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quinta-feira, 7 de maio de 2009

Recadastramento e outras histórias

Movimento Endireitar

Escrito por Peter Hof

Qui, 07 de Maio de 2009 00:00

Vocês já notaram que todo jornalista da chamada “grande imprensa” que escreve sobre armas comete impropriedades sobre as armas e a matemática? Eu estou cansado de corrigir as bobagens que rotineiramente os jornalistas do Globo escrevem.

NÃO SABE SOBRE O QUE ESCREVE

A última (por enquanto) foi cometida pelo jornalista Flávio Freire na página 11 do Globo de 24/04/2009. Escrevendo sobre o caso do pai que matou o filho e cometeu suicídio, o “especialista” no assunto escreveu que o pai da criança comprou uma pistola de 800 milímetros! Além de não entender nada de armas, Flávio Freire não conhece um mínimo de matemática nem teve o cuidado de procurar alguém que pudesse ajudá-lo no assunto. O senhor Freire não consegue converter milímetros em centímetros, se assim fosse ele saberia que a arma teria um calibre de 80 centímetros ou 31,5 polegadas, coisa que nem os maiores canhões têm. Apenas para ilustrar o tamanho da bobagem, os canhões principais do encouraçado Graf Spee tinham 11 polegadas ou 27,9 centímetros. O cruzador Alabama, de 44.500 toneladas de deslocamento, hoje monumento nacional, tem nove canhões de 406 mm. ou 16 polegadas O Big Bertha alemão, um dos maiores canhões jamais construídos e usado na Primeira Grande Guerra, tinha calibre 420mm ou 16,5 polegadas.

Hoje em dia, com a facilidade que a internet oferece para uma rápida e precisa consulta sobre qualquer assunto, é difícil entender por que um jornalista não recorre a ela, mesmo que rapidamente, ao terminar sua matéria. Talvez eles acreditem que para os seus leitores qualquer coisa sirva.

REGISTRO DE ARMAS

Em 4 de maio de 2007, escrevi um artigo intitulado Desarmamento: consequências de uma lei idiota, no qual eu explicava por que o recadastramento das armas de fogo, bem como a entrega de suas armas por parte dos cidadãos, seria um retumbante fracasso. Não deu outra: de um estimado (inclusive por ONGs internacionais) número de 15 milhões de armas em mãos de particulares, menos de 500 mil (3,3%) foram entregues às autoridades, e o que se via nas fotos era ferro velho inútil. E isso debaixo de uma campanha que durou 22 meses e teve o maciço apoio das Organizações Globo e a quase totalidade da chamada grande imprensa. Segundo o editorial da edição 105 (abril/maio de 2009) da Revista Magnum, o malfadado referendo custou 600 milhões de reais – mais do que o dobro do orçamento da Segurança Pública do ano de 2005. E o que aconteceu? Vale a pena relembrar: o povo brasileiro deu a seus governantes (em especial ao Congresso, onde a estapafúrdia lei foi arquitetada) um sonoro e redondo NÃO. E não foi um simples e apertado NÃO; 63,9% dos votantes no referendo disseram não à proibição de venda de armas de fogo, e apenas 27,9% concordaram com a proposta do Governo. O NÃO venceu em todas as regiões brasileiras, todos os estados e em todas as capitais de estado. Além disso, o NÃO venceu em nove das dez maiores cidades brasileiras não capitais (o SIM ganhou apenas em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco). Mas o Governo e as ONGs (estas, alimentadas por gordas verbas vindas do exterior) não estavam dispostas a deixar a vaca leiteira morrer.

Face ao fiasco (para eles) do resultado do referendo e do recolhimento das armas, o Governo e as ONGs voltaram à carga: em 22/04/2008, a Câmara aprovou uma medida provisória estendendo o prazo para regularização até 31/12/2008. Na mesma época, escrevi um outro artigo, intitulado DESARMAMENTO: olha eles de novo, onde eu explicava que haveria um novo fracasso no malfadado plano do Governo e das ONGs a serviço de interesses obscuros, e a indevida intervenção em assuntos internos de nosso país.

