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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Crônica de um desastre anunciado

Mídia Sem Máscara

Somos regidos por uma legislação arcaica que é voltada para impedir de todas as formas a criação de novos partidos que nasçam em âmbito estadual ou regional.

Estamos na reta final das eleições de 2010. Cuidando de manter os espaços conquistados e ampliá-los ainda mais, o atual presidente, montado numa popularidade obtida através favores concedidos aos grandes empreiteiros, banqueiros, funcionários e, demagogicamente, à população mais pobre, busca firmar o domínio do seu partido sobre o País.

E tudo é facilitado por vivermos numa Federação fictícia, posto dependerem em muito, tanto governadores quanto prefeitos, dos favores proporcionados pelo governo central. Assim, os parlamentares federais, em especial boa parte dos deputados, tornaram-se despachantes de luxo à cata de recursos para suas bases eleitorais. E tais recursos, vindos das famosas emendas ao Orçamento da União, são tratados à base do toma lá, dá cá. Além do mais, somos regidos por uma legislação arcaica que é voltada para impedir de todas as formas a criação de novos partidos que nasçam em âmbito estadual ou regional, assim engessando a possibilidade do surgimento de novas lideranças políticas independentes, ensejando a existência de caciques partidários que se perpetuam no poder.

Por outro lado, temos hoje uma oposição canhestra. Ela mesma, tendo dado início a boa parte das medidas hoje apropriadas pelo PT, não soube exercer dignamente o seu papel. A título de "preservar as instituições", omitiu-se de forma vergonhosa no episódio do "mensalão" e em todos demais e vexaminosos casos de corrupção explícita que se seguiram. A resistência ao Programa Nacional dos Direitos Humanos-3 (os dois primeiros foram elaborados quando FHC estava no poder), por exemplo, partiu da sociedade e não dela.

A razão talvez esteja no fato de que ambos os partidos, PT e PSDB, terem o mesmo DNA. A prova? Em entrevista concedida a uma prestigiosa revista semanal, o presidente desse último partido assinalou que o mesmo estaria à esquerda do PT. Assim, estamos localizados exatamente entre a cruz e a caldeirinha: se ficar, o bicho come e se correr, o bicho pega, condenados todos a viver sob o jugo da esquerda. Até quando?

Há 14 anos atrás, Luiz Inácio criticava seu antecessor pelos mesmos motivos que hoje, às vésperas de uma eleição de muita importância, é acerbamente censurado. A Folha de S. Paulo, em 7 de setembro do corrente ano, sob o título "O alerta de Lula", assim se expressa: "Num país onde se pratica o fisiologismo explícito e o uso e abuso da máquina pública em proveito próprio, a reeleição pode conduzir a um processo de mexicanização".... Lula chamava a atenção para o peso desproporcional que os detentores do poder podem exercer num processo eleitoral por meio do aparelhamento do Estado e nebulosa arrecadação de fundos: "O Estado mobiliza um conjunto de obras e recursos que podem ser postos a serviço de caixinhas eleitorais e troca de favores. Não é segredo para ninguém que as grandes obras públicas podem ser sobrefaturadas, e um significativo percentual delas acaba nas contas numeradas dos assessores dos mandatários, não para uso pessoal, dirão eles, é claro, mas para financiar a futura campanha. São rios de dinheiro [...] para fazer propaganda de campanha e programas mirabolantes, com a mais sofisticada técnica de comunicações para ludibriar o eleitorado". (N. do E: itálicos do autor).

Exatamente, sem tirar nem por, o que o PT vem fazendo desde o primeiro mandato do atual presidente da República: a administração federal loteada entre os partidos políticos da "base aliada" e seus órgãos aparelhados por militantes petistas, para os quais a obediência às ordens do partido passam a ter prioridade absoluta sobre os deveres funcionais.

Se a candidata do presidente vier a ser eleita, este alerta bem poderá ser considerado como sendo a crônica de um desastre anunciado: o enterro da democracia representativa.

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