto um pedestre após outro passa pela criança, que está no chão morrendo de hemorragia diante dos olhos deles. A criança foi atingida por uma segunda van, que também prossegue seu caminho.

Uma mulher pobre que coleta lixo reciclável acaba ficando comovida e dá uma parada para ajudar a menina. Ela corre até os pais dela, que apressadamente a levam a um hospital, onde ela permanece de coma.

O vídeo está circulando na China, exibido repetidamente na televisão e na internet, provocando indignação e exame de consciência. Suficiente é citar Eunice Yoon, correspondente da CNN na China, que comentou que “Muitas pessoas estão discutindo o que percebem como uma perda de moralidade na sociedade chinesa”.

“Muitas pessoas dizem que a China está há anos tendo um crescimento econômico acelerado, mas alguns observadores vêm apontando que o sistema educacional chinês realmente falhou nesse ponto, que fracassou ao não enfatizar e reforçar a necessidade de se respeitar a vida humana, numa época em que 1,3 bilhão de pessoas estão realmente clamando e com pressa para subir a escada social e econômica”, acrescenta Yoon.

Se os chineses desejam descobrir o poço envenenado do qual o país está bebendo, eles não precisarão olhar muito longe. Tais cenas de horror são comuns em todo o país e se repetem numa base diária, em “clínicas” governamentais onde crianças são abortadas a força ou pela decisão dos pais sob coerção, os quais são obrigados a se submeter à “política de um só filho” da China.

Conforme uma recente reportagem de LifeSiteNews, há uma ausência surpreendente de quatrocentos milhões a menos de bebês, que não nasceram, desde o início da cruel política da China de um filho só e abortos forçados.

Essa política permite que famílias tenham apenas um filho se vivem numa cidade, e dois se vivem no campo. Aqueles que desafiam a lei e concebem e não fazem o aborto do segundo ou terceiro filho são multados, surrados e até assassinados pela polícia, conforme ativistas de direitos humanos frequentemente documentam. Seus filhos são então abortados a força.

O fato de que a criança no vídeo era uma menina não deveria causar surpresa a ninguém. A política de um filho só tem levado à devastação das mulheres, pois as famílias tipicamente preferem um menino em vez de menina, e praticam aborto por seleção sexual em escala de massa. De acordo com C-Fam, a proporção de meninos para meninas na China alcançou 120/100, e nas áreas rurais, até 130/100.

Em alguns casos, quando bebês “excedentes” nascem, as autoridades governamentais os raptam de seus pais, e então os vendem no mercado negro. Mulheres nas áreas rurais estão sendo enganadas e levadas a casamentos arranjados usando ofertas fraudulentas de empregos nas áreas urbanas. O tráfico de sexo está aumentando, e a homossexualidade também.

Embora a economia da China esteja crescendo de forma rápida, a longo prazo ela enfrenta o mesmo destino trágico do Japão, Europa Ocidental e outras sociedades que estão sacrificando sua descendência para a conveniência econômica: dívidas crescentes, estagnação econômica e crise social. Mas o resultado mais preocupante já está se passando bem diante dos olhos de milhões de chineses: uma sociedade que está perdendo sua alma para os ídolos dourados do mundo moderno.

Tradução: Julio Severo

Fonte: http://noticiasprofamilia.blogspot.com

Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/news/horror-on-a-chinese-street-a-nation-awakens-to-its-increasing-inhumanity

Colômbia: testemunhas falsas e fraude processual

Mídia Sem Máscara

Escrito por Jorge Alberto Caicedo Correa | 28 Outubro 2011
Internacional - América Latina

A fúria revolucionária contra os militares, um judiciário subserviente aos ditames da esquerda, e um grupo de advogados apoiadores do narcoterror comunista têm causado injustiças escandalosas na Colômbia.

Em 26 de outubro de 2011, o Coletivo de Advogados “José Alvear Restrepo” acusou o Ministério Público Geral da Nação de que devia identificar os cadáveres das falsas denúncias que eles impetraram nas cortes nacionais e internacionais nos diferentes casos que ganharam do Estado, para que eles não tivessem cometido os delitos. Visto de outra forma, devem vigiá-los para que se comportem corretamente.

Instauraram as denúncias na companhia do “Centro pela Justiça e o Direito Internacional” (CEJIL) com o acompanhamento da Fundação “Manuel Cepeda Vargas”, conhecidas por suas idéias de esquerda.

