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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A Segunda Realidade no Haiti

Mídia Sem Máscara

Não basta o vilipêndio a que as nossas Forças Armadas foram submetidas, por um governo esquerdista hostil, que não perde a oportunidade e humilhá-las e de fazê-las criadas de seu projeto ridículo de imperialismo. Tinha ele que arrotar um poder que ele mesmo não possui, e nem o Brasil e nem a ONU.

"Quem tem amigo cachorro
Quer sarna para se coçar
"
Canção de Geraldo Arantes, gravada por Elis Regina

Os leitores que me acompanham estão familiarizados com o conceito de Segunda Realidade, locução que expressa a grande descoberta de Miguel de Cervantes no Dom Quixote e amplamente explorada por Ortega y Gasset, Eric Voegelin, Leo Stauss, Robert Musil, entre outros, para fazer a crônica política do século XX. Não é possível entender o que aconteceu no Ocidente e no mundo desde o século XV sem ter clareza desse fato psicológico e sociológico. Eu programei para o segundo semestre um curso específico sobre o Dom Quixote no Instituto Internacional de Ciências Sociais - IICS, a partir de uma leitura pública da obra de Cervantes. Pretendo fazer ampla resenha desses autores a partir do Dom Quixote.

Esse mergulho na Segunda Realidade é próprio dos tempos modernos, com o surgimento do homem revolucionário, em franca rebelião contra Deus e contra o real. Mas de modo algum esse homem nasce no Renascimento. Ele deu o ar da sua graça nos primórdios da Era Cristã, com os chamados gnósticos, que queriam nada mais nada menos que reinventar a realidade, em boa hora derrotados pela mão bendita de Santo Agostinho. Os verdadeiros precursores da loucura da modernidade, todavia, estão na Grécia clássica, os sofistas, esses falsificadores da filosofia. Foram derrotados por Platão e Aristóteles, mas os defuntos saíram das catacumbas no Renascimento e, qual zumbis, vieram dar fundamentos filosóficos aos modernos revolucionários. Entender essa epopéia não é tarefa simples e exige do vivente toda uma vida dedicada aos estudos.

Isso para comentar a fala do nosso bravo general Floriano Peixoto Vieira Neto, ora comandante das forças de paz da ONU, no Haiti. Ontem ele mobilizou parte do contingente a ele subordinado e fez uma cerimônia à frente do destruído palácio presidencial daquele país flagelado. Enviou, o bravo general, um recado aos EUA, dizendo que quem manda na ilha é ele. Incrível que isso tenha acontecido. Não basta o vilipêndio a que as nossas Forças Armadas foram submetidas, por um governo esquerdista hostil, que não perde a oportunidade e humilhá-las e de fazê-las criadas de seu projeto ridículo de imperialismo. Tinha ele que arrotar um poder que ele mesmo não possui, e nem o Brasil e nem a ONU.

Sua fala foi muito ridícula. As forças norte-americanas foram mobilizadas no Haiti porque o Tio Sam, observando o que acontecia e a inapetência e falta de recursos (e de poder) dos burocratas da ONU, mandou lá suas forças para minimizar o sofrimento daquela gente. E o fizeram em grande estilo, não menos que espetacular. A descida de dezenove helicópteros Black Hawk em frente ao palácio presidencial pode ter sido desnecessária, mas quem tem força, tem, e a exibe. O Brasil não tem. Descobri na internet que temos apenas seis unidades dessas aeronaves incorporadas às nossas Forças Armadas. Os norte-americanos usaram 19 delas em uma insignificante missão de paz. Vá saber de quantas dispõem. Isso sem falar do porta-aviões fundeado ao largo e do navio-hospital de proporções gigantescas, pronto para uso.

O nosso bravo general deveria estar preocupado com os comunistas mergulhados na Segunda Realidade que estão a lhe dar ordens insensatas e não com a nação amiga que deu seus recursos e sua gente para minorar a desgraça dos haitianos. O bravo general mergulhou, ele mesmo, na Segunda Realidade, incapaz que ficou de ter o senso de proporção das coisas. Os EUA não são inimigos do Brasil e o Brasil deveria se alinhar com eles, e não com essa corja alienada de burocratas da ONU. Um erro de avaliação geopolítica, uma perda do senso do real.

O Estadão de hoje reporta: "O general Floriano Peixoto Vieira Neto, chefe das forças de paz da ONU no Haiti, não escondeu que a entrega dos alimentos serviu para, além de ajudar os haitianos, o Brasil "marcar posição", segundo palavras dele, em relação ao controle da segurança em Porto Príncipe. O general comanda uma tropa de 7 mil militares de vários países. O Brasil tem o maior contingente, com 1.266 soldados". O jornal se esqueceu de dizer que os EUA já têm 11 mil homens em terra, sem contar os que estão embarcados.

Seu discurso não passa de grossa bravata. O bravo general incorporou a bazófia típica do seu Comandante-em-chefe, Lula lá. Agora tornou-se candidato a ministro da Defesa de Dilma, se eleita. É de dar pena. Caxias deve estar a se revirar no túmulo.

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