Em silêncio, sem nenhum alarde nem a pompa e a circunstância que sempre cercou a campanha antiarmas, o governo federal (com minúscula mesmo) sancionou a Lei nº 11.922, de 13 de abril de 2009, que reza em seu artigo 20 do Anexo IX:

Art. 20. Ficam prorrogados para 31 de dezembro de 2009 os prazos de que tratam o § 3o do art. 5o e o art. 30, ambos da Lei no 10.826, de 22 de dezembro de 2003.

Sem o decidido apoio das Organizações Globo, que finalmente descobriram ter embarcado em uma canoa furada, o governo foi incapaz de produzir um balanço das armas recolhidas até 31/12/2008, bem como a meta para o final de 2009. Tampouco consegui saber quantos homicídios ocorreram em 2008 em todo o país.

E vou reafirmar aqui, para que os leitores confiram nos primeiros dias de 2010: essa nova tentativa vai ter o mesmo destino que as outras duas anteriores: um rotundo fracasso. E por que afirmo isto? Porque as razões que levaram os cidadãos a votar pelo NÃO e a não aderir maciçamente não se alteraram substancialmente:

- Os tolos que acreditavam no governo já entregaram suas armas;

- A população, em especial os que possuem armas de fogo, não confia na capacidade do governo de protegê-la;

- A retumbante vitória do NÃO solidificou a posição favorável à posse de armas nos cidadãos indecisos;

- O cidadão receia que, uma vez registrada a sua arma, o legislativo aprove uma lei obrigando a entrega de todas as armas. O governo teria então em suas mãos (patas?) o nome e a exata localização das armas a recolher. Seria a vitória no tapetão dos antiarmas que viram sua proposta ser democraticamente recusada por uma avassaladora parte da população.

PESQUISA FOLHA ON-LINE

O Grupo Folha (um dos entusiastas do desarmamento) realizou recentemente entre os usuários do seu site uma pesquisa em que perguntava: – Você acha que os países europeus deveriam seguir o exemplo brasileiro e aumentar a idade mínima para o porte legal de armas? No Brasil, morrem aproximadamente 37.000 pessoas em acidentes de trânsito e outras 400.000 ficam gravemente feridas ou com sequelas graves para o resto de suas vidas. Essas 37 mil mortes são, mais ou menos, o mesmo número de mortos por armas de fogo, mas com uma diferença: a grande maioria (96,8%) das mortes por armas de fogo é resultado de conflitos entre a polícia e marginais, bala perdida, assaltos e execuções. Ou seja, nada tem a ver com armas de posse de cidadãos honestos. Mas, voltando aos acidentes com veículos, na cidade do Rio de Janeiro, as mortes no trânsito crescem a taxa de 9% ao ano e metade dos mortos tem menos de 29 anos (caderno especial do Globo, 10/09/2006). Face a esses dados, fica a pergunta: Não seria o caso de, assim como acontece com a venda de armas, a licença para dirigir veículos automotores de quatro rodas só ser permitida a maiores de 25 anos? É claro que isto jamais seria sequer proposto, pois se trata de um mau negócio para todo o mundo:

para a indústria automobilística;

para os bancos e financeiras;

para as companhias de seguro;

para os fabricantes de pneus, acessórios e a indústria do tuning (os jovens são os que mais gastam equipando seus carros);

para o governo (impostos sobre carros, peças, acessórios e gasolina);

para a Petrobrás (iria vender menos gasolina e lubrificantes);

para as Organizações Globo e a imprensa em geral, pela redução dos investimentos em publicidade.

O amigo leitor acredita que algum dos nossos bravos representantes no Congresso é corajoso (ou maluco) o suficiente para comprar essa briga? E, se comprar, terá o apoio da imprensa em geral para se indispor com tão importantes clientes?


Fonte: http://www.midiaamais.com.br/

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