No caso de Mapiripán, este coletivo ganhou pleitos contra o Estado colombiano da ordem de $ 5.200 milhões de pesos com sentenças judiciais no exterior, da Corte Interamericana de Direitos Humanos, sendo que as últimas investigações do Ministério Público encontraram mais de quarenta casos de assassinatos falsos que trarei à colação uns poucos por falta de espaço.

A família Pinzón López recebeu, através do Ministério da Defesa, a soma de $ 258 milhões de pesos porque o Coletivo demonstrou o assassinato de seu parente, Jaime Riaño Colorado, no massacre de Mapiripán, porém descobriu-se que o senhor faleceu em 1989, oito anos antes do massacre.

O senhor Wilson Molina recebeu do Ministério da Defesa $ 394.600.000,00 em vida, porque o Coletivo de Advogados habilmente demonstrou que ele foi assassinado por culpa do Exército, e ele aparece em janeiro de 1999 como deslocado, e em 2003 mudou de documento de identidade. Está vivo desfrutando do dinheiro.

A senhora Mariela Contreras, a do choro dilacerado frente às câmeras de televisão porque, por culpa dos militares assassinos mataram seu esposo deixando-a viúva, ficando seus dois filhos sem o sustento econômico, recebeu do Ministério da Defesa por sua atuação, e graças ao Coletivo de Advogados Alvear Restrepo, a soma de $ 1.751 milhões de pesos. Porém, descobriu-se que seu esposo foi fuzilado pelas FARC dentro do seu modo de agir para com seus integrantes e que um filho, desde 1995, dois anos antes do massacre, pertencia às FARC e se desmobilizou em 2008, provavelmente pelo ocorrido com seu pai. De seu outro filho, abandonou o lar por subtração de matéria para algum grupo delinqüencial.

A esta senhora e a quase todos, os contatou uma senhora amigável e um advogado de nome “Jaime”, casal com conexões que os ajudaram nas declarações no exterior e nos tribunais judiciais porque é muito difícil sair das selvas do Guaviare para prestar depoimentos coerentes. Por curiosidade, queria saber quem lhe ensinou a chorar dessa forma tão estarrecedora.

O Coletivo de Advogados, por intermédio do advogado Eduardo Carreño, não vacilou em contatar o Tenente-Coronel Hernán Orozco que estava sentenciado a 40 anos de cárcere por ser o comandante do Batalhão Paris com jurisdição em Mapiripán, para que depusesse contra o Comandante da Brigada, General Uscátegui, declarando que lhe enviou um fax, a quem não era seu comandante operacional senão administrativo, com um informe de inteligência, e conseguiram com esta prova débil condenar o General Uscátegui. Para o Coronel, através da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, conseguiram o asilo no exterior com trabalho incluído. (Cf. Revista Semana nº 1536).

No caso do Palácio da Justiça, finalmente vai-se cotejar as assinaturas da declaração do Cabo Villamizar ou Villarreal que já apareceu dizendo que não deu essa declaração.

Tudo isto ajudado pela carta Por que o Coronel Plazas ainda não está livre?, que um grupo de pessoas assinamos no periódico El Tiempo, publicado em 11 de setembro deste ano. Esta declaração evidentemente feita contra toda a avaliação das provas e todas as apresentadas no caso do Palácio da Justiça são controvertidas.

No caso de Santo Domingo a história se repete. Há uma série de provas que apresentaram e as autoridades judiciais desprezaram as que os peritos em explosivos da FAC (Força Aérea Colombiana) apresentaram, onde demonstram que uma bomba Clúster, como as que os aviões lançaram, não têm um raio de ação de 500 metros, senão 250 metros, mas o Coletivo habilmente apresentou uma série de testemunhas da mesma forma que as anteriores: “provas controvertidas”.

Sem intenção de crítica, porque de todas as maneiras a recuperação do dinheiro é importante, recomendo ao Ministério da Defesa e aos Altos Comandos Militares, que se dê prioridade para obter a liberdade dos militares que injustamente estão condenados por culpa destas reclamações falsas, que a única coisa que fizeram foi danificar o bom nome das Forças Militares, encher as arcas de pessoas inescrupulosas e levar à prisão gente inocente.

Vou tomar somente os nomes dos mais antigos em cada caso. Mapiripán: o General Uscátegui, seu processo tem que vir abaixo, não se está negando que houve um fato indevido mas deve-se condenar o verdadeiro culpado, não a um bode expiatório para cobrar uma indenização.

