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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Três economistas e um equívoco

Mídia Sem Máscara

Vê-se que nenhum dos três atentou para a orgia que o governo Lula vem promovendo nos gastos de custeio e no aparelhamento da máquina estatal, nem tampouco para a miríade de gastos supérfluos do Judiciário e do Legislativo, fatos que acarretarão sérios problemas de financiamento em futuro não distante.

Um seminário organizado no início desta semana em São Paulo pela revista Exame reuniu três ganhadores do Nobel de Economia; Joseph Stiglitz (2001), da Universidade de Columbia, o mais keynesiano deles, Robert Mundell (1999), também de Columbia, mas que iniciou sua vida acadêmica na Universidade de Chicago, o mais criativo; e Edward Prescott (2004), da Universidade do Arizona e, com certeza, o mais técnico da competente trinca.

Ganhar o Nobel, como todos sabem, não é fácil, embora a Academia Sueca frequentemente baseie as suas escolhas – especialmente na área de Ciências Humanas – por critérios políticos e não por avaliações estritamente científicas. E convidar um Nobel para qualquer evento sai bem caro, algo entre US$ 20 mil a US$ 30 mil por palestra – sem contar as despesas com bilhetes aéreos (em geral na primeira classe ou na classe executiva) e gastos com hospedagem em hotéis caros, alimentação e táxis. Mas, apesar de cobrarem bem (o que é justo, diga-se de passagem), segundo um especialista em organizar esse tipo de seminários, os palestrantes não costumam preparar apresentações específicas para cada evento (o que, a rigor, não é eticamente correto), preferindo uma “apresentação padrão” de acordo com a conjuntura do momento, que adaptam para cada local e público.

No evento realizado na capital paulista, os três economistas – brilhantes, obviamente – disseram o que qualquer profissional com bom treinamento sabe, ou seja, que a crise mundial ainda não acabou e que ainda não se pode dizer quando terá fim. Ou seja, disseram o óbvio – aquele que ululava, segundo Nelson Rodrigues... Mas, no que se refere ao Brasil, a trinca de ases escorregou feio, quando não economizou elogios à política macro-econômica brasileira, especialmente a “disciplina fiscal”.

Mas que disciplina fiscal é essa?!

Vê-se que nenhum dos três atentou para a orgia que o governo Lula vem promovendo nos gastos de custeio e no aparelhamento da máquina estatal, nem tampouco para a miríade de gastos supérfluos do Judiciário e do Legislativo, fatos que acarretarão sérios problemas de financiamento em futuro não distante.

Mas... como isto escapou às análises dos três craques da Economia?

Bem, tenho duas explicações: a primeira é por educação, sim, por simples educação. Afinal, se convidarem você, leitor, para dar uma palestra no país X, é natural que você julgue deselegante criticar o governo do país anfitrião e que lhe dispensa tratamento de rei. É uma atitude errada, mas até compreensível. É da própria condição humana.

Mas a segunda é por uma deformação estrutural na formação dos economistas no mundo inteiro, da qual nem os laureados com o Nobel escapam: com efeito, poucos são os que se preocupam com a qualidade dos números, porque seu treinamento os leva a olhar exclusivamente para o aspecto da quantidade. Quantitativamente, o governo Lula, especialmente na era de Palocci, fez um esforço louvável na área fiscal. Mas, no que se refere à qualidade do ajuste, ele foi lamentável e está piorando: o que se observa é o oposto do que deveria ser a meta do governo – ou seja, aumentos de arrecadação pela elevação da carga tributária e, em termos de cortes de gastos, “neca de pitibiriba”, como dizia um velho amigo. Quando cortam, fazem-no em gastos essenciais, como os com a infraestrutura, por exemplo.

Definitivamente, os elogios rasgados dos três tenores da Economia à nossa desastrada política fiscal são uma prova incontestável de que o ensino da Ciência Econômica precisa mudar, tornando-se mais humano, sem prejuízo da técnica. Os economistas precisam voltar a estudar a Escola Austríaca, como acontecia até os anos 30! A Economia é uma ciência humana, da ação humana, mexe com a vida de todos e, portanto, não pode ser tratada de forma exclusivamente quantitativa.

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