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terça-feira, 19 de maio de 2009

OBAMA EM NOTRE DAME

Papéis avulsos – Heitor de Paola


Notre Dame celebra, zomba Obama

The Washington Times

Presidente prega diálogo ‘aberto’ sobre o aborto em Universidade Católica

SOUTH BEND, Ind. – Atacando a guerra cultural diretamente, o Presidente Obama pediu, domingo na Universidade de Notre Dame, para que ambos os lados conversem honestamente e de coração e mente abertas sobre o aborto e outros assuntos polêmicos.

Obama foi calorosamente recebido pelos formandos da principal Universidade católica dos Estados Unidos, mesmo que pessoas protestassem do lado de fora – e algumas dentro do auditório – contra sua visão pró aborto, que vai claramente de encontro com os ensinamentos católicos.

Agradecendo à Universidade pelo convite e também por receber o título de honorário, o presidente disse que dificilmente se chegará a um consenso quando se trata de assuntos polêmicos, mas que os americanos têm que buscar superar essas dificuldades.

“Na verdade, em algum ponto as visões dos dois lados são irreconciliáveis. Cada qual continuará a defender seu ponto de vista de maneira passional e convicta. Mas certamente podemos fazê-lo sem reduzir aqueles que pensam diferente a simples caricaturas,” disse Obama.

Seu discurso de 31 minutos foi interrompido logo no começo por um homem que gritava “aborto é assassinato”, mas os estudantes conseguiram calar o homem entoando o slogan de campanha de Obama, “Sim, nós podemos”. Seguiram-se algumas outras interrupções, mas Obama continuou falando.

O convite feito a Obama pela Universidade acendeu um acirrado debate entre católicos, com vários bispos dizendo que a universidade deixou de lado sua missão cristã ao premiar o presidente com o título honorário.

Alguns bacharéis disseram que deixarão de dar suas contribuições líderes pró-vida foram presos quando protestavam na universidade e uma ex-embaixadora para o Vaticano, Mary Ann Glendon, rejeitou a prestigiosa Medalha Laetare na cerimônia deste ano.

Mas a universidade manteve seu convite, e seu presidente, Reverendo John Jenkins, apresentou Obama dizendo que o presidente deveria ser elogiado por ter aceito o convite.

“Se desejamos expandir cortesia, respeito, amor e dialogar, então certamente devemos começar por reconhecer o que os outros têm de honroso,” disse Padre Jenkings. “Nós recebemos o Presidente Obama na Notre Dame e homenageamo-lo pelas qualidades e conquistas que os americanos admiraram nele quando o elegeu.”
Mais de 300 pessoas ligadas a movimentos pró-vida protestaram no portão de entrada da Universidade contra a homenagem feita a Obama. A polícia de South Bend disse à Associated Press que 39 pessoas foram presas no domingo – 37 acusadas de invasão e 2 acusadas de invasão e de resistir à prisão.
O bispo John D’Arcy da Fort Wayne-South Bend, cuja diocese inclui a Notre Dame, se juntou aos estudantes em protesto ao invés de comparecer à cerimônia, como é seu costume todos os anos por um quarto de século.

“Aqui é certamente o lugar onde os bispos devem estar não há dúvida a esse respeito,” disse o bispo D’arcy, que foi o primeiro bispo a criticar o convite feito pela universidade a Obama, abrindo caminho para que mais de 80 outros fizessem a mesma coisa. “Todos vocês hoje aqui são heróis, sinto orgulho de estar aqui com vocês”.

Obama viu os protestos de perto. No caminho da Notre Dame para o South Bed Regional Airport, sua limusine passou no meio do protesto e ele pôde ouvir gritos e ver cartazes com dizeres e fotos de fetos, inclusive um que dizia “Notre Dame espiritualmente vendida”.

E enquanto Obama falava, no chão do Joyce Center em frente a ele, alguns formandos colocaram em cima de seus chapéus a imagem de uma cruz amarela com pequenos pés de bebês também em amarelo em cada lado da cruz, como forma de um protesto silencioso.