No caso do Palácio da Justiça, o Coronel Alfonso Plazas deve estar em liberdade, o mesmo com o General Arias Cabrales e os demais, porque não há desaparecidos, há assassinados pelo M-19 que habilmente um Coletivo de Advogados em companhia do guerrilheiro, seqüestrador convicto, René Guarín, tergiversaram a verdade e não se entende a atuação da promotora Buitrago.

O caso do bombardeio em Santo Domingo, os pilotos bombardearam umas coordenadas, os mortos apareceram ao lado de um caminhão carregado de explosivos pelas FARC. Não há responsabilidade dos pilotos militares.

O dinheiro já está perdido, mas a liberdade de nossos Oficiais, Pilotos, Sub-Oficiais, Soldados e Infantes da Marinha deve-se recuperá-las com sua honra intacta. Os juízes penais estão substituindo os juízes naturais como são os da Justiça Penal Militar e eles não entendem de ordens de operações, atribuições operacionais e demais xis da questão do meio castrense.

Tradução: Graça Salgueiro

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O que disseram que o soldado disse

Mídia Sem Máscara

O intérprete, na maior inocência, esqueceu de traduzir a segunda metade da frase, e foi essa frase incompleta, sem a ressalva essencial, que ganhou o mundo pela reprodução da mídia. ("Soldado israelense diz que ficaria feliz com libertação de palestinos", etc., etc.).

Seqüestrado na Faixa de Gaza em junho de 2006 pelo Hamas, o soldado israelense Gilad Shalit, na época com 19 anos, vinha sendo usado desde então como moeda de troca pelo bando empenhado em matar judeus, que passou os últimos cinco anos escarnecendo os familiares e compatriotas do refém.

Um desses atos de deboche foi colocar um sósia do israelense para desfilar pelas ruas de Gaza, algemado e cercado por homens encapuzados, enquanto o povo ria da palhaçada. Em outra ocasião, a televisão do Hamas exibiu um desenho animado em que o soldado choramingava no cativeiro, chamando a mãe, sendo avisado por um menino árabe que Israel não se importa com ele.

Na semana passada, o governo israelense aceitou trocar Shalit por mil e tantos terroristas árabes - entre eles 315 condenados à prisão perpétua -, autores materiais e intelectuais do assassinato de centenas de judeus. Metade seria solta para que Shalit fosse apresentado no Egito, e a outra metade seria liberada quando o soldado estivesse enfim sob a guarda de Israel.

Enquanto os matadores de judeus saíam das cadeias israelenses saudáveis, corados e bem dispostos (foram logo tomando parte nas celebrações preparadas pelo Hamas), Shalit surgiu magro, abatido, pálido, com dificuldade de respirar, psicologicamente debilitado, submetido a uma última provação por seus raptores: uma maliciosa entrevista na TV estatal egípcia na presença de homens do Hamas armados, incluindo o mestre de cerimônia.

Foi nessas condições que a entrevistadora, árabe, perguntou ao israelense quais "lições" ele aprendeu no cativeiro. Em hebraico, o confuso Shalit disse acreditar que um acordo poderia ter sido acertado mais cedo. Nisso interveio o homem do Hamas para anunciar que o soldado estava elogiando o fato de que o acordo foi acertado "num tempo tão curto".

Em outro ponto a moça perguntou: "Há mais de quatro mil palestinos [sic] detidos em prisões israelenses. Você vai fazer alguma campanha pela libertação deles?". Depois de alguns segundos de silêncio, aparentemente sem ter entendido direito a indagação, Shalit respondeu: "Eu ficaria muito contente se eles fossem libertados, desde que eles não voltem a lutar contra Israel".

Mas o intérprete, na maior inocência, esqueceu de traduzir a segunda metade da frase, e foi essa frase incompleta, sem a ressalva essencial, que ganhou o mundo pela reprodução da mídia ("Soldado israelense diz que ficaria feliz com libertação de palestinos", etc., etc.). No início da entrevista, Shalit foi questionado sobre sua condição médica. "Eu não me sinto muito bem", ele disse. Tradução do Hamas, repetida pela mídia: "Eu me sinto bem".

E assim o terror colheu mais um ganho publicitário pelas manchetes dos jornais.



Publicado no jornal O Estado.

Bruno Pontes é jornalista - http://brunopontes.blogspot.com

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