Outros estudantes colocaram o ícone da campanha de Obama “O” em seus chapéus, ou escreveram palavras de apoio ao presidente. Mantendo a tradição da Notre Dame, os alunos de arquitetura tinham em seus chapéus elaborados modelos de construções famosas como o monumento a Washington, a Torre de Pisa ou o Empire States.

Obama não se afastou do imaginário religioso, e vestiu a tradicional toga de doutor da Notre Dame, com duas imagens idênticas do brasão da universidade, em que aparece uma cruz, uma estrela e um trecho da oração Salve Rainha.

O discurso do presidente se deu dois dias após uma pesquisa feita pelo Instituto Gallup mostrando que pela primeira vez nos 15 anos que é feita essa pesquisa, a maioria dos americanos identificam-se como pro vida. Ele discursou como alguém que se elegeu em parte porque ganhou a maioria dos votos de católicos.

Na preparação do discurso, assessores da Casa Branca disseram que Obama tocaria no assunto aborto, mas que não se estenderia sobre isso. O presidente falou por cinco dos 31 minutos totais do discurso sobre o tema.

“Quando abrimos nossos corações e nossa mente para aqueles que não pensam como nós ou não acreditam nas mesmas coisa em que acreditamos – é aí que descobrimos pelo menos a possibilidade de entendimento,” disse Obama.

E ele parecia estar identificado com sua audiência, que fez uma calorosa ovação quando falou sobre aqueles que apóiam estudos com células tronco de embriões porque elas podem, possivelmente, ajudar a achar a cura para várias doenças.

Mas a platéia também aplaudiu o Padre Jenkins quando este falou que a comunidade de Notre Dame discorda de Obama no que diz respeito à santidade da vida e das pesquisas com células tronco embrionárias, que destroem embriões fertilizados, algo que a Igreja Católica considera assassinato.

Num aceno condescendente para aqueles que o convidaram, Obama disse ser preciso que se faça o esboço de uma “cláusula sensível à consciência” – segundo a qual hospitais católicos deixam claro que na serão forçados a oferecer abortos ou quaisquer outros serviços que violem seus ensinamentos religiosos. No começo deste ano Obama reverteu uma determinação sugerida pelo Presidente Bush quando deixava a presidência que garantia por longo prazo a “cláusula de consciência”.

Notre Dame foi o segundo discurso na ainda jovem presidência Obama.

Semana passada ele falou na Arizona State University, mas a universidade não o homenageou com o título de honorário, argumentando que esse título era reservado para aqueles que mostrassem heróica realização em seu campo de atuação, algo que o presidente não protestou.

“Até agora estou com apenas um título em duas possibilidades como presidente,” Obama falou, fazendo uma piada com um ex-presidente da Notre Dame, o Reverendo Theodore Herburgh, que detém o recorde mundial de títulos honorários, “é 150 vezes em 150 possibilidades”.

“Padre Ted, depois de cerimônia, talvez você possa me dar algumas dicas de como melhorar meu desempenho”.

Obama recebeu calorosa aclamação em pé na sua entrada, quando recebeu o título de Doutor Honorário, quando subiu ao palco para dar seu pronunciamento e quando terminou de falar.

A citação do título dizia que Obama mereceu a homenagem por causa de sua histórica eleição e seus esforços para renovar a diplomacia Americana.

“Pela sua vontade de estabelecer contato com aqueles que discordam dele e encorajar pessoas de fé a trazerem suas crenças para o debate público, ele está inspirando esta nação a curar as divisões religiosas, culturais, raciais e políticas na audaciosa esperança por um futuro melhor,” diz a citação.

Dos outros sete recebedores do título honorário, apenas um recebeu uma ovação em pé. Cindy Parseghian, nora do lendário treinador de futebol americano da Notre Dame, Ara Parseghian, coordena uma fundação que estuda a cura de uma rara e fatal desordem genética que tirou a vida de três dos seus quatro filhos.

Tradução: Frederico De Paola


http://www.heitordepaola.com/publicacoes_materia.asp?id_artigo=879

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